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Por Ricardo Lima
A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals anunciou nesta terça-feira (26) a produção do primeiro lote de carbonato misto de terras raras em sua planta de demonstração instalada no Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR), em Poços de Caldas. O material foi produzido a partir de argilas iônicas do projeto Colossus, considerado pela companhia um dos principais ativos emergentes de terras raras fora da China.
Segundo a empresa, a unidade é uma das maiores plantas semi-industriais contínuas de processamento de argilas iônicas de terras raras em operação fora do território chinês. A estrutura começou a operar neste mês e deve ser usada para validação de parâmetros do projeto, produção de amostras comerciais e treinamento operacional.
De acordo com a companhia, o MREC produzido é enriquecido com elementos de alto valor estratégico para a cadeia global de ímãs permanentes, entre eles disprósio (Dy), térbio (Tb), neodímio (Nd), praseodímio (Pr) e samário (Sm). Esses minerais são considerados críticos para setores como veículos elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos.
O diretor-presidente da Viridis, Rafael Moreno, afirmou que a produção inicial confirma a viabilidade técnica do fluxo de processamento do projeto Colossus.
“A produção do nosso primeiro MREC a partir da planta de demonstração do Colossus evidencia a simplicidade do fluxograma de processamento do projeto, que sustenta um perfil de custos operacionalmente competitivo em escala global”
Rafael Moreno – Viridis
Ele acrescentou que a operação da planta permitirá à empresa avançar em negociações comerciais e reduzir riscos para a futura produção em escala industrial.
“Muito poucas empresas ocidentais de terras raras possuem capacidade interna para processar continuamente material de argila iônica em escala e transformá-lo em um produto comercializável de MREC”, afirmou Moreno.
Estrutura mira escala comercial e contratos de fornecimento
A planta de demonstração foi projetada para processar 100 quilos por hora de minério argiloso e conta com sistema automatizado de operação contínua. A unidade reproduz o fluxograma previsto no estudo de pré-viabilidade do Colossus e incorpora etapas de preparação do minério, lixiviação, separação sólido-líquido, remoção de impurezas e precipitação das terras raras.
Segundo a empresa, os equipamentos utilizados foram fornecidos por fabricantes industriais globais que também estão sendo avaliados para a futura planta comercial do projeto.
A companhia informou ainda que pretende utilizar a instalação para produzir amostras destinadas a potenciais compradores em negociações avançadas de offtake, que são contratos de fornecimento de longo prazo comuns no setor mineral. Além disso, a planta deverá apoiar a conclusão do estudo definitivo de viabilidade (DFS), prevista para junho de 2026, e testes com fornecedores de equipamentos de longo prazo, cujas primeiras encomendas estão previstas para o terceiro trimestre deste ano.
A Viridis projeta o início da produção comercial do Colossus para 2028.
Sistema de reaproveitamento de água integra estratégia ambiental
A estrutura do CPTR também inclui um sistema de tratamento com descarga líquida zero (ZLD), voltado à reutilização de água e reagentes no processo industrial. Segundo a companhia, o objetivo é reduzir impactos ambientais e custos operacionais.
Os resíduos sólidos gerados pela planta passam por desaguamento e lavagem, permitindo reaproveitamento no preenchimento de cavas de mineração, em linha com práticas consideradas sustentáveis pela indústria.
Além da operação industrial, o centro possui instalações administrativas e de treinamento voltadas à formação de mão de obra local para futuras operações do projeto em Poços de Caldas e municípios vizinhos, como Caldas, Andradas e Águas da Prata.












