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Por Ricardo Lima
A norte-americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20) um acordo definitivo para a aquisição de 100% do Grupo Serra Verde, detentor da mina de terras raras Pela Ema, em Minaçu (GO), por aproximadamente US$ 2,8 bilhões.
A transação une a capacidade de extração brasileira à infraestrutura de processamento e fabricação de ímãs da companhia dos Estados Unidos, estabelecendo a primeira plataforma totalmente integrada de terras raras em escala industrial fora do continente asiático.
Thras Moraitis, atual CEO do Grupo Serra Verde, assumirá a presidência da empresa combinada e passará a integrar seu Conselho de Administração. Já a liderança das operações no Brasil continuará sob o comando de Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração.
O negócio será estruturado por meio de um pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de 126,8 milhões de novas ações da USA Rare Earth (Nasdaq: USAR). Com o fechamento previsto para o terceiro trimestre de 2026, a nova gigante do setor projeta um faturamento operacional (EBITDA) de US$ 1,8 bilhão até 2030, apoiada por um contrato de fornecimento de 15 anos com entidades ligadas ao governo dos EUA e fontes de capital privado.
A operação em Goiás é considerada estratégica por deter o único depósito de argilas iônicas em escala industrial fora da Ásia. Iniciada em 2024, a produção na mina Pela Ema é a única no Ocidente capaz de fornecer, simultaneamente e em escala, os quatro elementos magnéticos essenciais: Neodímio, Praseodímio, Disprósio e Térbio. Estes minerais são fundamentais para tecnologias de energia limpa, defesa e eletrônicos de alta performance.
“Ao combinar as operações de classe mundial da Serra Verde com nossas capacidades de processamento e fabricação, avançamos na criação de uma plataforma que será o alicerce da segurança de suprimento global por décadas”, afirmou Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth.
A integração também reforça o caixa da nova companhia, que passa a contar com uma liquidez pro-forma de cerca de US$ 3,2 bilhões. O suporte financeiro inclui linhas de crédito do governo dos EUA, como um pacote de US$ 565 milhões da International Development Finance Corporation (DFC), anunciado em fevereiro, destinado a expandir a produção em Goiás.
Para Thras Moraitis, CEO do Grupo Serra Verde e futuro presidente da USA Rare Earth, a união ocorre em um momento geopolítico crucial, em que governos estão buscando fontes confiáveis de minerais estratégicos.
“Acreditamos que a empresa combinada entregará uma solução de terras raras totalmente integrada em escala, acelerará o crescimento e criará valor ampliado para todos os parceiros interessados – incluindo comunidades locais e governos, abrangendo o Brasil, os Estados Unidos e nossos aliados”, destacou Moraitis.
O presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração, Ricardo Grossi, destacou que a parceria demonstra o potencial do país como polo de minerais críticos. “A Serra Verde é pioneira em uma nova indústria no Brasil e agora temos a certeza de poder continuar investindo em nossa operação, garantindo empregos e desenvolvimento econômico para Minaçu e Goiás“, pontuou.
Com a conclusão do negócio, a estrutura de governança será fortalecida com a chegada de veteranos do setor de mineração ao conselho da USA Rare Earth, incluindo Sir Mick Davis, ex-CEO da Xstrata. A mineradora projeta que a unidade brasileira atinja uma produção anual de 6,4 mil toneladas de óxidos de terras raras até o final de 2027, garantindo mais de 50% da oferta de terras raras pesadas disponível fora da China.














