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O homem que descobriu Salobo, a grandiosa mina de cobre da Província Mineral de Carajás

Minerando Histórias apresenta o relato inédito e emocionante de José Willame do Rêgo sobre a descoberta de um dos maiores depósitos de cobre do planeta, localizado no município de Marabá (PA).

22 de abril de 2026
em Pesquisa Mineral
0
O homem que descobriu Salobo, a grandiosa mina de cobre da Província Mineral de Carajás

Foto histórica das primeiras coletas de amostra no Salobo, realizadas em 1977. Foto: CKS Online / Reprodução.

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Por Redação

O silêncio toma conta da videochamada por alguns segundos. José Willame do Rêgo respira fundo, olha para o lado e fecha os olhos por um instante — como se estivesse voltando no tempo. Quando retoma a fala, a voz sai mais baixa, carregada de memória.

— “Eu nunca esqueci aquele som… foi um barulho que mudou minha vida.”

É assim que começa o relato de um dos capítulos mais importantes da mineração brasileira — contado por quem esteve lá, no meio da floresta e dos rios, quando tudo ainda era desconhecido, na década de 1970.

José Willame do Rêgo nasceu em 24 de setembro de 1949, na pequena cidade de Pau dos Ferros, no interior do Rio Grande do Norte. Era um jovem como tantos outros do Nordeste brasileiro: curioso, determinado e disposto a estudar para mudar de vida.

Em 1969, deixou o interior e seguiu para Natal, onde passou a viver na tradicional Casa do Estudante. Aos 19 anos, ingressou no primeiro curso técnico em mineração da Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte. Era um curso novo, quase experimental. Mas ele acreditou.

Em 1972, formou-se técnico em mineração. E foi justamente naquele momento que surgiu a oportunidade que mudaria seu destino para sempre. O renomado geólogo Breno Santos, envolvido nas primeiras pesquisas minerais que levou à descoberta de Carajás, entrevistou o jovem recém-formado na Capital Potiguar.

O convite foi direto: trabalhar na Amazônia pela empresa Terraservice Projeto Geológico Ltda., que prestava serviços à então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) — hoje conhecida como Vale.

Willame não pensou duas vezes. Mas antes de partir, precisava voltar ao interior e contar à família. Quando falou à mãe que iria morar no Pará, ouviu uma frase que ainda hoje o emociona ao lembrar.

— “Meu filho… pro Pará? Esse lugar é o fim do mundo…”

Nesse ponto da entrevista, ele faz uma pausa. Respira fundo novamente.

— “E era mesmo… naquela época era o fim do mundo. Mas foi o início da minha história.”

A FLORESTA, OS PERIGOS E A SOBREVIVÊNCIA

No final de 1972, já com 22 anos, o jovem técnico desembarcava na Amazônia. Ele sorri ao lembrar do valor da passagem de ida e volta: 125 cruzeiros.

O primeiro destino foi Belém, capital do Pará, mas pouco tempo depois seguiu para Tucuruí, onde trabalhou no acampamento Tucará — ainda antes da construção da hidrelétrica que mudaria completamente o cenário da região.

Auditório da Docegeo, em Belém, no ano de 1985. Foto: CKS Online / Reprodução.

Tudo era rústico, improvisado e desafiador. Não havia estrutura. Não havia comunicação eficiente. E, principalmente, não havia assistência de saúde adequada.

Meses depois, a equipe foi atingida por um surto de malária. Quase todos adoeceram — menos ele. Até hoje, Willame se orgulha de dizer que, ao longo de mais de 50 anos trabalhando na Amazônia, nunca contraiu malária.

Ao longo dessas décadas, viveu situações que hoje parecem roteiro de cinema.

José Willame do Rêgo em N1, no ano de 1981. Foto: CKS Online.

Passou meses isolado em áreas remotas, dormiu em barracos improvisados, enfrentou doenças tropicais e percorreu regiões onde o homem ainda mal havia chegado.

