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Por Redação
A demanda global por lítio continuará em forte expansão até 2040, impulsionada principalmente pelos mercados de baterias para veículos elétricos e, cada vez mais, por sistemas de armazenamento de energia. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (7), durante o Lithium Business 2026, em Salinas, no Vale do Jequitinhonha, pela gerente de membros e parcerias da Associação Internacional do Lítio (ILIA), Jimena Carnelos.
Segundo a executiva, a associação reúne empresas responsáveis por mais de 85% da oferta mundial de lítio e atua na interlocução entre indústria, governos e órgãos reguladores para promover o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva do mineral, considerado estratégico para a transição energética mundial.
“O lítio é, para o século XXI, o que foi o carvão no século XIX ou o petróleo no século XX, como motor da transição energética.”
ILIA representa 85% da oferta global de lítio
Criada há cinco anos, a Associação Internacional do Lítio (ILIA) é uma organização global sem fins lucrativos formada por empresas que atuam em toda a cadeia produtiva do setor, desde mineradoras e empresas de exploração mineral até refinarias, fornecedores e agências de preços.
Entre os associados estão produtores instalados no Vale do Lítio brasileiro, como AMG, PLS, CBL e Lithium Ionic.
Segundo Jimena Carnelos, os membros da entidade respondem por mais de 85% da produção mundial do mineral.
“Nós temos dentro da nossa associação empresas que estão em toda a cadeia do lítio, desde empresas de mineração, exploradores juniores, os principais produtores mundiais e também fornecedoras de bens, serviços, refinarias e agências de preços.”
A executiva explicou que a ILIA possui duas categorias de associados, sendo a principal composta por empresas que produzem mais de 80 mil toneladas anuais de lítio.
Associação busca influenciar regulações internacionais
Durante a apresentação, Carnelos afirmou que o crescimento acelerado da indústria tem sido acompanhado por um aumento das regulações em diferentes mercados, o que levou a ILIA a intensificar sua atuação junto a governos e organismos internacionais.
Segundo ela, a entidade mantém diálogo permanente com autoridades da União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e outros países para contribuir na construção de marcos regulatórios considerados adequados ao desenvolvimento do setor.
“Tentamos educar e informar os reguladores sobre o alcance e as consequências de potenciais novas regulações.”
A ILIA também participa do Comitê ISO 333, responsável pela elaboração de normas internacionais para a indústria do lítio, incluindo padronização de terminologias e critérios de sustentabilidade.
Guia de pegada de carbono
Entre as iniciativas apresentadas está o desenvolvimento de um guia internacional para cálculo da pegada de carbono dos produtos de lítio.
Segundo Carnelos, a metodologia considera toda a cadeia produtiva — da mineração aos produtos intermediários e finais — e já é utilizada por empresas do setor.
“Temos feito uma guia de pegada de carbono dos produtos de lítio que mede a produção não só das empresas de mineração, mas também produtos intermediários e finais.”
Ela citou como exemplos operações da Tesla e plantas de refino da Albemarle na China.

Foto: Jefferson Ryan Costa Alves.
Além das ações regulatórias, a associação promove conferências, encontros técnicos e publica conteúdos voltados ao setor, como a revista Lithium Voice e estudos desenvolvidos em parceria com consultorias especializadas.
Mercado de baterias multiplicou demanda em 15 anos
Ao apresentar dados produzidos pela ILIA em parceria com a consultoria Project Blue, Carnelos destacou que o consumo de lítio para fabricação de baterias cresceu de forma exponencial na última década e meia.
Segundo ela, em apenas 15 anos o mercado de baterias passou de 120 mil toneladas para 1,3 milhão de toneladas de demanda por lítio.”Em só 15 anos, o mercado de baterias passou a ser o principal destino da produção do lítio, indo de 120 mil toneladas para 1,3 milhão de toneladas.”
Embora os veículos elétricos permaneçam como principal destino da produção mundial do mineral, a executiva ressaltou que os sistemas de armazenamento de energia vêm registrando crescimento ainda mais acelerado nos últimos cinco anos.
“Os sistemas de armazenamento de energia cresceram mais rápido do que os autos elétricos nos últimos cinco anos, embora o principal destino continue sendo os veículos elétricos.”
América Latina pode ganhar espaço
Na avaliação da gerente da ILIA, a expansão dos sistemas de armazenamento de energia deverá reduzir a concentração atual da demanda na China e abrir oportunidades para outras regiões.
Ela afirmou que a América Latina reúne condições favoráveis para acompanhar esse movimento devido à abundância de recursos destinados à geração de energia renovável.
“A América Latina tem a possibilidade de uma expansão. Temos uma região muito rica para energias renováveis e provavelmente também acompanhará essa tendência.”
Segundo Carnelos, a maior competitividade tecnológica dos sistemas de armazenamento e o apoio de governos para soluções energéticas em áreas desconectadas da rede elétrica tendem a impulsionar esse mercado ao longo das próximas décadas.













