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Por Redação
Durante o SIMEXMIN 2026, a pesquisadora Antonia Railine Silva apresentou um estudo sobre o sistema mineralizador orgânico do Cinturão Gurupi, destacando a ocorrência de múltiplos estágios de formação dos depósitos auríferos e a influência de diferentes profundidades crustais na gênese das mineralizações.
Localizado no norte do Brasil, no contexto da Plataforma Sul-Americana, o Cinturão Gurupi reúne rochas predominantemente paleoproterozoicas e integra uma importante província metalogenética aurífera. Segundo a pesquisadora, a região possui um longo histórico de exploração mineral, com registros de garimpos desde o século XVII.
“A mineralização em geral apresenta características típicas dos depósitos orogênicos”, explicou.
Contexto geológico e evolução tectônica
Na apresentação, Antonia explicou que o cinturão está inserido no contexto da orogênese relacionada aos eventos transamazônicos, com idades próximas de 2,1 bilhões de anos, em correlação com terrenos africanos formados no mesmo período geológico.
Os depósitos auríferos estudados estão associados a ambientes convergentes antigos, ligados à formação de arcos magmáticos e bacias sedimentares deformadas. A pesquisadora ressaltou que a mineralização ocorre principalmente em depósitos do tipo orogênico, caracterizados pela circulação de fluidos metamórficos em zonas estruturais profundas.
O estudo concentrou-se em diferentes depósitos distribuídos ao longo do cinturão, incluindo áreas no extremo sudeste, extremo norte e porções centrais da província. A equipe analisou testemunhos de sondagem, estruturas tectônicas, paragênese mineral e inclusões fluidas para compreender os controles da mineralização.
Segundo Antonia, uma das principais descobertas foi a identificação de diferenças marcantes entre as rochas do noroeste e do sudeste do cinturão. Embora pertençam à mesma unidade geológica, elas foram expostas a níveis distintos de deformação e metamorfismo.
“Apesar de fazerem parte da mesma unidade, são rochas expostas em diferentes níveis crustais”, destacou.

Estudo analisou sondagens, estruturas tectônicas, paragênese mineral e inclusões fluidas para compreender os controles da mineralização em Gurupi.
A pesquisadora explicou que as unidades mais deformadas registram condições metamórficas mais intensas, enquanto outras preservam estruturas sedimentares e vulcânicas primárias.
Sistema com múltiplos pulsos mineralizantes
Outro ponto central da apresentação foi a identificação de superposição de estilos estruturais e diferentes eventos de mineralização ao longo da evolução tectônica do Gurupi.
A caracterização petrográfica e geoquímica mostrou que os depósitos passaram por múltiplos episódios de circulação de fluidos mineralizantes, associados a diferentes temperaturas, pressões e estruturas tectônicas.
“Os diferentes estilos de mineralização e as diferentes naturezas dos fluidos indicam um sistema multievento”, afirmou.
As análises de inclusões fluidas revelaram tendências de redução de temperatura entre alguns depósitos estudados, além de diferenças nas estimativas de pressão de formação. Segundo o modelo apresentado, parte dos depósitos teria se formado em níveis crustais mais profundos, enquanto outros ocorreram em condições mais rasas.
Potencial exploratório ampliado
Na conclusão, Antonia ressaltou que o caráter multievento da mineralização pode representar um fator importante para aumentar a prospectividade aurífera da região, especialmente na porção noroeste do cinturão.
Segundo a pesquisadora, a identificação de mineralizações formadas em níveis crustais mais rasos amplia as possibilidades de pesquisa em áreas que anteriormente não eram consideradas prioritárias para exploração.
“A presença dessas mineralizações mais rasas aumenta a prospectividade para ouro na região”, afirmou.
Ela também destacou que a sincronicidade entre estruturas mineralizadas e grandes zonas de cisalhamento regionais sugere que os principais pulsos mineralizantes estiveram associados a eventos tectônicos recorrentes ao longo da evolução do cinturão.
O estudo integra uma linha de pesquisa voltada à compreensão dos controles estruturais, metamórficos e hidrotermais dos depósitos auríferos do Gurupi, uma das principais províncias auríferas do norte do Brasil.












