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Por Redação
Brasil e União Europeia reforçaram nesta terça-feira (23) a parceria estratégica para impulsionar projetos de transição energética, minerais críticos e desenvolvimento sustentável. Durante reunião realizada no Ministério de Minas e Energia (MME), representantes do governo brasileiro e da Comissão Europeia discutiram oportunidades de cooperação e investimentos em áreas como infraestrutura energética, hidrogênio de baixa emissão, combustíveis sustentáveis e descarbonização industrial.
O encontro contou com a participação do comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, e integra sua visita oficial ao Brasil, realizada entre os dias 18 e 24 de junho. A agenda também abordou mecanismos de financiamento e o fortalecimento de cadeias de valor estratégicas ligadas à transição energética.
Parceria busca transformar potencial em investimentos
Durante a reunião, o secretário-executivo do MME, Gustavo Ataíde, afirmou que a combinação entre recursos naturais abundantes e uma matriz energética majoritariamente limpa coloca o Brasil em posição privilegiada para receber investimentos internacionais.
Segundo ele, a aproximação com a União Europeia pode contribuir para converter o potencial brasileiro em projetos concretos com impactos econômicos e tecnológicos.
“Há um alinhamento estratégico importante entre Brasil e União Europeia, e a determinação do ministro Alexandre Silveira é de que aproveitemos o momento de transformar intenções em ações concretas, capazes de gerar investimentos, empregos e renda. O Brasil oferece condições únicas para isso, mas busca parcerias que promovam a agregação de valor local, a formação de capital humano e a transferência de tecnologia”, afirmou.
Mineração e agregação de valor
A secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt, destacou que o Brasil oferece segurança jurídica, estabilidade institucional e padrões elevados de sustentabilidade para investidores interessados no setor mineral.
Ela ressaltou que o desafio do país não se limita à ampliação da produção de minerais críticos, mas também envolve o desenvolvimento tecnológico, a qualificação profissional e o fortalecimento das cadeias produtivas.
“Com um parceiro estratégico como a União Europeia, o Brasil pode avançar em saltos, e não apenas em passos. Temos condições de produzir materiais e insumos industriais de baixa pegada de carbono, aproveitando uma matriz elétrica com cerca de 90% de fontes renováveis”, disse.
Ana Paula Bittencourt – MME
O encontro ocorre em um contexto de crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, insumos considerados estratégicos para segmentos como mobilidade elétrica, semicondutores, indústria de defesa e tecnologias de baixo carbono. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras e busca ampliar a agregação de valor às cadeias ligadas a esses recursos.
Hidrogênio de baixa emissão em pauta
A secretária substituta de Transição Energética e Planejamento, Lorena Perim, destacou o protagonismo brasileiro na geração de energia renovável e o interesse crescente de empresas europeias em projetos de hidrogênio de baixa emissão.
Segundo ela, o governo trabalha para garantir que os investimentos no setor tragam benefícios duradouros para a economia nacional, incluindo a internalização de etapas produtivas e a geração de valor agregado.
“Nós sabemos que há um grande interesse por parte dos investidores, considerando que o Brasil é um grande hub de energia renovável, mas a nossa regulamentação e as nossas discussões internas sempre passam por internalizar ganhos além de simplesmente a implantação do projeto; nós precisamos trazer parte desse valor, dessa cadeia para o Brasil”, destacou.
De acordo com a secretária, a regulamentação do hidrogênio de baixa emissão, atualmente em fase final de elaboração, deve acelerar decisões de investimento e ampliar a cooperação internacional.
Europa defende aceleração de projetos
Representando a União Europeia, o comissário Jozef Síkela afirmou que os dois parceiros compartilham interesses estratégicos e precisam avançar para a implementação prática das iniciativas já discutidas.
“Temos valores compartilhados, competências dos dois lados e determinação. Agora precisamos fazer acontecer. Precisamos acelerar, avançar em medidas práticas e alinhar marcos e propostas específicas”, afirmou.
Síkela também destacou o interesse crescente de empresas europeias em investir no Brasil e defendeu o desenvolvimento de projetos de referência capazes de atrair novos aportes para o país e para outros mercados latino-americanos.
Aproximação estratégica
A reunião integra uma agenda mais ampla de aproximação entre Brasil e União Europeia, que inclui ações vinculadas à estratégia Global Gateway e à parceria em matérias-primas críticas. O objetivo é fortalecer cadeias produtivas resilientes, ampliar investimentos sustentáveis e aumentar a participação brasileira em segmentos de maior valor agregado associados à transição energética global.













