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Por Redação
Durante o SIMEXMIN 2026, a pesquisadora Stella Bijos Guimarães, do Serviço Geológico do Brasil, apresentou um panorama de um dos projetos mais ambiciosos em andamento no país para exploração mineral e rastreabilidade do ouro. A iniciativa busca integrar dados históricos, análises químicas e morfológicas de grãos auríferos, inteligência artificial e cooperação internacional para redefinir o conhecimento sobre as províncias auríferas brasileiras.
Segundo Stella, o projeto surgiu entre 2021 e 2022, quando um grupo de pesquisadores do SGB foi desafiado a propor uma iniciativa voltada ao ouro diante de sua importância estratégica global.
“O ouro continua sendo uma reserva de valor e também possui enorme relevância para a indústria tecnológica. Ao mesmo tempo, existe um grande desafio mundial relacionado à descoberta de novos depósitos e também questões ligadas ao garimpo ilegal no Brasil”, afirmou.
Padronização nacional dos depósitos auríferos
A pesquisadora explicou que um dos primeiros obstáculos enfrentados pela equipe foi a fragmentação das informações geológicas existentes no país. O trabalho envolveu a compilação de dados históricos do próprio Serviço Geológico, além de artigos científicos, teses e registros de depósitos conhecidos.
A partir disso, o grupo desenvolveu uma nova metodologia de padronização para classificação de ocorrências, depósitos, distritos e províncias minerais.
“Precisávamos organizar esse banco de dados e padronizar o que vamos chamar de depósito, ocorrência, distrito e província. Isso será usado daqui para frente em todos os produtos do Serviço Geológico”, explicou.
O esforço resultou na criação de um novo mapa nacional das províncias auríferas brasileiras, lançado no ano passado, reunindo informações geológicas e econômicas sobre depósitos de ouro em escala nacional.
Inteligência artificial acelera análises de ouro
Outro destaque da apresentação foi o uso de tecnologias automatizadas para análise morfológica e geoquímica de partículas de ouro obtidas em concentrados de bateia armazenados no acervo histórico do SGB.
Segundo Stella, o objetivo inicial era entender características como forma, composição química e distância de transporte dos grãos auríferos, permitindo inferências sobre a origem dos depósitos.
A pesquisadora relatou que o volume de amostras tornou inviável a análise manual tradicional. Para resolver o problema, geólogos programadores do SGB desenvolveram ferramentas automatizadas capazes de extrair parâmetros morfométricos diretamente de imagens.
“Conseguimos desenvolver um sistema que, a partir da imagem, define automaticamente a morfometria dos grãos e gera tabelas com todos os dados necessários. Isso acelerou muito o processamento das informações”, destacou.
O projeto já reúne cerca de 6,5 mil partículas de ouro analisadas.
Assinaturas químicas permitem identificar origem do ouro
A equipe também avançou em análises químicas realizadas em microssonda eletrônica para identificar elementos-traço capazes de diferenciar depósitos auríferos de diferentes regiões do país.
Os estudos mostraram que, com aproximadamente 150 grãos analisados por área, já é possível obter assinaturas geoquímicas suficientemente consistentes para caracterizar distritos minerais específicos.
Com base nesses dados, os pesquisadores começaram a treinar modelos computacionais para reconhecer automaticamente a origem dos grãos.
“Treinamos o computador com assinaturas químicas e morfológicas de diferentes depósitos e perguntamos se ele conseguiria identificar a procedência de novos grãos. A taxa de acerto foi extremamente alta”, afirmou.
Os testes alcançaram índices de precisão superiores a 90% em algumas regiões estudadas, incluindo Tapajós, Borborema e Rio Madeira.
Parceria com Polícia Federal amplia alcance do projeto
A capacidade de rastrear a origem do ouro chamou atenção da Polícia Federal, que passou a atuar em parceria com o SGB desde 2024. O trabalho conjunto fortaleceu o projeto com novos investimentos tecnológicos e acesso a materiais apreendidos em operações contra mineração ilegal.
“Eles agregaram muito ao nosso fluxo de trabalho. Conseguimos ampliar nossa estrutura tecnológica e tornar o banco de dados ainda mais robusto”, explicou Stella.
A cooperação também abriu espaço para acordos internacionais envolvendo coleta de amostras em outros países da América do Sul, incluindo a Guiana Francesa e o Peru. Segundo a pesquisadora, a intenção é criar um banco de dados latino-americano capaz de apoiar tanto a exploração mineral quanto processos de certificação de origem do ouro.
Convite ao setor mineral
Ao final da apresentação, Stella Bijos Guimarães convidou empresas mineradoras a colaborarem com o projeto, permitindo acesso técnico para coleta de amostras de referência em depósitos minerais.

Avanços do SGB no controle do ouro foram apresentados ao setor mineral.
A proposta é ampliar o banco de dados nacional e fortalecer metodologias de certificação e rastreabilidade do ouro produzido no Brasil.
“Gostaria muito de contar com a contribuição do setor mineral para avançarmos nesse projeto geológico e termos cada vez mais dados de referência independentes sobre os depósitos brasileiros”, concluiu.












