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Por Redação
O uso integrado de geofísica e petrofísica para mapear alterações hidrotermais em sistemas pórfiros andinos foi o foco da apresentação do geofísico Eduardo F. Henrique, da Nexa Resources, durante o SIMEXMIN 2026. Na palestra, especialista destacou como a combinação de métodos geofísicos, interpretação geológica e dados petrofísicos vem aumentando a assertividade na descoberta de depósitos minerais nos Andes, especialmente no Chile e no Peru.
Segundo Eduardo Henrique, a exploração mineral vive um momento de transformação impulsionado pela crescente demanda por minerais críticos e pela necessidade de reduzir custos e incertezas nas campanhas exploratórias. Para ele, a integração entre equipes multidisciplinares tornou-se indispensável. “Não tem nada pior do que trabalhar exploração sem integração. A gente precisa tomar decisões mais assertivas e entender o sistema mineral como um todo”, afirmou durante a apresentação.
Alterações hidrotermais deixam assinaturas detectáveis
Ao longo da palestra, o geofísico explicou que alterações hidrotermais associadas aos depósitos pórfiros modificam propriedades físicas das rochas, como magnetismo, resistividade e condutividade elétrica. Essas mudanças podem ser detectadas por levantamentos magnéticos e eletromagnéticos, permitindo identificar alvos exploratórios em profundidade.
Henrique destacou o papel da magnetita nos sistemas mineralizados. Mesmo em concentrações inferiores a 0,1%, o mineral já é capaz de produzir respostas magnéticas relevantes. “Muitas vezes a magnetita está associada a alterações potássicas ricas em cobre e ouro. Isso gera assinaturas magnéticas muito fortes, que acabam chamando atenção nos levantamentos”, explicou.
O especialista também mostrou exemplos em que a destruição da magnetita por fluidos hidrotermais gera zonas de baixa suscetibilidade magnética cercadas por halos mais magnéticos — um padrão recorrente em depósitos andinos de cobre. Segundo ele, compreender essas relações é mais importante do que apenas buscar anomalias isoladas. “Nossa busca não é pela anomalia em si, mas pelo entendimento do sistema mineral”, disse.
Condutividade elétrica ajuda a revelar zonas mineralizadas
Outro ponto enfatizado foi a importância dos métodos eletromagnéticos e da cargabilidade para identificar minerais associados às alterações hidrotermais, como sulfetos disseminados e sericita. Henrique explicou que processos de alteração fílica podem aumentar a porosidade e a permeabilidade das rochas, criando caminhos para fluidos mineralizantes e elevando a condutividade elétrica do sistema.
Durante a apresentação, foram exibidos exemplos de depósitos no Peru em que zonas altamente condutivas coincidiam com áreas mineralizadas profundas. O geofísico ressaltou que essas respostas geofísicas permitem visualizar estruturas a quilômetros de profundidade, ampliando a capacidade de geração de alvos exploratórios.
Integração reduz erros e melhora decisões estratégicas
Na parte final da palestra, Eduardo Henrique reforçou que a geologia, a geofísica e a estatística precisam atuar de forma integrada para reduzir erros interpretativos e otimizar investimentos em pesquisa mineral. Segundo ele, a evolução dos métodos geofísicos permite atualmente enxergar grandes volumes de alteração hidrotermal e compreender melhor a arquitetura dos sistemas mineralizantes.
“A geofísica hoje não serve apenas para encontrar anomalias. Ela ajuda a fazer geologia dentro dos modelos geofísicos. Isso muda completamente a tomada de decisão na exploração mineral”, concluiu.












