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Por Redação
Em um momento em que a geopolítica redefine cadeias produtivas e acelera a corrida global por recursos estratégicos, o painel “Energia, Infraestrutura & Recursos Estratégicos: Um diálogo bilateral”, realizado nesta quarta-feira (15), durante o Fórum Econômico Brasil–Canadá, deixou uma mensagem clara: não há transição energética consistente sem integração entre energia, mineração e planejamento de longo prazo.
Promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá, o evento reuniu lideranças empresariais, especialistas e formuladores de políticas públicas para discutir como os dois países podem transformar complementaridades em crescimento econômico sustentável em um cenário de competição global por investimentos e segurança na cadeia de suprimentos para transição energética no mundo.
Logo na abertura, o moderador Oswaldo Dalla Torre foi direto ao ponto: “Transição energética não se faz só com energia. Se faz com energia e mineração – e com planejamento para que tudo aconteça de forma coordenada.”
Cadeia de valor na mineração enfrenta entraves
Na avaliação de Marisa Cesar, diretora da PLS e presidente do Conselho da Associação de Minerais Críticos (AMC), o Brasil possui vantagens competitivas relevantes, mas ainda enfrenta desafios para avançar na cadeia de valor dos minerais críticos.
Entre os principais entraves, ela citou a complexidade do licenciamento ambiental, a necessidade de maior coordenação institucional e as dificuldades de financiamento para projetos de processamento e refino.
Segundo a executiva, embora o país tenha ampla disponibilidade de recursos minerais e uma matriz energética predominantemente renovável, a agregação de valor ainda é limitada, o que reduz a participação brasileira nas etapas mais avançadas da cadeia produtiva.
“O Brasil já entendeu que tem o recurso. Agora precisa decidir se quer capturar valor ou ficar exportando matéria prima”, afirmou. Ela destacou que a mineração passou a ocupar um novo papel geopolítico, especialmente diante da disputa global por minerais estratégicos – como terras raras e lítio – essenciais para baterias, eletrificação e tecnologias de defesa.
“Energia, mineração e infraestrutura não são mais agendas separadas — são partes de uma mesma equação”
Marisa Cesar – PLS e Associação de Minerais Críticos.

Fórum reuniu lideranças empresariais, especialistas e formuladores de políticas públicas para discutir como os dois países podem transformar complementaridades em crescimento econômico sustentável em um cenário de competição global.
Sistema elétrico sob pressão
Bruno Silva, gerente executivo da Auren Energia, destacou que o Brasil vive um momento paradoxal: o sucesso das renováveis trouxe novos desafios estruturais. Segundo ele, a rápida expansão da geração eólica e solar elevou a complexidade do sistema elétrico a um novo patamar.
“As hidrelétricas sempre funcionaram como a ‘bateria’ do sistema. Mas estamos chegando ao limite da capacidade de absorver a intermitência”, afirmou.
Nesse contexto, o armazenamento de energia – especialmente via baterias – deixa de ser uma alternativa e passa a ser parte central da solução. Mais do que competir com a geração, ele atua como elemento de equilíbrio, absorvendo excedentes e garantindo estabilidade ao sistema.
Outro ponto crítico apontado por Silva é o avanço de novas cargas intensivas em energia, como data centers e infraestrutura digital, que exigem fornecimento contínuo e confiável pressionando ainda mais o planejamento energético do país.
Planejamento energético precisa incorporar mineração
Do lado do planejamento público, Gustavo Naciff de Andrade, da Empresa de Pesquisa Energética, reforçou que a integração entre energia e minerais críticos deixou de ser tendência e passou a ser uma necessidade estrutural.
“Antes eram agendas separadas. Hoje são completamente interdependentes”, afirmou. Os números apresentados por Andrade são emblemáticos:
- Uma usina eólica utiliza até nove vezes mais minerais que uma térmica a gás
- Veículos elétricos demandam seis vezes mais minerais que veículos convencionais
- A expansão projetada do sistema elétrico pode gerar um aumento de 60% na demanda por minerais
Ou seja, a transição energética não é apenas uma agenda de eletrificação; é também uma agenda mineral. Além disso, o crescimento esperado da demanda elétrica no Brasil, impulsionado por eletrificação e novas indústrias, reforça a necessidade de planejamento integrado entre geração, transmissão e cadeias produtivas.
Ao longo dos debates o painel apontou três eixos centrais para o futuro: Integração entre oferta e demanda energética; desenvolvimento de cadeias produtivas minerais, com agregação de valor no país; coordenação institucional e planejamento de longo prazo, reduz incertezas.
Em um contexto global marcado por tensões geopolíticas e reconfiguração das cadeias de suprimento, Brasil e Canadá aparecem como parceiros naturais, combinando recursos, estabilidade institucional e capacidade técnica.













