Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate
Por Redação
Belo Horizonte sediou o Tailings Brazil 2026, seminário promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) que reúne representantes da indústria mineral, especialistas técnicos, autoridades públicas e órgãos reguladores para discutir segurança de barragens, inovação tecnológica e governança no setor de mineração.
Durante a cerimônia de abertura na terça-feira (26), dirigentes do setor e representantes do governo destacaram a necessidade de fortalecer a integração entre empresas, poder público e sociedade civil para ampliar a segurança das estruturas de disposição de rejeitos e garantir maior sustentabilidade às atividades minerárias.
O diretor-presidente do IBRAM, Pablo Cesário, afirmou que o evento se consolidou como o principal fórum nacional voltado à gestão segura de rejeitos da mineração e ressaltou os investimentos do setor em tecnologia e monitoramento preventivo.
“Reunimos aqui engenheiros, gestores, reguladores e especialistas internacionais com um propósito compartilhado, o de elevar continuamente o padrão técnico e de governança da mineração brasileira”
Pablo Cesário – Ibram
Segundo ele, as mineradoras têm ampliado o uso de sistemas integrados de monitoramento com análise preditiva, modelagem tridimensional e alertas automatizados para reforçar protocolos de segurança e gestão de riscos.
Cesário também apresentou dados sobre a evolução da segurança de barragens no país. De acordo com o dirigente, o número de estruturas em situação de alerta ou emergência caiu 18% em 2025, passando de 109 para 90 barragens. Já as barragens com alteamento a montante, um método proibido no Brasil, foram reduzidas de 52 para 45 estruturas no último ano.
“Esse precisa ser o nosso maior compromisso com os nossos funcionários e com as nossas comunidades”, afirmou.
O presidente do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA) e diretor da Martins Lanna Mineração, Gustavo Rosa Lanna, destacou o peso econômico da mineração para Minas Gerais e afirmou que o estado assumiu protagonismo na reformulação das normas de segurança após tragédias envolvendo barragens.
“Falar de mineração é falar da essência e do futuro de Minas Gerais. Nosso setor está presente em mais de 500 municípios, gerando emprego, arrecadação, desenvolvimento social e oportunidades”, declarou.
Lanna defendeu que inovação e sustentabilidade sejam tratadas de forma integrada no planejamento do setor mineral.
“Segurança precisa estar na engenharia, nos investimentos e na relação de cada empresa com o território. Inovação e sustentabilidade não são agendas concorrentes, são complementares”, disse.
Representando o governo estadual, o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, Lyssandro Norton Siqueira, enfatizou a importância do diálogo entre setor produtivo, órgãos públicos e sociedade civil para evitar novos desastres envolvendo barragens.
“Se não tivermos um diálogo franco, honesto e leal entre o setor produtivo, o setor público e a sociedade civil, voltaremos a olhar para um passado que ainda nos assombra”, afirmou.
O secretário também chamou atenção para a complexidade dos planos de ação emergencial para barragens de mineração, destacando que eles envolvem áreas como patrimônio histórico, recursos hídricos, defesa civil, saúde e proteção ambiental.
Ao longo dos dois dias de programação, o Tailings Brazil 2026 discutiu temas como evolução dos processos de licenciamento ambiental, requisitos técnicos para ampliação da segurança de barragens, boas práticas em geotecnia e alinhamento às normas internacionais de gestão de rejeitos.
O seminário também aborda a atuação conjunta entre engenheiros, projetistas e especialistas independentes na mitigação de riscos e no desenvolvimento sustentável da mineração brasileira.
O evento conta com apoio de empresas e instituições do setor mineral. Entre os patrocinadores estão Ausenco do Brasil Engenharia, Geosinergia Brasil, Coletanche, Samarco, Kinross Brasil, Nexa Resources e Sidrasul Sistemas Hidráulicos.











