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Por Redação
A exploração de minerais críticos no fundo do mar brasileiro entrou oficialmente no radar do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O presidente da instituição, Aloizio Mercadante, afirmou que a mineração marinha é uma fronteira que o país precisará avaliar nos próximos anos e revelou a intenção de aproximar Petrobras e Vale em iniciativas voltadas à pesquisa e ao desenvolvimento do setor.
A movimentação ocorre em meio ao crescente interesse global por minerais estratégicos utilizados em tecnologias ligadas à transição energética, digitalização e defesa. Segundo Mercadante, o BNDES já trabalha para ampliar investimentos em minerais críticos em terra e pretende avançar também na compreensão do potencial existente na plataforma continental brasileira.
“Nós vamos ter que olhar a mineração marinha. Esse é um capítulo futuro, portador de futuro, que nós temos que nos preparar”, afirmou o executivo durante evento promovido pelo banco sobre proteção de fronteiras e recursos marítimos.
Atualmente, o BNDES analisa 56 projetos relacionados a minerais críticos no Brasil, com potencial de movimentar cerca de R$ 50 bilhões em investimentos. No ambiente offshore, entretanto, o potencial econômico ainda é pouco conhecido, cenário que motiva o banco a apoiar estudos e levantamentos técnicos.
Fundo do mar entra na agenda estratégica
Ao defender o avanço das pesquisas, Mercadante associou o desenvolvimento da mineração submarina à experiência acumulada pelo país na exploração de petróleo e gás em águas profundas.
“Uma dimensão importante é a geopolítica dos recursos do mar. Setenta e um por cento da Terra está coberta por água. Isso significa que 71% dos nossos minerais estratégicos, recursos estratégicos, estão no oceano”, disse.
O presidente do banco citou o papel desempenhado pela Petrobras na exploração offshore de petróleo como exemplo da capacidade brasileira de desenvolver tecnologias voltadas ao aproveitamento de recursos marinhos.
Para ele, o crescimento da mineração submarina é uma tendência global impulsionada pela demanda crescente por minerais críticos.
“É inexorável que a mineração marítima cresça”, afirmou.
A atividade, porém, segue cercada por controvérsias. Enquanto governos e empresas buscam novas fontes de suprimento para minerais estratégicos, ambientalistas e pesquisadores alertam para os riscos associados à exploração de ecossistemas ainda pouco conhecidos e para os impactos potenciais sobre a biodiversidade marinha.
Mapeamento do oceano brasileiro
Como parte da preparação para futuras decisões sobre exploração mineral offshore, o BNDES participa do financiamento de iniciativas voltadas ao conhecimento e ao ordenamento do espaço marítimo brasileiro.
Entre elas está o Planejamento Espacial Marinho (PEM), conduzido pelo governo federal em parceria com a Marinha do Brasil. O objetivo é mapear áreas ambientalmente sensíveis, regiões com potencial econômico e eventuais conflitos de uso na plataforma continental.
Segundo Mercadante, o país precisa estabelecer diretrizes claras para definir os limites e as possibilidades de exploração dos recursos marinhos.
“Nós temos que ter um plano diretor para o oceano, para saber o que nós podemos e não podemos, e deixar de achismo ou de lobbies, às vezes com interesses ocultos, que tentam impedir o desenvolvimento do país”, declarou.
Petrobras sinaliza interesse em minerais críticos
O interesse do BNDES encontra respaldo na Petrobras. Durante evento realizado em Sergipe, a presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou que vê oportunidades na exploração de minerais críticos, potássio e urânio, sugerindo a possibilidade de ampliação da atuação da estatal no futuro.
“Eu gosto da ideia de explorar potássio. Gosto da ideia de explorar minerais críticos. Gosto da ideia de fazer urânio. Gosto da ideia de ser uma empresa de energia cada vez maior”, disse.
Embora tenha ressaltado que a Petrobras atualmente não possui em seu objeto social atividades de mineração, Chambriard lembrou a experiência histórica da antiga Petrobras Mineração S.A. (Petromisa), extinta em 1990.
“Podemos retomar isso. Vai fazer parte de um ‘esforço Petrobras’, e depende de toda a sociedade brasileira realmente querer isso”, afirmou.
A executiva também destacou que a companhia já desenvolve pesquisas relacionadas a minerais críticos na plataforma continental por meio do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes).
BNDES busca unir expertise de Petrobras e Vale
Mercadante indicou que o banco pretende aproximar a experiência geológica da Vale da capacidade tecnológica e operacional da Petrobras para impulsionar estudos e investimentos em minerais críticos.
“O BNDES hoje está muito dedicado a minerais críticos, terras raras. Nós estamos trabalhando fortemente, lançamos fundo, estamos construindo uma parceria com a Vale para fazer mais investimento nessa área. Vamos procurar a Petrobras para fazer uma parceria com o Cenpes, juntar a geologia da Vale com a Petrobras, para a gente impulsionar esse trabalho”, afirmou.
A proposta surge em um momento de fortalecimento das discussões sobre políticas públicas voltadas aos minerais críticos no Brasil. O Congresso Nacional analisa um marco legal específico para o setor, enquanto o governo federal defende o uso desses recursos como instrumento de industrialização, agregação de valor e fortalecimento da soberania nacional.
Vale não comenta possível participação
Procurada pelo Minera Brasil para comentar sobre uma possível parceria envolvendo mineração marinha e investimentos em minerais críticos ao lado da Petrobras e o BNDES, a Vale não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição.











