ESPECIAL LITHIUM BUSINESS
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Por Redação
O desenvolvimento das regiões produtoras de lítio precisa ir além da geração de emprego, renda e arrecadação. A educação, desde a primeira infância até a formação profissional, foi apontada como o principal caminho para transformar os territórios impactados pela mineração durante o painel “Desenvolvimento na Perspectiva Reggio Emilia”, realizado nesta quinta-feira (9), no Lithium Business 2026, em Salinas, no Vale do Jequitinhonha.
Ao longo do debate, representantes da iniciativa privada e especialistas em educação defenderam que empresas mineradoras assumam um papel ativo na construção de um legado social duradouro, por meio de investimentos em creches, qualificação profissional, preservação cultural e formação de talentos locais.
A mediação foi conduzida por Maria Claudineth Pereira, que destacou que os desafios provocados pelo crescimento das atividades minerárias exigem atuação conjunta entre poder público, empresas, universidades e sociedade.
“Esse desenvolvimento não é apenas econômico. Ele é um desenvolvimento através das pessoas. A educação transforma vidas”, afirmou.
Segundo ela, a expansão da mineração aumenta a demanda por serviços públicos, especialmente vagas em creches, e isso precisa fazer parte da discussão sobre responsabilidade social.
“Quando falamos em inserir mais mulheres no mercado da mineração, precisamos pensar: onde os filhos dessas mulheres vão ficar? Esse não é um desafio apenas do poder público. É uma construção coletiva.”
Consulta à comunidade quilombola virou programa de preservação cultural
Um dos principais destaques do painel foi a apresentação da diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS, Marisa Cesar, que apresentou a experiência da empresa com a comunidade quilombola Olaria Bagres localizada na área de influência do projeto minerário.
Ela explicou que, pela comunidade não ter seu território demarcado pelo INCRA, e a legislação não obrigasse a realização da Consulta Livre, Prévia e Informada prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a empresa decidiu promover o processo por iniciativa própria.

Marisa César. Foto: Jefferson Ryan Costa Alves.
“Pelos valores da PLS, entendemos que precisávamos fazer esse processo de escuta da comunidade”, afirmou.
Segundo Marisa, uma empresa independente conduziu as reuniões para identificar preocupações, expectativas e aspectos culturais considerados prioritários pelos moradores.
Entre as demandas apresentadas, chamou atenção o desejo de resgatar a tradição musical da comunidade.
“O primeiro pedido foi o resgate da música quilombola. Depois veio outro que nunca vou esquecer: ‘Será que podemos ter aulas de música?’. Hoje eles têm aulas duas vezes por semana para preservar essa cultura.”
A iniciativa resultou na produção artesanal de instrumentos musicais e em oficinas permanentes para crianças e adultos. O grupo, inclusive, participou da abertura do Lithium Business 2026 com uma apresentação cultural.
Programa forma jovens da escola pública e chegará a Salinas
Representando a Parex, Marilene Andrade Ferreira apresentou o Programa PIVE — Pessoas Inteligentes com Vontade de Engrandecer —, iniciativa criada para oferecer ensino superior e experiência profissional simultaneamente a jovens egressos da rede pública.
Segundo ela, o programa nasceu em Vazante (MG), cidade mineradora, para reduzir a dependência de mão de obra externa e desenvolver profissionais dentro da própria empresa.

Marilene Andrade Ferreira. Foto:Jefferson Ryan Costa Alves.
“O objetivo é promover a formação acadêmica, profissional e humana de jovens talentos da escola pública, preparando-os para uma inserção qualificada no mercado de trabalho.”
Hoje, o programa atende mais de uma centena de estudantes, que trabalham com carteira assinada enquanto cursam a graduação em áreas como engenharia, administração, direito, enfermagem, psicologia e tecnologia.
Além de custear parte da universidade, a empresa oferece moradia, transporte, alimentação subsidiada, plano de saúde, biblioteca voltada ao desenvolvimento de lideranças e acompanhamento permanente dos estudantes.
Marilene destacou que os participantes são escolhidos pelas próprias escolas, com base no desempenho acadêmico.
“Eles sabem que são bons. O que faltava era oportunidade.”
Durante a apresentação, ela anunciou que o programa deverá ser implantado também em Salinas.
“Perguntei ao Benedito se podia dar essa notícia e ele respondeu: ‘Pode’. Brevemente, nós vamos ter o programa também em Salinas.”
Reggio Emilia propõe uma educação voltada para o futuro
A educadora Lou Cocozza, criadora e mantenedora de escolas inspiradas na abordagem pedagógica de Reggio Emilia, defendeu que a transformação social começa na infância e que as escolas precisam preparar crianças para desafios muito além do mercado de trabalho.
Ela apresentou um paralelo entre as revoluções industriais e a evolução dos modelos educacionais, defendendo uma escola baseada em colaboração, criatividade, protagonismo e resolução de problemas.

Lou Cocozza. Jefferson Ryan Costa Alves.
“Na pedagogia participativa, o professor não faz para o aluno nem pelo aluno. Ele faz com o aluno.”
Lou também chamou atenção para a importância da primeira infância, citando estudos do economista James Heckman, vencedor do Prêmio Nobel, sobre o retorno social dos investimentos nessa fase da vida.
Ao abordar a filosofia desenvolvida por Loris Malaguzzi, fundador da abordagem Reggio Emilia, ela reforçou uma visão de criança como sujeito completo e protagonista da própria aprendizagem.
“Uma criança não deve nada para ninguém. Uma criança de dois anos é uma pessoa completa, com todas as potencialidades e limitações próprias da sua idade.”
Ao concluir a palestra, defendeu uma educação capaz de formar cidadãos comprometidos com inovação, responsabilidade social e desenvolvimento humano.
“Educar é uma decisão estratégica. As escolhas pedagógicas refletem valores institucionais e produzem impactos duradouros na sociedade.”