Mas um dos episódios mais marcantes veio após um acidente em um dos rios do estado do Amazonas. O barco em que ele estava com a equipe naufragou no Rio Jatapu, afluente do Rio Uatumã. Eles perderam tudo. Equipamentos, comida, ferramentas. Restaram apenas as roupas do corpo — e a necessidade urgente de sobreviver.

Foram sete dias no meio da mata, cercados por perigos invisíveis e constantes. Onças rondavam à noite. Cobras cruzavam o caminho. Insetos atacavam sem trégua.

Sem mantimentos, a única alternativa foi buscar alimento direto da floresta.

Sobreviveram comendo açaí servido em folhas de bananeira. Sem rádio comunicador, sem contato com o mundo exterior, a esperança veio da improvisação. Fizeram fogueiras e produziram fumaça, tentando chamar a atenção de aeronaves que passassem pela região.

Quando finalmente foram resgatados, dias depois, o sentimento era de gratidão — e sobrevivência.

— “Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida… mas ninguém morreu. Isso foi o que mais importou.”

Mas os perigos não pararam por aí. Ao longo dos anos, Willame enfrentou ataques de porcos queixadas, conhecidos por avançarem em grupo e representarem risco real para qualquer pessoa na floresta.

Já ajudou a salvar companheiros vítimas de picadas de cobra surucucu-pico-de-jaca e participou do socorro de ribeirinhos gravemente feridos após ataques de onça.

— “Na floresta, a gente dependia um do outro… se não ajudasse, a pessoa morria.”

A MISSÃO QUE LEVARIA À DESCOBERTA

Em janeiro de 1974, já atuando pela DOCEGEO — Rio Doce Geologia e Mineração S.A., subsidiária da então Companhia Vale do Rio Doce, Willame recebeu uma missão estratégica: Seguir pelo Rio Itacaiúnas, na região de Marabá, em busca de novos depósitos de metais básicos. Era um território praticamente desconhecido. Os mapas eram incompletos. Muitos rios sequer tinham nome.

José Willame do Rêgo em N1, no ano de 1975. Foto: CKS Online / Reprodução.

Durante anos, percorreu a região em expedições longas e perigosas. Em uma dessas expedições, a equipe partiu de Marabá com 25 homens distribuídos em cinco embarcações. Foram seis dias de navegação e cerca de 300 quilômetros rio acima pelas águas do Rio Itacaiúnas, em uma jornada enfrentando as correntezas e desafios naturais.

Levava consigo uma lapiseira, um caderno de anotações, uma lupa, um martelo geológico — e um velho companheiro inseparável: um revólver .38 Smith &Wesson. Eram, na época, os instrumentos mais modernos disponíveis para explorar a floresta.

Até que chegaram à entrada de um igarapé ainda sem identificação. Curioso, perguntou a um pescador ribeirinho se aquele curso d’água tinha algum nome.

A resposta foi simples — e decisiva.

— “A gente só sabe que a água dele é muito saloba”

A palavra ficou ecoando em sua mente. Ali mesmo, tomou uma decisão. Aquele curso d’água passaria a se chamar: Igarapé Salobo. Mal sabia que aquele nome se tornaria conhecido mundialmente anos depois.

O BARULHO QUE MUDOU A HISTÓRIA

Foi a partir da foz do igarapé recém nomeado, cerca de 21 quilômetros adiante, que aconteceu o momento que transformaria sua vida — e a história da mineração brasileira.

Willame navegava pela margem direita, atento a cada detalhe, desenhando cada curva do rio, quando ouviu um som estranho. Parecia água. Mas não havia nenhuma queda visível. Intrigado, decidiu investigar. Mandou abrir caminho da beira do rio até o interior da mata fechada.

Quanto mais avançavam, mais o som aumentava. Até que encontraram, a cerca de 30 metros da margem, uma cena incomum: Uma cascata escondida, onde a água brotava do subsolo, batia em uma árvore caída e retornava novamente à terra por baixo. Era um fenômeno raro.

