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Home Sustentabilidade

Taxonomia Sustentável do Brasil abre caminho rumo à investimentos ‘verdes’ para a mineração

30 de outubro de 2025
em Sustentabilidade
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Taxonomia Sustentável do Brasil abre caminho rumo à investimentos ‘verdes’ para a mineração

Taxonomia Sustentável do Brasil é tema de debate na EXPOSIBRAM 2025 Imagem: Ibram / Divulgação.

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ESPECIAL EXPOSIBRAM

Por Redação

Inspirada em modelos como o da taxonomia da União Europeia e parte do Plano de Transformação Ecológica lançado pelo Estado brasileiro, a Taxonomia Sustentável do Brasil (TBS) é um sistema de classificação que define quais atividades econômicas podem ser consideradas “verdes” ou sustentáveis no contexto nacional.

Por que isso é relevante? A implementação dessa taxonomia tem impactos diretos e indiretos na vida dos cidadãos e na economia do país. No contexto da mineração, e especialmente dos minerais críticos, sua importância é inegável, pois:

  • Define critérios claros de sustentabilidade.
  • Atrai capital verde: ao classificar determinados projetos de mineração como sustentáveis, ela os torna elegíveis para green bonds, sustainability-linked loans e fundos de investimento com critérios ESG.
  • Reduz o risco percebido por investidores, ao dar maior transparência sobre a sustentabilidade dos projetos, o que pode levar a condições de crédito mais favoráveis.

Para discutir este tema no âmbito da mineração, a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2025) promoveu um painel com especialistas na tarde desta quarta-feira (29/10), no Centro de Convenções Salvador.

Moderadora do painel, a gerente de Sustentabilidade do IBRAM, Cláudia Salles, explicou que a TBS surge como um marco regulatório que vai muito além do cumprimento legal. “A taxonomia será um normativo que estabelece critérios de classificação para que as atividades econômicas demonstrem aptidão para negócios sustentáveis, contribuindo de forma efetiva para a mitigação das mudanças climáticas. Ela cria um ambiente de rastreabilidade, transparência e credibilidade, que aproxima a mineração das melhores práticas internacionais e do mercado de capitais, cada vez mais orientado por critérios ESG [ambientais, sociais e de governança]”.

Salles ressaltou ainda que o papel do IBRAM é fortalecer a convergência entre autorregulação e instrumentos públicos de governança ambiental. “A mineração brasileira tem feito um movimento consistente de amadurecimento em sustentabilidade. A taxonomia vem como aliada desse processo, criando uma linguagem comum entre empresas, investidores e sociedade”, acrescentou.

A diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do Ministério de Minas e Energia, Julevania Alves Olegário, destacou que o Brasil tem a chance de se posicionar entre os países líderes na economia verde. “O setor mineral é estratégico e intensivo em capital. O investimento não falta, mas os investidores precisam de parâmetros claros. A taxonomia vem justamente para dar essa segurança, criando critérios transparentes que valorizam empresas com boas práticas socioambientais e de governança, que vão além do mínimo legal”.

Parâmetros da Taxonomia Sustentável do Brasil

Olegário reforçou que os parâmetros da TBS incluem desde aspectos ambientais e sociais até temas como transparência, governança e relacionamento com comunidades e povos indígenas. “A taxonomia traz uma estrutura que integra políticas públicas, instrumentos financeiros e o próprio mercado. O objetivo é fomentar investimentos em projetos qualificados, com potencial de contribuir para a transição energética e o desenvolvimento sustentável”, detalhou.

Futuro energético

A coordenadora-geral substituta de Desenvolvimento Socioambiental na Mineração do MME, Mariana de Araújo Ferreira, lembrou que a inclusão da mineração na TBS reflete sua importância para o futuro energético global. “Não há transição energética sem mineração. Os minerais de transição – aqueles essenciais à produção de energia limpa – foram priorizados na composição da taxonomia brasileira. Optamos por critérios que consideram tanto a mitigação climática quanto a relevância estratégica e econômica desses minerais para o país”, pontuou.

Ferreira também defendeu que o reconhecimento das boas práticas do setor é fundamental para ampliar o acesso a financiamentos sustentáveis. “Muitas empresas já vêm adotando processos responsáveis, mas isso ainda não é percebido pelos investidores. A taxonomia ajuda a dar visibilidade a essas ações e a direcionar recursos para quem está comprometido com a nova mineração, aquela que gera valor compartilhado, respeita o meio ambiente e promove o desenvolvimento social”.

Nova mineração

Para a especialista, a taxonomia é também um convite à superação do básico: “Cumprir a legislação já não é suficiente. A nova mineração exige ir além: buscar inovação, reduzir emissões e ampliar o diálogo com as comunidades. A TBS será um instrumento fundamental para reconhecer quem está realmente alinhado a esses valores”.

Ao encerrar o debate, Cláudia Salles enfatizou que a TBS deve consolidar o Brasil como uma das referências mundiais na estruturação de sistemas de financiamento verde. “É um instrumento construído com múltiplos parceiros, como Ministério da Fazenda, Ministério de Minas e Energia e instituições financeiras, e que tem como principal mérito integrar sustentabilidade, credibilidade e competitividade. A mineração brasileira está pronta para essa nova etapa”.

A Taxonomia Sustentável Brasileira será implementada de forma gradual a partir de 2026, depois de um período de testes e a aprovação do documento final, e deverá servir como base para decisões de investimento, financiamento e certificação, marcando um passo decisivo rumo a uma mineração mais transparente, sustentável e alinhada à economia verde global.

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