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Paralisação de mina da CATL ameaça levar mercado de lítio ao déficit

Incertezas sobre retomada da mina Jianxiawo, na China, elevam riscos para a oferta global até 2027, enquanto demanda por baterias começa a apertar o mercado.

17 de agosto de 2026
em Internacional
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Paralisação de mina da CATL ameaça levar mercado de lítio ao déficit

Sede da CATL em Ningde, na província chinesa de Fujian. Foto: Reprodução.

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Por Redação

A indefinição sobre a retomada da mina de lítio Jianxiawo, operada pela chinesa Contemporary Amperex Technology (CATL), ameaça reduzir a oferta global do metal e pode levar o mercado a um déficit nos próximos anos. A operação, responsável por cerca de 4% da produção mundial, está paralisada desde agosto de 2025. Informações segundo o portal Mining.com.

Segundo a Benchmark Mineral Intelligence (BMI), uma interrupção prolongada pode colocar em risco cerca de 60 mil toneladas de carbonato de lítio equivalente (LCE) na província chinesa de Jiangxi. A CATL obteve em 29 de junho uma licença de produção de segurança, mas ainda não retomou as atividades.

Retomada adiada

A projeção-base da BMI previa que a Jianxiawo voltaria a operar pouco depois do Ano-Novo Lunar, em fevereiro. Como isso não ocorreu, a estimativa já é considerada defasada pela consultoria.

Caso a retomada seja novamente adiada, a BMI avalia reduzir pela metade sua previsão de produção da mina em 2026, para cerca de 55,7 mil toneladas de LCE, ante 111,4 mil toneladas anteriormente estimadas.

A incerteza ocorre em meio à forte volatilidade dos preços. Desde maio, o lítio acumula queda de quase 30%, pressionado por rumores e informações não confirmadas sobre a reabertura da Jianxiawo.

No mercado futuro de carbonato de lítio da Guangzhou Futures Exchange (GFEX), o contrato mais negociado caiu 9% em dois dias de junho após relatos de uma avaliação preliminar do governo sobre as terras da operação, o que aumentou as apostas em uma retomada. Na última sexta-feira, porém, os preços avançaram até 3% depois de veículos de imprensa locais informarem que a mina continuava fechada e aguardava aprovação ambiental.

Risco de aperto na oferta

A possível demora na retomada da Jianxiawo se soma a outras ameaças à oferta. O Zimbábue, responsável por pouco menos de 10% da produção mundial de lítio extraído, prepara uma proibição das exportações de concentrado a partir de 1º de janeiro.

“Uma parcela significativa da oferta global de concentrado pode ficar retida no Zimbábue”, afirmou Cameron Hughes, analista do CRU Group, à Bloomberg News.

A Jianxiawo ganhou peso nas negociações justamente quando a demanda começa a mostrar sinais de recuperação após anos de excesso de oferta. O crescimento do armazenamento de energia e a melhora nas vendas de veículos elétricos vêm fortalecendo o consumo de lítio.

A Albemarle, maior produtora mundial do metal, classificou a demanda por armazenamento estacionário como “fora dos gráficos” em uma teleconferência de resultados na semana passada. Na China, a BYD enfrenta dificuldades para atender à procura por sua segunda geração de baterias Blade enquanto amplia a produção.

Estoques baixos aumentam pressão

Apesar do aumento da produção australiana, os estoques permanecem baixos, segundo a BMI. Para alguns participantes do mercado, a Jianxiawo recebe atenção excessiva, sobretudo entre investidores de varejo, enquanto outros indicadores apontam para um mercado mais apertado.

Os contratos futuros de carbonato de lítio passaram a ser negociados na GFEX em 2023, oferecendo a produtores e compradores uma ferramenta de proteção contra oscilações de preços e ampliando a transparência do mercado chinês. Desde então, o volume negociado e os contratos em aberto atingiram níveis recordes, levando a bolsa a limitar novas posições ou elevar taxas de negociação em períodos de forte volatilidade.

A BMI também avalia reduzir pela metade sua previsão de produção para a mina Shuinanduan, da Gotion, em 2026, de 10 mil para 5 mil toneladas de LCE.

Jiangxi amplia risco para 2026

Outras minas de Jiangxi devem responder por cerca de 108 mil toneladas de LCE em 2026. No entanto, investigações sobre licenças de outras operações da província podem encontrar problemas de resíduos e rejeitos semelhantes aos identificados na Jianxiawo, ampliando o risco para a oferta.

Segundo analistas da BMI, a expectativa de resultados desfavoráveis nas inspeções também pode levar produtores a acelerar a extração no primeiro semestre de 2026, utilizando cotas que poderiam permanecer ociosas posteriormente.

Atualmente, a consultoria projeta um excedente global de aproximadamente 78 mil toneladas de LCE em 2026. Uma demora prolongada na Jianxiawo, combinada com interrupções mais amplas em Jiangxi, poderia consumir boa parte dessa margem e empurrar o mercado para o déficit.

Nesse cenário, a BMI teria de revisar suas projeções de curto prazo para os preços do lítio em 2026 e no primeiro semestre de 2027. A consultoria, porém, não espera que as possíveis interrupções alterem suas perspectivas de preços no médio e no longo prazo.

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