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Por Redação
A retomada dos levantamentos geofísicos sistemáticos em larga escala no país foi tema central durante a apresentação de Iago Sousa Lima, chefe da Divisão de Geofísica do Serviço Geológico do Brasil, durante apresentação no Simexmin 2026. Segundo ele, o programa que teve início em 2025, no Tocantins, representa uma nova etapa para a produção de dados estratégicos voltados à transição energética e à descoberta de minerais críticos.
De acordo com Lima, o cenário internacional de expansão das tecnologias ligadas à transição energética acelerou a demanda global por minerais estratégicos, ao mesmo tempo em que aumentou a preocupação com a concentração da produção em poucos países. Nesse contexto, ele afirmou que o Brasil precisa ampliar rapidamente sua base de informações geológicas para atrair investimentos e garantir competitividade no setor mineral. “A era da necessidade chegou. A demanda por minerais críticos cresce de forma assustadora e o Brasil precisa fornecer subsídios geológicos para enfrentar esse desafio”, afirmou.
Retomada após anos de paralisação
Durante a apresentação, o pesquisador destacou que o país ficou décadas sem avançar de forma consistente na aquisição de dados geofísicos de alta resolução. Segundo ele, apenas 28% do território nacional possui dados aerogeofísicos considerados adequados, enquanto cerca de 39% contam com informações mínimas. “O país não está preparado. Ficamos muitos anos praticamente parados enquanto outros países avançaram rapidamente em levantamentos geofísicos”, disse.
Iago também comparou o cenário brasileiro ao de países como Estados Unidos e China, que ampliaram significativamente suas bases de dados geológicos nos últimos anos. Segundo ele, a retomada dos levantamentos sistemáticos busca reduzir essa defasagem histórica e acelerar a produção de informações para o setor mineral e energético. “Cada dia sem esses dados é um dia perdido para o Estado brasileiro”, declarou.
Projetos no Tocantins, Rondônia e Vale do Jequitinhonha
O primeiro grande projeto da nova fase do programa foi iniciado no leste do Tocantins, considerado pelo pesquisador um marco da retomada dos levantamentos de alta resolução no país. O trabalho foi concluído em março de 2026 e os dados serão oficialmente disponibilizados à sociedade ainda em maio. “A gente quer entregar os dados o mais rápido possível para a sociedade e para o setor produtivo”, afirmou.
Além do Tocantins, o Serviço Geológico do Brasil executa levantamentos em Rondônia e prepara novos projetos em áreas consideradas estratégicas, incluindo o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Segundo Iago Sousa Lima, os levantamentos contam com investimentos milionários e vêm ampliando de forma significativa a capacidade operacional da instituição. Apenas em um dos projetos desenvolvidos em Rondônia, mais de 4,5 mil quilômetros de dados geofísicos foram adquiridos. “Estamos aumentando de forma astronômica nossa capacidade de aquisição de dados”, destacou.
Dados para mineração e segurança energética
Ao encerrar a palestra, Iago Sousa Lima reforçou que a produção de dados geológicos e geofísicos será essencial para garantir segurança energética, ampliar o conhecimento sobre o subsolo brasileiro e apoiar a descoberta de novos depósitos minerais. Segundo ele, o programa também fortalece o planejamento governamental e contribui para diversificar a cadeia de suprimentos minerais em um cenário internacional cada vez mais competitivo.
“O Brasil possui um dos melhores custos-benefícios do mundo para esse tipo de levantamento. Precisamos entender o subsolo para garantir uma transição energética eficiente, segura e sustentável”, concluiu.












