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Por Ricardo Lima
Realizada em 15 de abril, em Parauapebas (PA), a primeira edição do Workshop Mineração Inteligente – Eficiência, Oportunidades e Sustentabilidade, promovido pela Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Cimento e Mineração (CSCM), da ABIMAQ, reuniu representantes da indústria, fornecedores e especialistas para discutir inovação tecnológica, eficiência operacional, sustentabilidade e segurança.
Na abertura do encontro, o presidente da CSCM, Rodrigo Franceschini, afirmou que o mercado internacional acompanha o potencial mineral brasileiro. “O mundo está olhando o Brasil pela importância dos minerais estratégicos e terras raras. Precisamos aproveitar esse momento com integração entre mineradoras, fornecedores, universidades e institutos de pesquisa”, disse.
Segundo ele, a escolha de Parauapebas, município marcado por grandes operações de minério de ferro, como sede do evento, teve caráter estratégico. “Trouxemos o workshop para uma região importante da mineração brasileira, aproximando as soluções tecnológicas das operações e fortalecendo conexões locais.”
Os custos operacionais estiveram no centro das discussões. Edson Machado, da Gilbarco Veeder-Root, chamou atenção para o gasto anual de cerca de R$ 5 bilhões com diesel na mineração e defendeu sistemas automatizados para reduzir consumo por tonelada produzida.
A busca por maior eficiência operacional e sustentabilidade foi outro destaque. Entre os exemplos apresentados, a Semco Tecnologia informou que soluções de processamento já permitem transformar rejeitos em pilhas secas e recuperar até 90% da água utilizada. “Conseguimos uma mistura com 99% de homogeneidade em menos de um minuto”, afirmou Danilo Serafini dos Santos, Sales Manager da empresa.
Na área energética, Waldemar Nicolau Júnior, da SMC, destacou ganhos com a otimização de sistemas de ar comprimido. “Conseguimos em média 6% a 7% de economia de energia. Isso impacta diretamente a sustentabilidade da operação“, afirmou.
Outro destaque foi o avanço da mineração digital. Na palestra magna de encerramento, Fábio Eugênio Souza, diretor de Soluções Digitais, Tecnologia e Inovação da Vale, afirmou que conectividade e inteligência artificial tendem a redefinir a competitividade do setor. “Conectividade é a base de tudo. Sem ela, não temos autonomia, não temos IA, não temos mineração digital“, afirmou.
Ele também reforçou a dependência mútua entre operação mineral e indústria fornecedora. “Não existe mineração sem máquinas e equipamentos. Nossas cadeias de valor estão totalmente conectadas.”
A demanda crescente por cobre, um dos minerais considerados críticos para a transição energética, foi exemplificada pela operação Salobo, em Carajás, apresentada por Thiago Gantuss, da Vale Metais Básicos. A planta tem capacidade de processar 36 milhões de toneladas por ano e previsão de produzir cerca de 220 mil toneladas de cobre em 2026, além de ouro e prata como subprodutos.
Em manutenção e segurança, empresas mostraram tecnologias para antecipação de falhas, padronização de componentes e redução de tempo de parada. Segundo Davi Arroyo, da Sandvik, sistemas de isolamento operacional reduziram de horas para minutos o tempo necessário para bloqueio de equipamentos, com impacto direto em produtividade e segurança.
O evento ainda apresentou soluções para britagem, filtração e transporte de minério, com foco em aumento de capacidade, redução de CAPEX e OPEX e maior confiabilidade operacional. Ao final, representantes do setor defenderam maior cooperação entre mineradoras e fornecedores para acelerar inovação no país. “Estamos abertos a cocriar soluções. Precisamos transformar desafios em inovação conjunta”, resumiu Fábio Eugênio Souza.
O encontro marcou o início de uma iniciativa que pretende se tornar um evento anual para o setor, fortalecendo a conexão entre mineradoras, fabricantes de equipamentos, fornecedores de tecnologia e especialistas.














