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Por Redação
O governo federal lançou na segunda-feira (25) o 5º Leilão do Programa Eco Invest Brasil, voltado ao financiamento de inovação tecnológica e ao fortalecimento de cadeias consideradas estratégicas para a competitividade industrial brasileira. A nova rodada prevê até R$ 2,5 bilhões em aportes do Tesouro Nacional e terá foco em áreas como fertilizantes verdes, inteligência artificial aplicada à indústria, combustíveis sustentáveis e beneficiamento de minerais críticos.
A iniciativa é conduzida pelos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima e cria três instrumentos financeiros para conectar universidades, startups, empresas, centros de pesquisa e capital privado. Segundo o governo, a meta é ampliar a capacidade do país de desenvolver tecnologias próprias e reduzir a dependência externa em setores considerados centrais para a nova economia global.
O programa prevê a criação de seis Fundos de Inovação Eco Invest, uma linha de crédito corporativo e recursos não reembolsáveis destinados à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica. As ações serão direcionadas a seis cadeias estratégicas, incluindo sistemas de baterias e veículos elétricos, química verde, biomateriais e circularidade de resíduos industriais.
Tesouro prevê efeito multiplicador sobre capital privado
Do total previsto para a rodada, até R$ 1,5 bilhão será destinado aos fundos de inovação. De acordo com o governo, a exigência de alavancagem mínima de duas vezes poderá elevar os investimentos para até R$ 4,5 bilhões. Outros R$ 1 bilhão serão destinados à linha de crédito corporativo, condicionada à participação de recursos privados em proporção superior ao capital público.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o objetivo é transformar pesquisa científica em produção industrial em larga escala.
“Não existe competitividade sem inovação, e não existe inovação em escala sem conexão entre ciência, capital e setor produtivo. O que estamos estruturando é um modelo capaz de transformar demanda industrial em tecnologia, em produto real”, disse.
Durigan citou a dependência brasileira de fertilizantes importados como exemplo do potencial do programa.
“Hoje, por exemplo, o Brasil importa 80% dos fertilizantes que consome. Com esses instrumentos, vamos desenvolver uma tecnologia nacional avançada”, afirmou.
Já o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, disse que a rodada busca fortalecer a soberania industrial brasileira em setores ligados à transição ecológica.
“O quinto leilão tem como foco a mobilização de capital privado com o objetivo de impulsionar tecnologias necessárias para posicionar o Brasil como liderança da nova economia global de baixo carbono”, declarou.
Bancos disputarão cadeias estratégicas
Segundo o governo, cada instituição financeira poderá disputar uma das cadeias estratégicas do leilão com base na capacidade de mobilização de capital privado. Os bancos vencedores serão responsáveis pela estruturação dos fundos e demais mecanismos financeiros.
Os investimentos poderão usar o modelo de dívida conversível, mecanismo que permite ao investidor transformar crédito em participação societária nas empresas financiadas.
As linhas de crédito seguirão o modelo adotado nos leilões anteriores, com financiamento direto a empresas em fase de expansão produtiva. Como contrapartida, as companhias apoiadas deverão contratar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação conectados às cadeias elegíveis.
O governo também prevê que empresas possam firmar parcerias com universidades e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), inclusive internacionais, além de adquirir startups e empresas tecnológicas no exterior para internalizar conhecimento no Brasil.
BID e Reino Unido apoiam iniciativa
O programa conta com apoio técnico e financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento, incluindo um empréstimo de US$ 1 bilhão e instrumentos de mitigação de risco cambial e blended finance.
O presidente do BID, Ilan Goldfajn, afirmou que o programa pode servir de referência internacional.
“O Eco Invest mostra como instrumentos financeiros inovadores podem mobilizar capital privado em escala para apoiar a inovação e a competitividade”, disse.
A comissária de Comércio do Reino Unido para a América Latina e Caribe, Amy Barklam, também destacou o potencial de cooperação entre instituições brasileiras e britânicas.
“O Brasil está se consolidando como um líder na mobilização de capital para a transição verde”, afirmou.
Governo anuncia resultados do 4º leilão
Além da nova rodada, o governo divulgou os resultados do 4º Leilão do Eco Invest Brasil, voltado à bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura na Amazônia Legal.
Segundo o Ministério da Fazenda, a rodada recebeu propostas de oito instituições financeiras e registrou demanda superior a R$ 7 bilhões em recursos catalíticos, com potencial para mobilizar mais de R$ 29 bilhões em investimentos.
Foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital catalítico na linha principal, com participação de ABC Brasil, Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual.
O eixo de infraestrutura concentrou o maior volume de recursos, com mais de R$ 7,8 bilhões destinados à Amazônia Legal. A bioeconomia mobilizou R$ 4,4 bilhões, enquanto o turismo sustentável deverá receber cerca de R$ 900 milhões.
Programa já mobilizou R$ 140 bilhões
Criado dentro do Plano de Transformação Ecológica do governo federal, o Eco Invest Brasil busca atrair capital privado nacional e internacional para projetos com impacto econômico, social e ambiental.
De acordo com o governo, os quatro leilões anteriores já mobilizaram mais de R$ 140 bilhões e credenciaram 13 instituições financeiras ao programa.











