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Por Redação
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu na terça-feira (18), em Brasília (DF), a ampliação da participação brasileira nas cadeias globais de minerais estratégicos, com maior agregação de valor à produção mineral e fortalecimento dos segmentos industriais associados. A declaração ocorreu durante o fórum “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, promovido pela Editora Globo.
Durante sua apresentação, Mercadante destacou a importância de minerais críticos, estratégicos e terras raras diante das transformações tecnológicas, energéticas e industriais em curso no cenário internacional. Segundo o presidente do BNDES, o Brasil reúne condições para ampliar sua presença nas etapas de processamento e transformação desses recursos.
“O desafio é ampliar a integração entre a produção mineral e as atividades industriais associadas, especialmente em segmentos vinculados aos minerais estratégicos e críticos”, afirmou.
Demanda global amplia relevância dos minerais
De acordo com Mercadante, o crescimento da demanda mundial por minerais utilizados na transição energética, na eletrificação e na manufatura avançada aumenta a importância econômica desses insumos e cria oportunidades para o desenvolvimento de cadeias produtivas nacionais.
O presidente do BNDES ressaltou a necessidade de ampliar as atividades de beneficiamento, processamento e transformação industrial para que o país avance em etapas de maior valor agregado. Entre os minerais citados estão cobre, lítio e terras raras, utilizados em setores como mobilidade, armazenamento de energia, digitalização e tecnologias de baixa emissão de carbono.
“A estratégia está voltada para o adensamento das cadeias produtivas e para o desenvolvimento de capacidades industriais associadas a esses recursos minerais”, disse Mercadante.
Ainda segundo o BNDES, o Brasil dispõe de reservas relevantes de minerais estratégicos, o que pode favorecer a expansão de atividades industriais relacionadas à mineração. Para Mercadante, a oportunidade está em ampliar a participação nacional em diferentes fases das cadeias produtivas.
“Há oportunidades para ampliar a participação nacional em diferentes etapas da cadeia produtiva, agregando valor aos recursos minerais disponíveis no país”, afirmou.
Fundo tem R$ 2 bilhões para projetos
Durante o fórum, Mercadante também apresentou iniciativas de financiamento para o setor mineral. Entre elas está um fundo de investimento em participações (FIP) estruturado pelo BNDES em parceria com a Vale, com R$ 2 bilhões destinados a projetos de mineração e ao desenvolvimento de novos empreendimentos.
Segundo dados apresentados no evento, a chamada pública realizada pelo fundo recebeu 56 propostas, que representam uma demanda potencial de aproximadamente R$ 57 bilhões em investimentos e crédito. De acordo com Mercadante, 12 projetos estão em estágio avançado de negociação, somando cerca de R$ 9 bilhões.
A iniciativa, segundo o presidente do banco, busca ampliar o acesso de empresas de mineração a instrumentos de financiamento e apoiar projetos relacionados a minerais estratégicos e às cadeias produtivas associadas.
“O BNDES está na mineração desde os anos 1970”, afirmou Mercadante, ao destacar a trajetória da instituição no financiamento do setor.
Minério de ferro e redução de emissões
Mercadante também destacou o potencial do minério de ferro de alto teor produzido no Brasil para aplicações em processos siderúrgicos voltados à redução da intensidade das emissões de carbono.
Segundo ele, as características desse insumo podem contribuir para a adoção de tecnologias siderúrgicas mais eficientes do ponto de vista energético e ambiental. Nesse cenário, a competitividade do setor tende a considerar, além do volume produzido, a capacidade de atender a requisitos relacionados à eficiência produtiva e à transição para modelos de menor emissão.
Ao abordar o papel da mineração no desenvolvimento econômico, o presidente do BNDES ressaltou a necessidade de conciliar expansão produtiva, inovação tecnológica, transparência e responsabilidade ambiental. De acordo com a instituição, o aproveitamento do potencial mineral brasileiro deve estar associado à geração de valor e ao desenvolvimento sustentável ao longo das cadeias produtivas.













