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Por Redação
O uso de biolixiviação em depósitos lateríticos brasileiros pode transformar a recuperação de cobalto no país e abrir caminho para uma cadeia mineral mais sustentável. A avaliação foi apresentada por José Luciano Stropper, gerente de geologia e recursos minerais do Serviço Geológico do Brasil, durante o Simexmin 2026, em palestra sobre o tema. O pesquisador destacou que o Brasil reúne depósitos com potencial para colocar o país entre os principais produtores do mineral crítico, hoje estratégico para baterias e tecnologias energéticas
Segundo Stropper, o projeto foi desenvolvido em parceria entre instituições públicas e privadas do Brasil e da Alemanha e teve como foco a aplicação de bioprocessamento em depósitos lateríticos contendo níquel e cobalto. O gerente ressaltou que o mercado global do cobalto ainda é fortemente concentrado e dependente da China, responsável por cerca de 80% do refino mundial. “O Brasil é considerado por muitos países como um parceiro confiável e possui diversos projetos que ainda podem ser desenvolvidos”, afirmou. O pesquisador destacou ainda que os recursos identificados em depósitos como Piauí, Barro Alto e Carajás demonstram potencial econômico relevante para expansão da produção nacional.
Testes laboratoriais indicaram recuperação acima de 80%
Durante a apresentação, Stropper explicou que as amostras dos depósitos passaram por análises mineralógicas, químicas e microbiológicas em laboratórios brasileiros e alemães. Parte dos testes envolveu diferentes tipos de bactérias aplicadas ao processo de biolixiviação, técnica que utiliza micro-organismos para auxiliar na extração metálica. Os melhores resultados foram obtidos em amostras de Barro Alto, com recuperação superior a 80% em aproximadamente 14 dias. “A mineralogia influencia diretamente os aspectos químicos e microbiológicos do processo. Cada amostra mineral exige um comportamento diferente”, explicou.
Os pesquisadores também identificaram limitações em determinados depósitos. No caso de Carajás, a baixa permeabilidade do minério dificultou a penetração da solução bacteriana, inviabilizando parte dos ensaios. Já no depósito do Piauí, os resultados foram considerados inferiores aos esperados. Apesar disso, o estudo apontou que o bioprocessamento apresenta vantagens ambientais importantes em comparação com métodos hidrometalúrgicos tradicionais, principalmente pela menor emissão de dióxido de carbono e pela possibilidade de aproveitamento de resíduos minerais. “O método pode ser uma alternativa muito viável do ponto de vista da sustentabilidade”, afirmou Stropper.
Processo ainda exige ampliação de escala industrial
Além dos testes laboratoriais, a equipe realizou simulações econômicas utilizando modelos de produção em escala ampliada. De acordo com Stropper, os resultados preliminares apontaram margem de lucro próxima de 70% em determinados cenários analisados, mesmo utilizando modelos relativamente conservadores de produção. O pesquisador ponderou, entretanto, que o processo ainda precisa passar por estudos adicionais de escalonamento industrial, especialmente para aumentar a taxa de recuperação metálica e reduzir o tempo de processamento. “A bioextração ocorre, mas ainda precisamos otimizar o período necessário para atingir níveis compatíveis com produção em larga escala”, concluiu.












