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Por Redação
A redescoberta do corpo mineralizado Viana, na Mina Cuiabá, foi apresentada como um marco para a compreensão da evolução geológica da microbacia arqueana de Cuiabá durante o SIMEXMIN 2026. O estudo, conduzido por Daniel Tonini Peterle, superintendente de sondagem na Anglo Gold Ashanti,reuniu análises estruturais, geoquímicas e geocronológicas para reinterpretar a formação do sistema aurífero hospedado em BIF da região. “O mais interessante é quando colocamos todos os dados juntos e praticamente todo o universo converge para o mesmo plano estrutural”, afirmou o pesquisador.
Segundo Peterle, a principal descoberta foi a identificação da Falha Viana como principal controle estrutural da mineralização. Interpretada como uma estrutura sinistral orientada na direção norte-nordesye, ela passou a orientar os modelos prospectivos da companhia. “A Falha Viana é o nosso principal guia prospectivo. Ela controla a sustentação da mineralização”, explicou durante a apresentação.
Os estudos geoquímicos também indicaram diferenças importantes entre Viana e a Formação Cuiabá, especialmente em manganês, cromo e elementos terras raras. Os dados sugerem que o depósito teve menor influência de sedimentos terrígenos durante sua formação. “Provavelmente Viana ficou protegido da contribuição terrígena durante a formação da microbacia Cuiabá”, disse Peterle ao comentar os resultados obtidos pela equipe.
Outro destaque foi a confirmação de múltiplos eventos mineralizantes associados ao ouro do depósito. Análises microscópicas e datações isotópicas apontaram idades próximas de 2,73 bilhões de anos, relacionadas aos eventos tectônicos do Rio das Velhas. “Hoje sabemos que os grandes depósitos do mundo normalmente registram múltiplos eventos mineralizantes”, afirmou o pesquisador.
A pesquisa também levantou uma hipótese considerada “disruptiva” pela equipe: a possibilidade de inversão estratigráfica parcial da sequência Cuiabá. Apesar de ainda depender de novos estudos, a interpretação pode alterar a compreensão geológica da região. Peterle destacou ainda que a redescoberta de Viana já possui impacto econômico direto e atualmente representa cerca de 30% do plano de produção da Mina Cuiabá. “O melhor modelo exploratório é aquele que abre mais oportunidades”, concluiu.












