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Por Redação
O avanço das técnicas geofísicas aplicadas à exploração mineral foi tema da apresentação “From Anomalies to Ore Bodies: Advances in Geophysics for Iron Ore Exploration”, ministrada pelo professor Marco A. S. Braga, durante o SIMEXMIN 2026. Em sua fala, o pesquisador relembrou a trajetória de implementação da gradiometria gravimétrica aérea no Brasil e destacou como a tecnologia passou a orientar campanhas de sondagem em depósitos de minério de ferro, especialmente em áreas complexas como o Quadrilátero Ferrífero e Carajás.
Braga apresentou um panorama histórico do desenvolvimento da técnica dentro da então Companhia Vale do Rio Doce, entre os anos 2000 e 2010, período em que foram realizados levantamentos pioneiros em parceria com universidades e empresas internacionais. Segundo ele, o objetivo era reduzir as incertezas da exploração mineral em grandes áreas onde métodos tradicionais, como a magnetometria, apresentavam limitações para identificar corpos mineralizados profundos ou encobertos por cangas ferruginosas.
“O foco nunca foi economizar dinheiro em sondagem, mas direcionar a sondagem para o lugar correto”, afirmou o professor durante a apresentação. De acordo com Braga, a utilização da gradiometria permitiu identificar contrastes de densidade associados a hematitas e itabiritos de alto teor, auxiliando na definição de alvos mais precisos para perfuração.
Tecnologia militar adaptada à mineração
Durante a palestra, o pesquisador explicou que os sistemas FTG (Full Tensor Gradiometry), originalmente desenvolvidos para aplicações militares e submarinas durante o período pós-Segunda Guerra Mundial, começaram a ser disponibilizados para a indústria mineral e petrolífera na década de 1990. A tecnologia mede variações do campo gravitacional terrestre e permite detectar diferenças sutis de densidade em subsuperfície.
Segundo Braga, a adoção do método exigiu um intenso trabalho conjunto entre academia e indústria, já que o conhecimento sobre o equipamento ainda era limitado no Brasil. Ele destacou a parceria entre a universidade, a Vale e grupos internacionais especializados em aquisição e processamento geofísico.
“Sem essa relação entre empresa e universidade, a pesquisa teria parado”, afirmou. “No Brasil, muitas vezes a indústria está à frente da universidade em desenvolvimento tecnológico, por isso as parcerias são importantes.”
Aplicações em Carajás e no Quadrilátero Ferrífero
O professor também apresentou estudos de caso realizados em Minas Gerais e no Pará, incluindo levantamentos sobre áreas mineralizadas em Gandarela, Fazendão e Carajás. Segundo ele, a tecnologia permitiu diferenciar zonas de minério sob coberturas lateríticas e direcionar campanhas de perfuração em regiões onde os métodos convencionais apresentavam baixa resolução.
Em um dos exemplos apresentados, Braga relatou que a reinterpretação de alvos de sondagem em uma área coberta por canga ferruginosa resultou na retirada de furos considerados improdutivos e no redirecionamento da campanha exploratória. De acordo com o pesquisador, apenas nessa área a otimização gerou economia de aproximadamente US$ 2,5 milhões em sondagens, valor posteriormente reinvestido em novas etapas da exploração mineral.
Outro caso citado envolveu a modelagem geofísica de um corpo mineralizado profundo que, anos depois, foi confirmado por sondagem com interceptações superiores a 90 metros de hematita em profundidades entre 380 e 400 metros. O modelo estimado inicialmente apontava potencial para centenas de milhões de toneladas de minério.
Integração entre geofísica, modelagem e exploração
Ao longo da apresentação, Braga ressaltou que a evolução dos sistemas de aquisição, controle de qualidade e processamento geofísico ampliou significativamente a capacidade de interpretação geológica em terrenos acidentados. Ele destacou ainda o desenvolvimento de modelagens tridimensionais e técnicas de correção topográfica capazes de melhorar a resposta dos dados em áreas montanhosas, como as encontradas em Carajás.
Para o pesquisador, a combinação entre geofísica aérea, modelagem matemática e validação por sondagem consolidou uma nova abordagem para a exploração mineral de minério de ferro no Brasil. “A geofísica deixou de ser apenas uma ferramenta regional e passou a orientar diretamente decisões exploratórias”, afirmou.











