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Por Redação
A geofísica aplicada à exploração mineral precisará avançar para além dos métodos tradicionais de inversão de dados e ampliar a integração de informações geológicas, computacionais e energéticas para atender às demandas da transição energética global. A avaliação foi apresentada pelo pesquisador Yaoguo Li nesta segunda-feira (18) durante palestra no SIMEXMIN 2026.
Com o tema “O que está por vir na Geofísica na era da transição energética”, Li afirmou que a exploração mineral moderna deve ser entendida como um “jogo de informação”, no qual a principal tarefa dos profissionais é transformar grandes volumes de dados em decisões estratégicas para identificação de alvos minerais.
“O que buscamos não são apenas dados, mas a informação contida nesses dados. A exploração é, literalmente, um exercício de informação”, afirmou o pesquisador. Segundo ele, a cadeia envolve aquisição de dados, extração de informações, integração de múltiplas fontes e, por fim, tomada de decisão sobre onde perfurar ou abandonar um alvo exploratório.
Durante a apresentação, Li destacou que a geofísica avançou significativamente nas últimas décadas, sobretudo na área de inversão geofísica e construção de modelos tridimensionais do subsolo. Segundo ele, a comunidade científica internacional investiu cerca de 30 anos no desenvolvimento de algoritmos capazes de integrar diferentes conjuntos de dados geofísicos em modelos consistentes.
“Hoje praticamente qualquer conjunto de dados pode ser invertido individualmente ou de forma conjunta. Conseguimos construir imagens geofísicas consistentes do subsolo com alto nível de sofisticação”, explicou. Apesar disso, ele argumentou que outras etapas fundamentais da exploração receberam menos atenção ao longo do tempo, especialmente a aquisição de dados e a integração interpretativa entre geologia e geofísica.
Aquisição computacional pode reduzir custos de exploração
Um dos principais pontos abordados pelo pesquisador foi o conceito de “aquisição geofísica computacional”, que combina coleta reduzida de dados em campo com reconstrução computacional posterior. A proposta utiliza métodos matemáticos de amostragem irregular otimizada — chamados por ele de “amostragem ergódica” — para obter praticamente a mesma qualidade de informação com menos medições.
Segundo Li, testes realizados em levantamentos aerogeofísicos indicam que seria possível operar com cerca de 20% das linhas de voo tradicionais, mantendo qualidade equivalente nos resultados finais.
“Em vez de fazer todo o trabalho em campo, o que é caro e demorado, podemos realizar menos aquisição e complementar isso com reconstrução computacional. Assim, obtemos menos dados, mas praticamente a mesma informação”, afirmou.
O pesquisador explicou que a técnica pode reduzir significativamente tempo e custos de campanhas exploratórias, permitindo que programas minerais que antes levavam vários anos sejam executados em uma única temporada de campo.
Hidrogênio geológico surge como oportunidade para mineração
O professor apresentou o hidrogênio geológico como uma possível nova fronteira para a geofísica mineral e para a transição energética mundial. Segundo ele, o gás é produzido naturalmente no interior da crosta terrestre por reações químicas entre água e minerais ricos em ferro presentes em rochas máficas e ultramáficas.
“O hidrogênio geológico pode ser a próxima grande fonte de energia da humanidade. Acreditamos que ele poderá substituir boa parte dos hidrocarbonetos no futuro”, afirmou.
O pesquisador destacou que sistemas de hidrogênio geológico combinam características típicas da exploração mineral e da exploração de hidrocarbonetos, criando um novo campo de atuação para geofísicos e geólogos da mineração.
“Essa comunidade entende os sistemas minerais. Por isso, essa mesma comunidade tem capacidade de tornar o hidrogênio geológico uma realidade”, concluiu.
Integração entre geologia e geofísica ainda é desafio
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de aproximar geólogos e geofísicos no processo exploratório. Para Li, a geofísica historicamente evoluiu como uma subárea relativamente independente dentro da mineração, o que criou barreiras entre interpretação geológica e modelagem física.
“No fim, fazemos geofísica para entender o subsolo e encontrar minerais. A geologia é a direção central. Não podemos tratar as duas áreas como problemas separados”, afirmou.
O pesquisador defendeu o uso crescente de inteligência artificial e aprendizado de máquina para integrar informações conceituais, descritivas e geofísicas, especialmente em sistemas minerais complexos. Segundo ele, ferramentas computacionais conseguem correlacionar múltiplas imagens e conjuntos de dados de maneira mais eficiente do que análises humanas isoladas.












