ESPECIAL LITHIUM BUSINESS
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Por Redação
A mineração pode impulsionar o desenvolvimento econômico do Vale do Jequitinhonha, mas somente se vier acompanhada de planejamento de longo prazo, diversificação da economia, qualificação da mão de obra e diálogo permanente com as comunidades. Essa foi a principal conclusão do painel “Desenvolvimento Econômico para Além da Mineração”, realizado durante o Lithium Business 2026, em Salinas.
Ao longo do debate, representantes do Governo de Minas, prefeitos de municípios mineradores e especialistas defenderam que os investimentos precisam deixar um legado para as cidades, reduzindo a dependência da atividade mineral e preparando os municípios para o período pós-mineração.
Desenvolvimento precisa ser planejado
Na abertura do painel, o moderador Rossandro Ramos alertou para a necessidade de responsabilidade na divulgação de projetos minerais e lembrou que o impacto social da mineração antecede a arrecadação dos municípios.
“O custo social da mineração chega muito antes da receita para o município.”
Rossandro também chamou atenção para a diferença entre anúncios e investimentos efetivos.
“Muitas vezes se divulga um projeto como investimento, quando ainda existe apenas uma expectativa. Está muito mais perto de não acontecer do que de acontecer.”
Segundo ele, eventos como o Lithium Business demonstram o potencial do Vale do Jequitinhonha para atrair investimentos, desde que esse potencial seja convertido em desenvolvimento sustentável.
Planejamento de longo prazo e agregação de valor
Representando a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Raphael Evaristo Rodrigues apresentou o Plano Estadual de Mineração (PEM-MG) como instrumento para orientar políticas públicas até 2050.
Segundo ele, o principal desafio é agregar valor à produção mineral e fortalecer outros setores da economia.

Raphael Evaristo Rodrigues. Foto: Jefferson Ryan Costa Alves.
“Quando a mineração chega sozinha, quem ganha é muito pouco. Precisamos agregar valor, capacitar pessoas e desenvolver outros setores.”
Raphael defendeu que a educação e a qualificação profissional são fundamentais para ampliar as oportunidades locais.
“A educação muda vidas. Ela gera desenvolvimento social e, consequentemente, desenvolvimento econômico.”
Ele também ressaltou que Minas Gerais precisa pensar em políticas de Estado, e não apenas de governo.
“Quando temos metas de Estado, temos uma visão de longo prazo. A mineração é uma atividade finita e precisamos saber onde queremos chegar.”
Arrecadação ainda é um desafio
Prefeito de Itinga, João Bosco Cordeiro afirmou que a mineração trouxe empregos e movimentou a economia local, mas alertou que a arrecadação municipal continua vulnerável à volatilidade do mercado internacional do lítio.
O prefeito citou como exemplo a queda da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) recebida pelo município nos últimos anos.

João Bosco Cordeiro. Foto: Jefferson Ryan Costa Alves.
“A mineração é extremamente positiva pela geração de empregos, mas a arrecadação ainda é um grande desafio.”
Segundo ele, a dependência das oscilações do preço do minério dificulta o planejamento financeiro das prefeituras.
“Não dá para fazer planejamento contando com uma receita tão imprevisível.”
João Bosco também defendeu a revisão da alíquota da CFEM incidente sobre o lítio e a necessidade de estimular outras atividades econômicas na região.
Legado para o pós-mineração
Prefeito de Araçuaí, Tadeu Barbosa afirmou que a principal preocupação dos gestores deve ser preparar os municípios para o período posterior ao encerramento das minas.
“A mineração passa muito rápido. Precisamos pensar desde já no pós-mineração.”

Tadeu Barbosa. Foto: Jefferson Ryan Costa Alves.
Segundo ele, além dos benefícios econômicos, é indispensável fortalecer o relacionamento entre empresas e comunidades.
“A mineração é bem-vinda, mas precisamos melhorar a relação principalmente com a comunidade.”
O prefeito também defendeu que os debates ocorram de forma técnica e transparente, reduzindo expectativas irreais sobre os empreendimentos.
Preparar a cidade para crescer
O prefeito de Salinas, Joaquim Neres Xavier, destacou que a prioridade da administração municipal tem sido estruturar a cidade para receber os investimentos e minimizar os impactos sociais provocados pelo crescimento acelerado.
“A primeira preocupação foi estruturar nossa cidade para receber as empresas.”

Joaquim Neres Xavier. Foto: Jefferson Ryan Costa Alves.
Ele afirmou que a gestão busca ampliar investimentos em infraestrutura, aeroporto, condomínio industrial e diálogo permanente com as empresas e comunidades.
“As empresas precisam ser parceiras do município. Quanto mais diálogo houver, melhor será para todos.”
Joaquim também ressaltou que Salinas busca alternativas para evitar a dependência exclusiva da mineração.
“Já estamos pensando em alternativas para que, quando a mineração terminar, o município continue se desenvolvendo.”
Cooperação regional
A coordenadora de Responsabilidade Social, Sustentabilidade e ESG Social, Caroline Marci defendeu maior integração entre os municípios mineradores para planejar o desenvolvimento regional de forma conjunta.
Segundo ela, uma das primeiras mudanças provocadas pela mineração é o aumento do acesso da população a bens e serviços, o que exige preparação das cidades.
“O território aprende muito rapidamente o que é acesso.”
Ela destacou ainda que a construção da confiança entre empresas, poder público e comunidades será decisiva para o sucesso dos projetos.
“A confiança precisa ser construída.”
Como proposta, Caroline sugeriu mecanismos de cooperação entre os municípios para fortalecer o planejamento regional.
“Os municípios precisam trabalhar em conjunto. Isso potencializa o desenvolvimento do território.”














