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Por Redação
A Sigma Lithium encerrou o segundo trimestre de 2026 com a maior margem EBITDA de sua história e redução superior a 30% em dois dos principais indicadores de custos operacionais. A companhia registrou receita líquida recorde de US$ 55 milhões no período e, após a suspensão temporária das atividades em julho, negocia com o governo de Minas Gerais um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para retomar integralmente as operações no Vale do Jequitinhonha.
A margem EBITDA alcançou 47% no 2T26, acima dos 39% registrados nos três primeiros meses do ano. A margem bruta permaneceu elevada, em 60%, ante 61% no trimestre anterior, enquanto a margem operacional ficou em 32%.
A receita líquida de US$ 55 milhões superou os US$ 42 milhões registrados no primeiro trimestre. A Sigma vendeu 24,4 mil toneladas de concentrado de óxido de lítio e obteve preço realizado de US$ 2.089 por tonelada, na base SC5, avanço de 17% sobre os US$ 1.790 do trimestre anterior.
Produção cresce 50% e custos recuam
A melhora das margens veio acompanhada de uma redução expressiva dos custos. A produção alcançou 35,4 mil toneladas no trimestre, crescimento de 50%, após o avanço do ramp-up das operações de mineração iniciado em janeiro de 2026.
Segundo a companhia, os ganhos refletem a primarização das operações de mineração, a modernização dos equipamentos e maior disciplina financeira.
O custo plant gate caiu 36% em relação ao primeiro trimestre, para US$ 401 por tonelada. O custo CIF recuou 33%, para US$ 452 por tonelada.
Já o AISC (All-In Sustaining Cost) ficou em US$ 668 por tonelada, queda de 6%. De acordo com a Sigma, o indicador retornou aos níveis do terceiro trimestre de 2025, último período em que a operação esteve próxima de sua capacidade nominal.
A companhia avalia que existe espaço para novas reduções de custos à medida que o ramp-up avance.
Dívida total cai 25% em um ano
A Sigma também reportou redução do endividamento. A dívida líquida caiu de US$ 134 milhões ao final do primeiro trimestre para US$ 125 milhões em junho.
A dívida total recuou 25% na comparação com o segundo trimestre de 2025 e acumula redução de 43% em dois anos. A posição de caixa da companhia era de US$ 17 milhões em 30 de junho.
Durante o trimestre, a empresa continuou recebendo pagamentos antecipados pelas vendas de concentrado de óxido de lítio de alto teor dentro do contrato de offtake de US$ 96 milhões anunciado anteriormente.
A Sigma também avalia alternativas de financiamento para liquidar os valores em aberto do contrato de pré-pagamento de exportação com a Synergy, que totalizavam US$ 95 milhões em 30 de junho, excluindo US$ 11 milhões mantidos em caixa como garantia.
Retomada das operações com TAC
As operações de mineração e da planta estão temporariamente paralisadas desde a semana iniciada em 17 de julho, enquanto a Sigma negocia um TAC com o governo de Minas Gerais.
As negociações começaram após notificação da unidade regional do Vale do Jequitinhonha do órgão ambiental estadual, sediada em Diamantina, que incluiu multas de aproximadamente US$ 540 mil e determinou a suspensão parcial das operações.
Segundo a Sigma, diversas multas estão relacionadas a questões ambientais ocorridas entre 2013 e 2022. A companhia contesta as principais alegações relacionadas às suas operações atuais e afirma ter apresentado à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) evidências ambientais factuais e quantitativas para sustentar sua defesa.
A empresa afirma que não prestou informações inverídicas às autoridades ambientais, não comercializou material de lítio antes de maio de 2023 e contesta a alegação de que duas casas localizadas fora de sua área licenciada sejam negativamente impactadas pelas operações.
A Sigma concordou com o pagamento de até US$ 540 mil referente às multas e estima que os ajustes de procedimentos ambientais negociados no TAC exigirão aproximadamente US$ 1 milhão em investimentos, principalmente para germinação e engramamento das pilhas de estéril próximas à cava sul da Mina 1.
A companhia espera concluir o TAC no curto prazo e retomar integralmente as atividades. Durante a suspensão, as operações relacionadas à venda de finos de lítio de alta pureza provenientes de rejeitos gerados pela produção anterior seguem sem interrupção.
Sigma projeta 330 mil toneladas em 2027
A paralisação temporária também provocou ajustes no cronograma de expansão. A Sigma postergou em três meses o guidance para atingir produção de 240 mil toneladas de concentrado de óxido de lítio em um período de 12 meses.
Para 2027, entretanto, a companhia projeta produzir 330 mil toneladas considerando apenas a Planta 1 em operação durante todo o exercício.
O volume supera a capacidade nominal anterior da unidade, de 270 mil toneladas anuais. Segundo a empresa, o aumento será possível pelos ganhos de produtividade do circuito de reprocessamento, já plenamente operacional, e pela maior regularidade no fornecimento de espodumênio à planta industrial.
A estratégia de crescimento prevê ainda duas novas unidades industriais.
A conclusão da próxima planta foi postergada para o fim de 2027, quando a capacidade instalada deverá alcançar 580 mil toneladas anuais. A Sigma pretende iniciar a construção de uma terceira planta em 2027 e concluí-la até o fim de 2028.
As Plantas 2 e 3 deverão adicionar 250 mil toneladas anuais de capacidade cada uma, levando o complexo a uma capacidade total projetada de 830 mil toneladas de concentrado de óxido de lítio por ano até o fim de 2028.
Com margens recordes e custos em queda, a Sigma entra na segunda metade de 2026 diante de uma equação que combina eficiência operacional e expansão com o desafio regulatório de curto prazo. A conclusão do TAC e a retomada integral das atividades passam a ser etapas importantes para transformar os ganhos obtidos no primeiro semestre no crescimento de produção projetado para os próximos dois anos.













