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BHP registra alta de 30% no lucro e cobre supera minério de ferro em receita

Resultado do ano fiscal de 2026 foi impulsionado por preços mais altos das commodities, desempenho operacional e controle de custos; cobre respondeu por 54% do EBITDA subjacente do grupo

18 de agosto de 2026
em Internacional
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BHP descarta compra da Anglo American após novas conversas

BHP. Imagem: Australian Mining / Reprodução.

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Por Ricardo Lima

A BHP encerrou o ano fiscal de 2026 com lucro atribuível subjacente de US$ 13,2 bilhões, alta de 30% em relação ao ano anterior, em um período marcado pelo fortalecimento dos preços das commodities e pelo desempenho operacional dos principais ativos. A receita total da mineradora chegou a US$ 58,8 bilhões, avanço de 15%, enquanto o EBITDA subjacente alcançou US$ 32,9 bilhões, crescimento de 27%. Os resultados foram divulgados nesta terça-feira (18).

O resultado também marcou uma mudança relevante na composição dos negócios da companhia: a receita do segmento de cobre superou a do minério de ferro pela primeira vez. O cobre gerou US$ 31,6 bilhões em receita, contra US$ 23,9 bilhões do minério de ferro.

Apesar da alta de 30% no lucro subjacente, o lucro atribuível reportado foi de US$ 9,8 bilhões, aumento de 9% sobre os US$ 9,0 bilhões do exercício anterior. A diferença decorre principalmente de itens excepcionais registrados no período.

Cobre ganha protagonismo nos resultados

O cobre foi o principal destaque do balanço. O segmento respondeu por 54% do EBITDA subjacente do grupo, ante 45% no FY2025, e registrou EBITDA subjacente superior a US$ 18 bilhões. Segundo a BHP, foi a primeira vez que a maior parte do EBITDA subjacente do grupo foi gerada pelo cobre.

A margem de EBITDA do cobre chegou a 70%, enquanto a do minério de ferro ficou em 61%. A companhia atribuiu o avanço à combinação de preços mais elevados, volumes confiáveis e disciplina de custos.

A BHP produziu 1,953 milhão de toneladas de cobre no exercício, aproximadamente 2 milhões de toneladas pelo arredondamento utilizado pela companhia. O volume ficou 3% abaixo do FY2025, mas a empresa destacou a manutenção de uma produção próxima de 2 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo.

No minério de ferro, a produção chegou a 265 milhões de toneladas, alta de 1%, com a Western Australia Iron Ore (WAIO) registrando produção recorde.

Preços e controle de custos sustentam o avanço

A BHP informou que o EBITDA subjacente aumentou cerca de US$ 6,9 bilhões no ano. Desse total, US$ 5,6 bilhões vieram de fatores externos, principalmente preços mais fortes das commodities, enquanto fatores operacionais e controláveis acrescentaram US$ 1,3 bilhão.

A companhia também destacou uma redução de 6,1% nos custos unitários de seus principais ativos, apesar de pressões inflacionárias, preços mais altos do diesel e problemas nas cadeias globais de fornecimento. Na Escondida, os custos unitários caíram 10%, enquanto na operação de cobre da Austrália Meridional a redução chegou a 73%.

O fluxo de caixa operacional líquido aumentou 17%, para US$ 21,8 bilhões, enquanto o fluxo de caixa livre alcançou US$ 9,8 bilhões, alta de 83% sobre o exercício anterior. A BHP investiu US$ 10,3 bilhões em capital e exploração, 5% acima do FY2025.

Dívida recua e dividendos avançam

A dívida líquida da BHP terminou o exercício em US$ 8,7 bilhões, contra US$ 12,9 bilhões um ano antes. O indicador equivale a aproximadamente 0,3 vez o EBITDA subjacente dos últimos 12 meses, segundo a companhia.

A mineradora declarou dividendo final de US$ 0,99 por ação, integralmente franqueado, com payout ratio de 72% para o pagamento final. No conjunto do exercício, os dividendos determinados somaram US$ 8,7 bilhões.

BHP prevê crescimento puxado pelo cobre

Além dos resultados, a BHP destacou a continuidade dos investimentos em projetos de crescimento. A companhia estima que seu portfólio de projetos poderá proporcionar crescimento médio anual de 3% a 4% na produção equivalente de cobre entre FY2027 e FY2035.

Entre os projetos citados estão expansões de ativos de cobre, o projeto de potássio Jansen e iniciativas de crescimento no minério de ferro. A primeira etapa de Jansen, no Canadá, estava 84% concluída ao fim do período e tem previsão de iniciar a produção em meados de 2027, com capacidade de 4,15 milhões de toneladas anuais após o período de ramp-up.

O CEO da BHP, Brandon Craig, afirmou que a companhia entra no próximo ciclo com oportunidades de ampliar o desempenho dos ativos e uma trajetória definida de crescimento. “Estamos bem posicionados para o que vem pela frente”, disse o executivo, ao destacar a segurança, a execução dos projetos e a geração de retornos aos acionistas como prioridades.

Em síntese, o FY2026 mostra uma BHP com resultado operacional mais forte, balanço mais desalavancado e uma mudança clara na composição dos negócios: o cobre deixou de ser apenas uma frente de crescimento para se tornar o principal motor de geração de EBITDA do grupo.

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