Especial Lithium Business 2026
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Por Redação
A flotação de espodumênio vem se consolidando como uma tecnologia estratégica para aumentar a recuperação de lítio e atender à crescente demanda mundial pelo mineral. A avaliação foi feita pelo engenheiro de Minas Leandro Bicalho, especialista em processamento mineral e flotação, durante palestra no Lithium Business 2026, em Salinas – MG
Representando a Clariant, empresa suíça do setor químico com atuação no mercado brasileiro, Bicalho apresentou a evolução da flotação aplicada ao beneficiamento de espodumênio, explicou os desafios técnicos do processo e mostrou casos práticos de desenvolvimento de reagentes utilizados em operações no Brasil, Austrália e Canadá.
“A ideia hoje é compartilhar um pouquinho desse conhecimento da flotação de espodumênio, que vem se tornando uma tecnologia estratégica frente ao que a gente vem observando no mercado.”
Crescimento do espodumênio acompanha expansão do mercado de lítio
Segundo o especialista, a produção mundial de lítio passou por uma mudança significativa nos últimos anos. Se anteriormente os depósitos de salmoura concentravam a maior parte da produção, atualmente os depósitos em rocha dura — principalmente aqueles que exploram espodumênio — passaram a ganhar maior participação no mercado.
De acordo com Bicalho, essa mudança ocorreu porque projetos em rocha dura apresentam um tempo de implantação menor quando comparados aos empreendimentos em salmoura, permitindo resposta mais rápida ao aumento da demanda impulsionado pela indústria de veículos elétricos e pelo crescimento do consumo de baterias.
“Os projetos de rocha dura responderam de forma muito mais rápida à demanda do mercado. É por isso que o espodumênio vem ganhando tanta importância no cenário do lítio.”
Flotação complementa tecnologias tradicionais
Durante a apresentação, o engenheiro explicou que tecnologias como o ore sorting e a separação em meio denso (DMS) continuam sendo fundamentais no beneficiamento do espodumênio, especialmente para partículas mais grossas. Entretanto, ressaltou que a flotação se tornou essencial para recuperar partículas finas que normalmente seriam perdidas durante o processamento.
Segundo ele, a combinação das tecnologias permite elevar a recuperação global do minério e reduzir perdas para os rejeitos.
“A flotação aparece como uma tecnologia muito efetiva para o aproveitamento das partículas mais finas, aumentando a recuperação global do processo.”
Bicalho destacou ainda que operações mais modernas já incorporam fluxogramas integrando britagem, pré-concentração por ore sorting, DMS, moagem, flotação e, em alguns casos, separação magnética para obtenção de concentrados com maior teor de lítio.
Processo exige controle rigoroso
O especialista explicou que o desempenho da flotação depende diretamente da preparação adequada do minério, do condicionamento da polpa e da adsorção química dos coletores na superfície do espodumênio.
Segundo ele, diferentemente de outras aplicações da flotação mineral, a interação entre o coletor e o espodumênio ocorre por meio de uma reação química relativamente lenta, exigindo tempo e energia suficientes durante o condicionamento.
“É muito importante que o sistema tenha tempo suficiente e energia suficiente para que ocorra a interação entre o coletor e o espodumênio.”
Outro ponto abordado foi a influência da granulometria na eficiência do processo. Bicalho explicou que partículas excessivamente finas podem expor planos cristalográficos menos reativos, reduzindo significativamente a recuperação do mineral.
Coletores convencionais apresentam limitações
Grande parte da palestra foi dedicada aos desafios relacionados aos coletores tradicionalmente utilizados na flotação de espodumênio, especialmente aqueles à base de ácidos graxos.

Foto: Minera Brasil.
Entre as principais limitações apresentadas estão a baixa solubilidade em meio aquoso, elevada sensibilidade às variações de pH e temperatura e a perda de eficiência em águas duras, ricas em cálcio e magnésio.
Como exemplo, o engenheiro relatou um caso em que uma operação apresentava queda de recuperação durante a madrugada. Após investigação, verificou-se que a redução da temperatura da polpa diminuía a solubilidade do coletor, comprometendo o desempenho da flotação.
Desenvolvimento de novos reagentes
Bicalho explicou que a Clariant desenvolve formulações específicas para diferentes características mineralógicas e condições operacionais.
Segundo ele, o trabalho começa com testes exploratórios em laboratório para identificar as moléculas mais adequadas, seguido pela formulação dos reagentes e pela validação em escala de bancada e industrial.
O especialista apresentou resultados obtidos em uma operação australiana, onde um coletor desenvolvido para trabalhar em condições de água dura reduziu significativamente o consumo de reagentes e aumentou a recuperação de espodumênio.
Também foram apresentados resultados obtidos em uma mina canadense, onde um novo coletor permitiu manter recuperações superiores mesmo após etapas sucessivas de limpeza do concentrado.
Parceria com a Lithium Ionic
Durante a palestra, Bicalho destacou um estudo desenvolvido em parceria com a Lithium Ionic para avaliar diferentes classes de coletores em ensaios de bancada.
Segundo ele, os testes demonstraram que diferentes minérios respondem de maneira distinta aos reagentes, tornando indispensável a seleção específica de coletores para cada projeto.
“É muito importante esse trabalho de seleção de reagentes em bancada para entender qual é o produto ideal para cada caso.”
Laboratório brasileiro apoia pesquisas
O engenheiro informou que o centro de competência da Clariant para mineração está localizado em Belo Horizonte, onde são realizados estudos de pesquisa, desenvolvimento e aplicação de reagentes voltados ao setor mineral.
Ao encerrar a apresentação, Bicalho colocou a estrutura da empresa à disposição de mineradoras e projetos do setor de lítio interessados em desenvolver soluções específicas para seus processos.
“Estamos totalmente abertos para trabalhar em parceria com os clientes do mercado de lítio, compartilhar conhecimento e desenvolver soluções em conjunto.”













