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Por Redação
O professor Antonio Carlos Pedrosa, da Universidade Federal de Minas Gerais, afirmou durante o Simexmin 2026 que a crescente demanda global por grafita e lítio deve impulsionar novas pesquisas geológicas e projetos de exploração mineral no Brasil nas próximas décadas. Em palestra sobre condicionantes geológicos para grafita e lítio em rocha, o pesquisador destacou o potencial brasileiro para minerais estratégicos utilizados em baterias, armazenadores de energia e veículos elétricos.
“Grafita é o principal componente do ânodo dos armazenadores de energia. Vejam as baterias dos carros, a energia do sol, os grandes sistemas de armazenamento. O motivo para buscar grafita a gente tem, imagino que pelos próximos vinte, trinta ou quarenta anos”, afirmou Pedrosa durante a apresentação.
Segundo o professor, o processo de formação da grafita está diretamente ligado às condições metamórficas e à temperatura geológica. Ele explicou que depósitos de maior valor econômico dependem de elevada cristalização, pureza e granulometria adequada. “O processo de grafitização é comandado pela temperatura. O que mais interessa no mercado é a grafita lamelar, em que a gente tem partículas maiores, maior cristalidade e melhor qualidade para aplicação tecnológica”, disse.
Minas Gerais concentra potencial estratégico
Durante a palestra, Pedrosa ressaltou que o Brasil ocupa posição relevante no mercado de grafita natural, especialmente na região do extremo nordeste de Minas Gerais e sul da Bahia. “O Brasil está muito bem colocado nesse cenário. Nessa região nós temos praticamente quatro por cento das reservas de grafita do mundo”, afirmou. O pesquisador também citou a presença de novas empresas na região e a expansão da produção nacional voltada ao mercado internacional.
Além da grafita, a apresentação abordou os depósitos de lítio em pegmatitos do Vale do Jequitinhonha, especialmente no distrito de Araçuaí. Segundo Pedrosa, o Brasil já possui mais de 235 milhões de toneladas de recursos certificados de minério de lítio, concentrados majoritariamente na região mineira. “Mais de noventa por cento disso está no distrito de Araçuaí, que levou o Brasil para o topo do mundo na cena do lítio”, declarou.
Geologia como ferramenta de prospecção
Ao defender maior investimento em mapeamento geológico, o professor afirmou que a identificação de depósitos minerais depende da compreensão detalhada dos ambientes geológicos favoráveis. “Não tem lítio para todo lado. Eles estão em lugares muito específicos”, afirmou. Segundo ele, a busca por novos depósitos exige conhecimento aprofundado em metamorfismo, petrologia e evolução tectônica das rochas hospedeiras.
Pedrosa também destacou que minerais associados, como titânio, estanho e tântalo, podem ocorrer junto aos depósitos de grafita e lítio, ampliando o potencial econômico dos projetos minerais. “Vale a pena olhar o conjunto da obra”, disse.
A palestra integrou a programação técnica do Simexmin 2026, evento que reúne pesquisadores, representantes da indústria mineral e especialistas em exploração para discutir novas fronteiras da mineração e minerais estratégicos voltados à transição energética.