Foi ali que ele coletou a primeira amostra, identificada como SS 135885 com teor 2700 PPM de cobre, na área que ficaria conhecida como Grota Cascata.

Uma fotografia inédita registra esse momento — o instante em que a primeira amostra foi retirada. A data ficou marcada para sempre: 20 de maio de 1977.

Foto: CKS Online / Reprodução.

Dois meses depois, veio a confirmação. O material apresentava alto teor de cobre. Um silêncio tomou conta da vídeo chamada durante a entrevista quando ele relembra esse momento. Ele olha para baixo. Sorri de leve. Mas os olhos se enchem de lágrimas.

— “Foi a maior alegria da minha vida… o sonho de qualquer pesquisador é encontrar algo que ninguém encontrou antes.”

O RECONHECIMENTO E A MEMÓRIA

A descoberta rapidamente ganhou repercussão nacional. Grandes veículos de comunicação passaram a noticiar o feito. Reportagens foram publicadas, entrevistas concedidas e o nome do jovem técnico passou a circular entre especialistas e no meio científico.

Fotos: Primeiro acampamento do Salobo. CKS Online / Reprodução.

Mas, ao relembrar esse momento, Willame faz questão de destacar algo que considera essencial:

— “Ninguém descobre nada sozinho… tinha uma equipe comigo. Sem eles, nada teria acontecido.”

Esse reconhecimento coletivo é algo que ele repete diversas vezes durante a entrevista. Para ele, a mineração nunca foi trabalho individual. Sempre foi trabalho de equipe. E esta tinha a seguinte formação:

  1. Willame    Tec. Em Mineração
  2. Neco          Enfermeiro
  3. Jorge          Capataz
  4. Goes           Cozinheiro
  5. Mirico         Piloto barco
  6. Melo           Auxiliar de campo
  7. Louzada      Auxiliar de campo
  8. Santinho     Auxiliar de campo
  9. Vai a lua      Auxiliar de campo.

O PROJETO SALOBO

Décadas depois daquela primeira amostra retirada após o barulho da cascata, o local se transformou em um dos maiores projetos minerais do mundo. O Projeto Salobo, na Província Mineral de Carajás – está localizado no município de Marabá, porém, o acesso ocorre por Parauapebas – tornou-se referência internacional na produção de cobre e segue em constante expansão, consolidando-se como um dos principais ativos minerais do Brasil.

Fotografia registrada durante visita técnica ao depósito de Salobo, realizada logo após sua descoberta. Da esquerda para a direita: Emanuel Mendonça Magalhães, presidente da DOCEGEO à época; (nome não identificado); Machado, vice-presidente da DOCEGEO; Reinaldo Gonzalez, geólogo da DOCEGEO; Willame Rego, ao centro, portando mapa na mão esquerda; Délcio Keunemeyer, geólogo; (nome não identificado); (nome não identificado); e Breno Santos. Foto: CKS Online / Reprodução.

Entretanto, para Willame, o valor daquele lugar vai muito além dos números. Ali está uma parte da sua história.

Da sua juventude.

Da sua coragem.

Da sua vida.

O SONHO QUE AINDA RESTA

Hoje, aposentado e prestes a completar 77 anos em setembro de 2026, vivendo em Belém, ao lado da esposa Evarista — companheira de mais de seis décadas — Willame carrega um sonho simples, mas profundo.

José Willame do Rêgo atualmente, aos 77 anos. Imagem: CKS Online / Reprodução.

Há mais de duas décadas, ele não retorna ao local da descoberta. Mas pretende voltar. E quando fala disso, a emoção reaparece.

— “Antes de morrer, eu quero voltar lá… levar minha esposa, minhas filhas, meus netos… mostrar onde tudo começou.”

Ele faz silêncio. Respira fundo novamente e completa:

— “Foi um barulho… um simples barulho… que mudou a minha vida.”

Fonte: CKS Online.

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