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Por Redação
O avanço da descarbonização global, a busca por minérios de maior qualidade e a incorporação da inteligência artificial nos processos exploratórios estão redefinindo a mineração de ferro no mundo. A avaliação foi apresentada por Diogo Afonso Costa, diretor de exploração e projetos da Vale, durante palestra no SIMEXMIN 2026.
Segundo o executivo, a estratégia da Vale está baseada em um portfólio flexível de ativos minerais, capaz de responder às oscilações do mercado e às novas exigências ambientais da indústria siderúrgica. “Estamos preparados para a descarbonização global”, afirmou.
Ferro continua central para a economia mundial
Durante a apresentação, Diogo Costa destacou que o minério de ferro permanece como um dos pilares da infraestrutura moderna, mesmo em um cenário de transição energética e eletrificação da economia.
“O veículo elétrico é feito de aço, os celulares têm aço, a infraestrutura depende do aço. O ferro continua presente em praticamente todos os aspectos da vida moderna”, explicou.
O diretor observou que, apesar da desaceleração econômica chinesa, a demanda global segue elevada. A China continua consumindo volumes superiores a um bilhão de toneladas anuais, enquanto outras regiões mantêm níveis estáveis de produção e consumo após o forte crescimento registrado entre os anos 2000 e 2020.
Pressão por minérios mais puros amplia desafios exploratórios
A necessidade de redução das emissões de carbono vem aumentando a procura por minérios com maior teor de ferro e melhor desempenho metalúrgico, especialmente para processos de redução direta.
Segundo Diogo Costa, esse cenário exige maior controle geológico, rastreabilidade mineral e desenvolvimento de tecnologias capazes de identificar depósitos mais complexos e economicamente viáveis.
O executivo apresentou um panorama dos principais tipos de depósitos ferríferos existentes no mundo, incluindo formações ferríferas bandadas, depósitos do tipo IOCD, iron oxide apatite e sistemas associados a magnetita. Ele ressaltou o protagonismo brasileiro, especialmente em regiões como Carajás e o Quadrilátero Ferrífero, além de citar províncias minerais importantes no Canadá, Austrália, Índia, Chile e África.
Descarbonização impulsiona nova geração de produtos siderúrgicos
Um dos focos centrais da palestra foi a transformação da cadeia siderúrgica global. Atualmente, cerca de 70% da produção mundial de aço ainda depende do modelo tradicional baseado em alto-forno e carvão mineral.
Segundo Diogo Costa, a tendência de longo prazo aponta para o crescimento de tecnologias de redução direta do minério de ferro combinadas a fornos elétricos a arco, inicialmente utilizando gás natural e, futuramente, hidrogênio verde.
Nesse contexto, a Vale vem direcionando investimentos para produtos voltados à redução direta e para iniciativas de descarbonização da siderurgia.
Entre elas está o desenvolvimento do “briquete”, tecnologia criada pela empresa para substituir processos tradicionais de pelotização. O produto é fabricado por aglomeração a frio, em temperaturas muito inferiores às usadas nas pelotas convencionais.
De acordo com o diretor, a solução reduz em até 70% as emissões durante a etapa de aglomeração e pode diminuir em cerca de 10% as emissões na produção do aço.
Inteligência artificial acelera exploração mineral
Diogo Costa também detalhou o avanço do uso de inteligência artificial e ciência de dados dentro da companhia. Segundo ele, a Vale possui mais de 30 terabytes de informações geológicas e aproximadamente 14 milhões de metros de sondagem armazenados em seus bancos de dados.
A empresa desenvolveu uma plataforma própria de IA generativa em parceria com a Microsoft chamada “Sabiá”, utilizada para recuperação de dados, integração de informações e apoio à geração de alvos exploratórios.
“O que levaria centenas de anos para ser organizado manualmente pode ser processado em um único dia”, afirmou.
Além da IA, o executivo citou a incorporação de ferramentas como sensoriamento espectral, geofísica por drones, geometalurgia, métodos portáteis de análise geoquímica, bancos de dados em nuvem, machine learning e integração multimétodos.
Qualidade dos dados é desafio central da mineração digital
Apesar do avanço tecnológico, Diogo Costa alertou que a inteligência artificial não substitui o trabalho geológico tradicional nem resolve problemas estruturais de organização de dados.
Segundo ele, a eficiência da IA depende diretamente da qualidade das bases de informação utilizadas. “Não adianta usar inteligência artificial sem estruturar a base de dados”, afirmou durante a palestra.
O executivo destacou que muitas empresas ainda possuem informações importantes dispersas em relatórios PDF, arquivos históricos e sistemas desconectados, o que limita o potencial das novas tecnologias.
Para ele, o futuro da mineração passa pela integração entre conhecimento geológico clássico, governança de dados, visão estratégica de negócios e ferramentas digitais avançadas.
Profissionais do futuro precisarão unir técnica e visão de negócio
Ao encerrar a apresentação, Diogo Costa defendeu uma formação profissional mais ampla para os futuros geólogos e engenheiros de mineração.
Segundo ele, além do domínio técnico, os profissionais precisarão compreender estratégia empresarial, retorno sobre investimento, necessidades dos clientes e integração com novas tecnologias.
“A inteligência artificial não vai substituir você. Mas alguém usando inteligência artificial pode substituir”, concluiu.












