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Por Redação
A integração entre geologia, mineralogia quantitativa e geometalurgia tem permitido reduzir incertezas operacionais e melhorar a recuperação mineral na Mina Serrote, da Mineração Vale Verde. O tema foi apresentado pela consultora e membro do Australian Institute of Geoscientists, Marcela Tainã, durante palestra sobre os controles geológicos e mineralógicos da variabilidade do minério.
Segundo a especialista, o principal desafio enfrentado pelo empreendimento era compreender por que materiais aparentemente semelhantes apresentavam respostas metalúrgicas diferentes durante o processamento. “O modelo dizia que era a mesma coisa, mas a usina mostrava que não era”, afirmou. A partir desse diagnóstico, o projeto passou a investigar de forma integrada fatores geológicos, texturais e mineralógicos capazes de influenciar diretamente a recuperação do minério.
De acordo com Marcela, o depósito mineral apresenta uma sobreposição complexa de eventos geológicos, incluindo deformações, alterações hidrotermais e processos supergênicos, que modificaram significativamente as características mineralógicas do minério ao longo do tempo. A análise detalhada dessas transformações permitiu identificar domínios geometalúrgicos distintos e compreender como determinadas associações minerais afetam o desempenho da planta. “As texturas não estão ali à toa. Elas respondem aos processos geológicos e aos acontecimentos que o depósito sofreu”, explicou.
Mineralogia explica perdas na recuperação
Um dos principais resultados do estudo foi a identificação de perdas relacionadas à granulometria e à associação mineralógica do cobre. Conforme a pesquisadora, parte do mineral-minério encontra-se em partículas ultrafinas, abaixo de 20 micrômetros, o que dificulta sua recuperação nos processos convencionais de flotação. “Se eu tenho 30% do meu mineral-minério abaixo de 25 micra, eu já sei que vou perder esse material”, destacou.
A palestra também mostrou que o entendimento detalhado da variabilidade mineralógica permitiu otimizar parâmetros operacionais e reduzir interpretações equivocadas sobre o comportamento do minério. Marcela citou, por exemplo, casos em que a simples redução granulométrica não resultava em aumento de recuperação, justamente porque alguns minerais já se encontravam naturalmente finos devido às características geológicas do depósito.
Conhecimento integrado auxilia tomada de decisão
Além dos ganhos operacionais, a integração entre geologia, mineralogia quantitativa e geometalurgia tem contribuído para diminuir riscos na lavra e melhorar o planejamento de curto e longo prazo. Segundo Marcela, o acompanhamento geológico passou a atuar de forma contínua junto à operação, auxiliando na interpretação de desvios de desempenho na usina e na compreensão do comportamento do material alimentado ao processo.
“Hoje conseguimos entender melhor o comportamento do material. Não é tudo igual”, afirmou. Para a consultora, o avanço da geometalurgia permite que as decisões operacionais deixem de ser baseadas apenas em teor químico e passem a considerar também atributos mineralógicos, texturais e estruturais do depósito. “A integração mostrou que esse é o caminho para reduzir risco, melhorar produtividade e aumentar recuperação”, concluiu.












