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Por Ricardo Lima
A multinacional belga Solvay anunciou nesta segunda-feira (01/06) a assinatura de uma carta de intenções com a mineradora australiana Viridis Mining and Minerals para garantir o fornecimento estratégico de matérias-primas de terras raras provenientes do Brasil a partir de 2028. O acordo busca fortalecer a resiliência e a diversificação das cadeias globais de suprimento de minerais críticos, considerados essenciais para a transição energética e setores de alta tecnologia.
Pelos termos do memorando, a Viridis deverá fornecer concentrados de terras raras extraídos do projeto Colossus, em Poços de Caldas (MG) para a unidade da Solvay em La Rochelle, na França. Em contrapartida, a companhia química belga contribuirá com tecnologia de processamento e separação de terras raras para acelerar o desenvolvimento da cadeia de fornecimento brasileira. As empresas trabalharão agora para converter a carta de intenções em um contrato definitivo de fornecimento.
A parceria prevê o aproveitamento da capacidade industrial da Solvay para transformar matérias-primas em óxidos de alta pureza utilizados na fabricação de motores para veículos elétricos, sistemas de energia renovável, eletrônicos avançados e equipamentos de defesa. Entre os elementos contemplados estão neodímio (Nd), praseodímio (Pr), disprósio (Dy) e térbio (Tb), fundamentais para a produção de ímãs permanentes.
“A transação proposta representaria um marco importante para fortalecer e diversificar nossa cadeia de suprimentos a montante”, afirmou a presidente do negócio de Special Chem da Solvay, An Nuyttens. “Ao estabelecer essa parceria com a Viridis, teríamos mais uma fonte confiável de matérias-primas que nos permitiria maximizar nossa capacidade de processamento e atender à crescente demanda global por elementos de terras raras de alta pureza e produzidos de forma sustentável.”
Segundo a executiva, a estratégia inclui a separação em escala industrial de disprósio e térbio na planta de La Rochelle até setembro de 2026.
“A Solvay mantém sua meta de fornecer 30% do mercado europeu de terras raras leves e pesadas para ímãs até 2030”.
An Nuyttens – Solvay
O material fornecido pela Viridis também deverá conter uma proporção relevante de terras raras pesadas, como samário (Sm), gadolínio (Gd) e ítrio (Y), utilizadas em aplicações dos setores automotivo, eletrônico, médico e aeroespacial.
Para o CEO e diretor-geral da Viridis, Rafael Moreno, a parceria permitirá conectar os recursos minerais da empresa a uma das mais avançadas plataformas de processamento de terras raras do mundo. “A parceria com a Solvay nos permitiria conectar nossa base de recursos a uma das mais avançadas plataformas globais de processamento de terras raras. Juntos, avançaríamos na construção de uma cadeia de fornecimento mais diversificada e responsável para materiais críticos, apoiando uma demanda global que cresce rapidamente”, disse.
O anúncio ocorre poucos dias após Moreno afirmar que a Viridis está em negociações avançadas com potenciais compradores na Europa e nos Estados Unidos para a produção do projeto Colossus, em Minas Gerais, e que a companhia optou por priorizar mercados ocidentais em detrimento da China. Em entrevista à Reuters na semana passada, o executivo afirmou que a estratégia da empresa busca se beneficiar do movimento global de diversificação das cadeias de suprimento de minerais críticos e reduzir a dependência dos compradores em relação ao mercado chinês.
A iniciativa ocorre em meio ao avanço do Projeto Colossus, da Viridis, em Poços de Caldas (MG). Na última quinta-feira (28), a companhia inaugurou o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR), estrutura voltada ao desenvolvimento e validação das tecnologias que serão empregadas na futura operação comercial do empreendimento, prevista para entrar em operação até 2028. Com investimento de R$ 25 milhões e área de 5 mil metros quadrados, a unidade é apontada pela empresa como uma das maiores plantas-piloto de terras raras fora da China.
A unidade de La Rochelle, da Solvay, é considerada uma das maiores plantas de separação de terras raras fora da China e uma das poucas instalações no mundo capazes de processar industrialmente todos os elementos desse grupo mineral. Segundo a companhia, a parceria com a Viridis está alinhada à estratégia de ampliação da capacidade produtiva e ao fortalecimento de uma cadeia global de valor mais resiliente para terras raras.










