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Por Redação
A aplicação da inversão geofísica na exploração mineral foi tema de destaque durante o SIMEXMIN 2026, em apresentação conduzida por Dionisio Uendro Carlos, pesquisador do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista. A palestra “Geophysical Inversion Applied to Mineral Exploration” discutiu como técnicas matemáticas e geofísicas vêm se tornando estratégicas para localizar depósitos minerais cada vez mais profundos e geologicamente complexos.
Logo no início da apresentação, o pesquisador destacou que a mineração enfrenta um novo cenário, marcado pelo esgotamento progressivo dos corpos minerais mais superficiais. Segundo ele, cerca de 80% dos depósitos minerais conhecidos já estão abaixo de 100 metros de profundidade, o que torna a geofísica uma ferramenta essencial para reduzir incertezas na exploração. “Qualquer método vai dar contraste de propriedades físicas para a gente”, explicou, citando aplicações de gravimetria, magnetometria, sísmica e métodos eletromagnéticos para identificar diferenças de densidade, susceptibilidade magnética e propriedades elásticas no subsolo.
Dionisio também ressaltou o impacto econômico associado ao uso dessas tecnologias, especialmente em grandes províncias minerais brasileiras. Utilizando dados da produção mineral de 2024, o pesquisador mencionou que a cadeia do minério de ferro gerou aproximadamente R$ 160 bilhões em valor, com destaque para os depósitos de Minas Gerais e Pará. Segundo ele, a exploração em profundidade nesses ambientes exige ferramentas mais sofisticadas de interpretação geológica. “O minério está ficando cada vez mais profundo e os ambientes mais complexos. Nesse caso, a inversão é fundamental”, afirmou.
Durante a palestra, o pesquisador apresentou modelos sintéticos e estudos de caso desenvolvidos em parceria com pesquisadores brasileiros e internacionais, incluindo trabalhos ligados à Vale e à Universidade de British Columbia. Os exemplos mostraram como algoritmos de inversão conseguem reconstruir posições prováveis de corpos mineralizados mesmo sem reproduzir perfeitamente suas geometrias. Segundo Dionisio, o diferencial está na integração entre matemática, geologia e interpretação física. “Se não tiver geologia, não serve para nada”, declarou ao defender que modelos geofísicos precisam estar associados a vínculos geológicos para gerar resultados confiáveis.
A apresentação também abordou tendências emergentes para o setor, como inteligência artificial, quantificação de incertezas, integração com modelos geológicos tridimensionais e computação quântica aplicada à inversão geofísica. Ao encerrar, Dionisio definiu a inversão como uma “ferramenta estratégica essencial” para a exploração mineral moderna e defendeu a formação multidisciplinar de novos profissionais da área. “As apresentações nos inspiram e mostram que estamos caminhando para uma mineração cada vez mais integrada entre geologia, física e tecnologia”, concluiu.












