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Por Redação
O depósito laterítico de níquel Brejo Seco, localizado no sudeste do Piauí, avançou na consolidação geológica e na redução de incertezas associadas ao projeto após décadas de campanhas exploratórias, levantamentos geofísicos e validação de dados históricos. O panorama foi apresentado pelo coordenador de geologia da Brazilian Nickel, Gabriel Sepúlveda, durante o Simexmin 2026, ao detalhar a evolução do conhecimento geológico do empreendimento e sua importância para a cadeia de minerais estratégicos voltados à transição energética.
Segundo o geólogo, o projeto passou por sucessivas etapas de investigação desde a década de 1970, incluindo campanhas conduzidas por diferentes empresas, até chegar ao atual estágio de modelagem e consolidação dos recursos minerais. “Esse perfil só foi possível de ser consolidado durante todas essas cinco décadas de trabalho”, afirmou Sepúlveda ao destacar o volume acumulado de sondagens, escavações, testes metalúrgicos e análises laboratoriais realizados ao longo da história do depósito. De acordo com a apresentação, o projeto já contabiliza dezenas de milhares de metros perfurados, além de milhares de amostras geoquímicas e levantamentos geofísicos.
Revisão geológica e validação de dados
Durante a palestra, o coordenador explicou que um dos principais desafios recentes foi aumentar a confiabilidade das informações históricas produzidas em campanhas antigas, muitas vezes executadas com metodologias distintas. Para isso, a empresa promoveu uma revisão completa da base de dados do depósito, incluindo trabalhos de campo, revalidação topográfica e correção de coordenadas de sondagens históricas. “Nós desenvolvemos uma metodologia para corrigir essas coordenadas e consolidar todo o depósito baseado na posição real dos furos”, disse. O trabalho também utilizou imagens históricas de satélite para validar a localização original das campanhas exploratórias.
A apresentação também detalhou aspectos geológicos do depósito, inserido na Faixa Riacho do Pontal, com mineralização associada a rochas ultramáficas intensamente alteradas. Segundo Sepúlveda, o modelo geológico atualizado permitiu compreender melhor a distribuição das zonas de limonita, saprolito e silicificação, além da influência estrutural de falhas e zonas mineralizadas. O novo modelo foi posteriormente validado por campanhas recentes de sondagem diamantada e circulação reversa, utilizadas para confirmar contatos geológicos e a continuidade da mineralização.
Níquel estratégico para baterias
Além do avanço geológico, a Brazilian Nickel destacou o potencial industrial do projeto por meio do processo metalúrgico desenvolvido pela empresa para produção de hidróxido misto precipitado (MHP), insumo utilizado na fabricação de baterias para veículos elétricos. Segundo o palestrante, o diferencial do empreendimento está justamente na capacidade de processar minérios lateríticos de menor teor com viabilidade econômica. “O diferencial está no processo”, afirmou Sepúlveda ao explicar que a tecnologia permite gerar um produto de alta pureza voltado à cadeia global de eletrificação.
De acordo com os dados apresentados no Simexmin, a operação projetada possui vida útil estimada em 35 anos e poderá representar parcela significativa da produção nacional de níquel nos próximos anos. A expectativa da empresa é alcançar produção anual capaz de ampliar a participação brasileira no mercado global do mineral, considerado estratégico para a transição energética e para a cadeia de suprimentos de baterias e tecnologias de baixo carbono.












