Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate
Por Redação
A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que ainda não é possível estimar o volume encontrado e que a avaliação do poço deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias. Informações segundo a Folha de S. Paulo.
O anúncio ocorreu durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao navio-sonda responsável pela perfuração. O governo trata a região como uma nova fronteira exploratória, enquanto a descoberta reacende o debate sobre a expansão da produção de combustíveis fósseis e os compromissos ambientais do país.
Petrobras ainda avalia potencial da descoberta
“Tem petróleo e descoberta, a gente ainda não sabe quanto, mas estamos extremamente otimistas com o que estamos encontrando aqui”, afirmou Chambriard durante o evento.
Segundo a presidente da Petrobras, outros três poços estão previstos para a região, além de cinco em áreas adjacentes. A estatal já solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorização para perfurar os poços PAD-Morpho, Manga e Crotalus. Os pedidos ainda estão em análise e dependem dos resultados obtidos no Morpho.
“É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região”, disse a executiva.
Na semana passada, a Petrobras havia informado a identificação de hidrocarbonetos em águas ultraprofundas na costa do Amapá, com base em perfis elétricos e outros indícios geológicos. A presença de petróleo, porém, ainda não significa que a área tenha viabilidade econômica para produção.

Mapa mostra a localização do poço Morpho, onde a Petrobras confirmou a descoberta de petróleo em águas profundas do Amapá. Foto: Divulgação.
Reposição de reservas
Chambriard relacionou a exploração na Margem Equatorial à necessidade de repor reservas brasileiras diante da perspectiva de declínio da produção do pré-sal.
“Hoje nós produzimos 80% do petróleo do Brasil do pré-sal. Esse pré-sal vai ter um pico de produção mais ou menos em torno de 2034, 2035 e, a partir daí, nós precisamos repor reservas para que a gente não perca a posição de um dos dez maiores produtores de petróleo do planeta”, afirmou.
O bloco FZA-M-59, onde está o poço Morpho, é operado integralmente pela Petrobras. A área foi adquirida pela companhia na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob regime de concessão. O poço está em lâmina d’água de 2.886 metros.
A região ganhou importância para o setor após grandes descobertas de petróleo na Guiana, em áreas com características geológicas semelhantes. Para a Petrobras e o governo, a Margem Equatorial pode contribuir para compensar o futuro declínio da produção do pré-sal.
Lula chama petróleo de “passaporte para o futuro”
Durante a visita ao navio-sonda, Lula segurou um frasco com uma amostra do óleo encontrado e comparou a descoberta ao anúncio do pré-sal feito por governos petistas.
“Isto aqui é o passaporte para o futuro do país”, afirmou.
O presidente, porém, ressaltou que a exploração de petróleo não significa abandonar a agenda ambiental.
“E quando eu falo isso, não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível”, declarou.
Lula também afirmou que a exploração deve ser conciliada com a preservação ambiental. “Vamos continuar cuidando do meio ambiente, 87% deste estado [do Amapá] é reserva e 90% deste território está com floresta praticamente intocada.”
Licença ambiental gerou controvérsia
A exploração na Foz do Amazonas é alvo de controvérsia desde o processo de licenciamento. Em etapa anterior, a área técnica do Ibama havia recomendado o arquivamento do pedido. A licença para a perfuração do Morpho foi concedida em outubro de 2025, às vésperas da COP30, realizada em Belém.
A decisão provocou críticas de organizações ambientalistas, que apontaram contradição entre a expansão da exploração de petróleo e os alertas científicos sobre a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis.
Lula voltou a defender a decisão durante o evento desta segunda-feira.
“Quando aconteceu a COP no ano passado, muita gente queria que eu não declarasse que tinha conquistado a licença, diziam que os europeus iam ficar chateados, queriam que a gente só falasse do fim do combustível fóssil. Eu tomei a decisão de anunciar antes da COP que a gente queria fazer a proteção aqui”, afirmou.
Na própria COP30, o governo brasileiro defendeu medidas de redução do consumo de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que sustentou a exploração das reservas brasileiras.
Governo celebra soberania energética
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, classificou a descoberta como histórica e afirmou que ela amplia a soberania energética brasileira.
“O Brasil dá um passo importantíssimo para garantir a sua soberania energética. Nenhum brasileiro pode abrir mão de sua soberania e de suas riquezas naturais para combater miséria e garantir desenvolvimento”, disse.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também destacou a atuação de Lula na defesa da exploração na região.
“Muito obrigado pela defesa que o senhor fez ao longo dos últimos três anos e meio, enfrentando tudo para defender que este projeto chegasse ao dia de hoje”, afirmou.
O governador do Amapá, Clécio Luís (União Brasil), igualmente defendeu a iniciativa e agradeceu ao presidente.
“Enquanto muitos estão cultivando um país bipolarizado, nós, de diferentes matizes políticos, damos exemplo de uma união que constrói e que supera diferenças”, declarou.
Descoberta ocorre em momento de alta da Petrobras
A confirmação do petróleo na Foz do Amazonas ocorre em um momento de forte resultado financeiro da Petrobras. No trimestre mais recente, a estatal registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, alta de 97% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado foi influenciado pela valorização do petróleo, com preço médio do Brent de US$ 104, alta de 54,1%, e pela produção recorde de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 14%.
A companhia anunciou ainda R$ 17,4 bilhões em dividendos, dos quais R$ 6,2 bilhões correspondem à parcela do governo federal, acionista majoritário.
Apesar da confirmação de petróleo no Morpho, a descoberta ainda não é considerada comercial. A definição sobre o potencial econômico da área dependerá da conclusão da perfuração e dos resultados dos próximos poços.














