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Home Simexmin 2026

Especialista aponta potencial subexplorado do Escudo das Guianas para ouro

Durante palestra no SIMEXMIN 2026, o consultor Carlos Bertoni destacou a relação entre estruturas tectônicas, rochas vulcânicas e grandes depósitos auríferos na região que engloba partes do norte do Brasil, Venezuela e as Guianas.

1 de junho de 2026
em Simexmin 2026
0
Especialista aponta potencial subexplorado do Escudo das Guianas para ouro

A baixa quantidade de pesquisas em determinados setores não se deve à ausência de ouro, mas a fatores como dificuldades logísticas, segundo Bertoni.

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Por Redação

O potencial aurífero do Escudo das Guianas e os desafios para novas descobertas minerais estiveram no centro da palestra do geólogo e consultor sênior Carlos Bertoni durante o SIMEXMIN 2026. Em apresentação sobre a metalogênese do ouro na região, Bertoni afirmou que extensas áreas da província geológica ainda permanecem pouco estudadas, apesar da presença de importantes depósitos já conhecidos.

O Escudo das Guianas compreende áreas do norte do Brasil, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, reunindo algumas das principais ocorrências auríferas da América do Sul. Segundo o consultor, a distribuição dos depósitos mostra uma forte relação com grandes estruturas tectônicas e cinturões vulcano-sedimentares ao longo da evolução geológica da região.

“Vocês veem a distribuição e essa correlação entre depósitos. Existe muita coisa ainda desconhecida no sul das Guianas. Praticamente nenhum trabalho foi feito em algumas dessas áreas”, afirmou.

Bertoni ressaltou que a baixa quantidade de pesquisas em determinados setores não está necessariamente ligada à ausência de ouro, mas a fatores como dificuldades logísticas, limitações de infraestrutura, áreas indígenas e restrições ambientais.

Estruturas tectônicas controlam mineralizações

Ao longo da apresentação, o consultor destacou que a compreensão estrutural é um dos principais fatores para o sucesso de campanhas de exploração mineral na região. Segundo ele, praticamente todos os grandes depósitos auríferos do Escudo das Guianas passaram por múltiplos eventos tectônicos e deformacionais.

“A compreensão estrutural é inevitável. Você tem que entender os controles tectônicos do depósito para saber o que está acontecendo quando faz uma descoberta”, disse.

De acordo com Bertoni, muitas mineralizações estão associadas a zonas de cisalhamento, contatos entre rochas vulcânicas e sedimentares e processos de remobilização do ouro durante eventos tectônicos posteriores.

O geólogo também chamou atenção para a importância dos cinturões greenstone e dos eventos transamazônicos na formação dos sistemas mineralizados. Segundo ele, essas estruturas ajudaram a controlar tanto a circulação de fluidos hidrotermais quanto a concentração do ouro em diferentes contextos geológicos.

Os depósitos da região não seguem um único padrão geológico, o que exige abordagens exploratórias mais amplas e integradas para revelar o pleno potencial em ouro, explica Bertoni.

Depósitos em diferentes ambientes geológicos

Durante a palestra, Bertoni apresentou exemplos de depósitos distribuídos pela Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Brasil. Entre os casos citados estiveram operações como Oko West, Aurora e Volta Grande, além de diversas ocorrências hospedadas em rochas vulcânicas, sedimentos deformados e brechas hidrotermais.

Segundo ele, os depósitos da região não seguem um único modelo geológico, o que exige abordagens exploratórias mais amplas e integradas.

“Você tem um pouco de tudo. Tem depósitos hospedados em sedimentos, outros em vulcânicas, sistemas brechados e zonas extremamente deformadas. É preciso sempre observar onde está o controle estrutural”, explicou.

Bertoni relatou ainda experiências pessoais em projetos de exploração iniciados na década de 1990, incluindo depósitos descobertos em contatos entre sequências vulcânicas e sedimentares. Em um dos exemplos apresentados, ele descreveu mineralizações encontradas em profundidade e posteriormente lavradas por métodos subterrâneos.

Prospecção enfrenta desafios logísticos e regulatórios

Além dos aspectos geológicos, o consultor também discutiu os desafios operacionais para pesquisa mineral no Escudo das Guianas. Segundo ele, fatores como dificuldade de acesso, ausência de infraestrutura, restrições fundiárias e questões regulatórias continuam limitando o avanço da exploração em parte da região.

No caso brasileiro, Bertoni citou dificuldades específicas em áreas do Amapá e regiões de fronteira amazônica, envolvendo terras indígenas, unidades de conservação e altos custos logísticos.

“Você vai ter que lidar com infraestrutura ruim, restrições ambientais e um legado complicado em muitas áreas. Tudo isso precisa entrar na conta da exploração”, afirmou.

Apesar dos obstáculos, o geólogo avaliou que o potencial mineral do Escudo das Guianas continua elevado e deve seguir atraindo investimentos nos próximos anos, especialmente diante da demanda global crescente por ouro e metais estratégicos.

“Há muitas oportunidades ainda abertas. O importante é integrar conhecimento geológico, tectônico e observação de campo para entender onde estão os melhores alvos”, concluiu.

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