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Por Redação
A aplicação da mineralogia quantitativa por microscopia eletrônica de varredura (MEV) na geometalurgia de fosfato foi o foco da apresentação de Rodrigo Miotto durante o SIMEXMIN 2026. O coordenador de geologia e recursos minerais da Eurochem mostrou como a integração entre mineralogia, modelagem geológica e indicadores metalúrgicos vem aumentando a previsibilidade operacional em depósitos fosfáticos da Província Alcalina do Alto Paranaíba.
Segundo Miotto, a companhia consolidou uma abordagem baseada em mineralogia quantitativa para compreender variabilidades mineralógicas que impactam diretamente a recuperação metalúrgica do fosfato. “A mineralogia quantitativa aumentou a previsibilidade do processo e performou muito bem com a resposta metalúrgica”, afirmou. O trabalho envolve desde análises em testemunhos de sondagem até validações em pilhas de minério e testes de bancada realizados continuamente na operação.
Durante a apresentação, o coordenador contextualizou a relevância estratégica da operação da EuroChem no Brasil. De acordo com ele, a unidade industrial da empresa deve representar cerca de 15% da produção nacional de fertilizantes fosfatados quando atingir plena capacidade. A estrutura integra mina, beneficiamento, barragens, planta química para produção de ácido fosfórico e distribuição de fertilizantes. “Uma única unidade já representa algo extremamente relevante para o setor”, destacou.
Desafios mineralógicos exigem novos indicadores
Miotto explicou que o depósito trabalhado pela empresa apresenta desafios geometalúrgicos significativos devido à presença de carbonatos, silicatos e minerais deletérios associados ao fosfato. Embora a apatita apresente elevado grau de liberação — próximo de 90% em determinadas frações granulométricas — a recuperação metalúrgica é afetada por substituições químicas na estrutura mineral e por associações minerais complexas.
“O teor sozinho não responde do ponto de vista metalúrgico”, afirmou. Segundo ele, elementos substituintes na apatita podem gerar fosfatos secundários e comprometer a flotação, exigindo a criação de indicadores específicos para identificar a partição do fósforo e prever o comportamento do minério na planta.
Para isso, a empresa estruturou desde 2018 um banco de dados mineralógico robusto, associado a análises de química mineral e indicadores geometalúrgicos. O uso do MEV permite avaliar desde a composição química das apatitas até a distribuição dos minerais deletérios nos grãos minerais. “Só com o MEV conseguimos enxergar a partição mineral de forma quantitativa”, explicou.
Modelagem geometalúrgica orienta planejamento de mina
A estratégia apresentada pela EuroChem inclui a definição de domínios mineralógicos e geometalúrgicos aplicados diretamente ao modelo de blocos e ao planejamento de lavra. Miotto explicou que a empresa desenvolveu classificações baseadas em atributos mineralógicos, como presença de minerais deletérios, razão magnésio/cálcio e distribuição de fósforo.
Segundo ele, os modelos apresentaram forte correlação entre parâmetros mineralógicos e recuperação metalúrgica, superando indicadores tradicionalmente utilizados apenas com base em teor químico. “Quando utilizamos esses indicadores, conseguimos recuperações muito mais altas e uma previsão muito mais robusta”, afirmou.
O coordenador também destacou que a companhia pretende expandir os estudos mineralógicos para novas campanhas de sondagem e avançar no uso de modelos multivariados para melhorar a representatividade estatística das previsões geometalúrgicas. “O próximo passo é atualizar continuamente esse fluxo e testar outras abordagens matemáticas e estatísticas”, concluiu.












