Por Redação
A Bravo Mining elevou em 16% o valor presente líquido (VPL) após impostos de seu projeto polimetálico Luanga, no Pará, para US$ 1,45 bilhão. O novo valor consta no estudo de pré-viabilidade divulgado pela companhia nesta terça-feira e considera uma taxa de desconto de 8%. Informações segundo o Mining.com.
O estudo também aponta uma taxa interna de retorno (TIR) de 35% após impostos e período de retorno do investimento de dois anos. Na avaliação econômica preliminar (PEA) divulgada pela empresa no ano passado, o projeto apresentava VPL de US$ 1,25 bilhão, TIR de 49% e prazo de retorno de 2,4 anos.
A Bravo, sediada em Toronto, pretende desenvolver Luanga como uma operação verticalmente integrada, com mina a céu aberto e planta de concentração na província mineral de Carajás e uma fundição localizada a cerca de 600 quilômetros de distância, na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena.
Segundo a empresa, a instalação da fundição dentro da ZPE deverá proporcionar benefícios fiscais e aduaneiros, incluindo uma redução estimada de US$ 90 milhões no investimento necessário para a unidade e uma economia de US$ 41,20 por tonelada nos custos operacionais.
A divulgação do estudo permitirá à Bravo solicitar a licença de instalação, etapa que abre caminho para a construção do projeto, mas não autoriza o início das operações, segundo os analistas Frederic Bolton e Raj Ray, do BMO Capital Markets.
Os analistas destacaram ainda que o estudo passou a incorporar a unidade pirometalúrgica, o que melhora as premissas relacionadas aos volumes de metais efetivamente comercializáveis.
Com a inclusão da nova fundição, o investimento de pré-produção estimado para Luanga passou para aproximadamente US$ 785 milhões, ante US$ 496 milhões previstos na PEA de 2025. O capital de sustentação ao longo da vida útil da mina é estimado em cerca de US$ 98 milhões.
“O estudo valida a estratégia que estamos desenvolvendo há mais de dois anos: integrar verticalmente Luanga no Brasil”, afirmou o presidente do conselho e CEO da Bravo Mining, Luis Azevedo.
Segundo o executivo, os indicadores econômicos do projeto, combinados aos benefícios disponíveis na ZPE de Barcarena, compensam o capital adicional necessário para a construção da fundição.
Reservas
Localizado no Pará, a cerca de 1.800 quilômetros ao norte de São Paulo, Luanga possui reservas provadas e prováveis de 86,7 milhões de toneladas, de acordo com a nova estimativa divulgada pela Bravo.
O minério apresenta teores de 0,94 grama de paládio por tonelada, 0,68 grama de platina, 0,11 grama de ródio, 0,07 grama de ouro e 0,17% de níquel.
As reservas correspondem a 2,6 milhões de onças de paládio, 1,9 milhão de onças de platina, 295 mil onças de ródio, 205 mil onças de ouro e 154.476 toneladas de níquel contidos.
A estimativa não inclui os 22.100 metros de sondagem de preenchimento e expansão realizados pela companhia em 2026. A Bravo pretende divulgar uma atualização dos recursos minerais no primeiro trimestre de 2027. Segundo Azevedo, os novos resultados podem contribuir para ampliar a vida útil da operação.
O cenário-base do estudo considera uma vida útil de 9,6 anos para a mina, com processamento de aproximadamente 8,7 milhões de toneladas de minério por ano e capacidade máxima de processamento próxima de 10 milhões de toneladas anuais.
A produção média anual vendável é estimada em aproximadamente 393.800 onças de paládio, platina, ródio e ouro, além de 9.800 toneladas de níquel.
Ao longo da vida útil da operação, a fundição também deverá produzir cerca de 878 mil toneladas de ácido sulfúrico, que seriam comercializadas para fabricantes de fertilizantes.
O estudo utiliza como premissas de preço US$ 1.245 por onça de paládio, US$ 1.700 por onça de platina, US$ 8.000 por onça de ródio, US$ 3.500 por onça de ouro e US$ 17 mil por tonelada de níquel.
Tecnologia de flotação
Uma das principais mudanças em relação à PEA de 2025 é a adoção da tecnologia de flotação Jameson Cell, após novos testes metalúrgicos realizados pela empresa.
O novo estudo considera uma recuperação de aproximadamente 100 gramas de metais do grupo da platina mais ouro por concentrado, ante 80 gramas na avaliação anterior.
As recuperações metalúrgicas estimadas são de aproximadamente 82% para o paládio, 80% para a platina, 55% para o ródio, 88% para o ouro e 70,6% para o níquel.
Ao longo da vida útil, Luanga deverá gerar aproximadamente US$ 8,4 bilhões em receita líquida e US$ 4,2 bilhões em lucro antes de juros, depreciação e amortização (Ebitda). O fluxo de caixa livre não descontado é estimado em US$ 2,8 bilhões.
Licenciamento
Após receber a licença prévia em março de 2025, a Bravo pretende apresentar o pedido de licença de instalação no quarto trimestre deste ano.
A companhia informou que possuía aproximadamente US$ 94,1 milhões em caixa em 30 de junho. Segundo a administração, os recursos são suficientes para financiar a atualização dos recursos minerais, o estudo de viabilidade definitivo e os trabalhos necessários até uma decisão final de investimento.
Além do avanço de Luanga, a Bravo também realiza atividades de exploração de cobre e outras mineralizações na região de Carajás.
A equipe executiva da companhia possui experiência em mineração no Brasil, exploração de metais do grupo da platina, licenciamento, financiamento, construção e operação de projetos minerais.













