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Por Redação
As minas do Camaquã, no Rio Grande do Sul, e os depósitos de minerais pesados de Bojuru podem ampliar não apenas o conhecimento sobre a formação de jazidas minerais no sul do Brasil, mas também abrir caminhos para a exploração de hidrogênio geológico na região. A avaliação foi apresentada pelo professor Farid Chemale Junior,da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, durante o SIMEXMIN 2026, em palestra sobre as implicações geológicas dos depósitos de cobre, chumbo, zinco e titânio para a prospecção mineral e energética.
Segundo o pesquisador, a análise integrada dos sistemas geológicos do sul brasileiro demonstra que estruturas tectônicas antigas, associadas à evolução da Bacia do Paraná e de terrenos vulcano-sedimentares, controlaram tanto a formação de depósitos metálicos quanto ambientes favoráveis ao acúmulo de hidrogênio natural. “O hidrogênio é o combustível ideal para a transição energética e o Rio Grande do Sul e Santa Catarina possuem áreas altamente potenciais para sua geração”, afirmou.
Mineralizações complexas nas Minas do Camaquã
Durante a apresentação, Chemale destacou o chamada “Bom Jardim”, região que abriga depósitos dobrados associados à mineralização de cobre, ouro, prata, chumbo e zinco nas Minas do Camaquã. As ocorrências minerais estão relacionadas principalmente ao Grupo Santa Bárbara, sobreposto por unidades sedimentares mais jovens do Grupo Maricá.
O pesquisador explicou que a mineralização de cobre ocorre predominantemente em estruturas específicas, enquanto chumbo e zinco aparecem controlados por falhas e zonas estruturais distintas. As idades estimadas dos depósitos variam entre 565 e 547 milhões de anos. Segundo ele, análises mineralógicas e geoquímicas mostram forte complexidade paragenética, além de diferentes estágios hidrotermais ligados à formação dos minérios. “Esses dados são extremamente fundamentais para modelos de procura de novos depósitos minerais”, ressaltou.
Bojuru concentra minerais pesados em antigas barreiras costeiras
Outro foco da pesquisa foi o depósito de Bojuru, no litoral sul gaúcho, conhecido pela concentração de minerais pesados ricos em titânio. Chemale explicou que os minerais se acumulam principalmente em antigas barreiras costeiras formadas por processos marinhos e retrabalhamento sedimentar.
Modelagens tridimensionais e análises mineralógicas indicam forte arredondamento dos grãos minerais e associação com sedimentos antigos retrabalhados ao longo da evolução costeira da região de São José do Norte. O professor afirmou que os estudos ajudam a compreender como ocorreu a concentração dos minerais pesados e podem orientar futuras campanhas exploratórias. “Muito provavelmente houve sucessivos episódios de erosão, transporte e reconcentração mineral até a formação do depósito de Bojuru”, explicou.
Sul do Brasil pode reunir condições para geração de hidrogênio natural
Na etapa final da palestra, Chemale relacionou as características geológicas da Bacia do Paraná ao potencial de geração e armazenamento de hidrogênio geológico. Segundo ele, a presença de matéria orgânica associada às reservas carboníferas do sul do país, somada ao calor gerado por eventos magmáticos e à atuação de grandes falhas tectônicas, cria condições favoráveis para a produção natural do gás.
O pesquisador destacou que um dos principais desafios é evitar a dispersão do hidrogênio, já que a molécula possui tamanho reduzido e elevada capacidade de escape. Nesse contexto, formações basálticas da Bacia do Paraná poderiam funcionar como selos geológicos capazes de aprisionar o gás em profundidade. Entre os desafios futuros, Chemale citou a necessidade de identificar reservatórios, compreender assinaturas isotópicas e ampliar estudos sobre sistemas geológicos profundos capazes de armazenar hidrogênio natural no sul do Brasil.












