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Por Ricardo Lima
A Usiminas encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 896 milhões, resultado 166% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando a companhia havia apurado R$ 337 milhões. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a alta foi de 596%. O resultado reflete melhor desempenho operacional e financeiro da empresa, favorecida também por ganhos cambiais líquidos no período.
O EBITDA ajustado consolidado somou R$ 653 milhões entre janeiro e março, avanço de 56% frente ao quarto trimestre de 2025. Em relação ao primeiro trimestre do ano anterior, porém, houve recuo de 11%. A margem EBITDA ficou em 11%, acima dos 7% do trimestre anterior e em linha com o mesmo intervalo de 2025.
A receita líquida alcançou R$ 5,9 bilhões, queda de 5% na comparação trimestral e retração de 14% em relação ao mesmo período do ano passado, pressionada pelo desempenho das unidades de siderurgia e mineração.
Segundo a companhia, o trimestre terminou com caixa líquido de R$ 391 milhões, indicador que reforça a posição financeira da empresa. O fluxo de caixa livre permaneceu positivo em R$ 84 milhões, mesmo com investimentos de R$ 285 milhões no período.
“Estamos trabalhando […] por meio da busca contínua por eficiência operacional, disciplina na alocação de capital, otimização do mix de produtos e fortalecimento das relações comerciais”, afirmou o presidente da Usiminas, Marcelo Chara.
Para os próximos trimestres, Chara avalia que o ambiente de negócios deve permanecer desafiador, sobretudo pelos impactos da Guerra do Irã sobre as economias global e brasileira. Segundo o executivo, o conflito pressiona os preços do petróleo e do gás natural, contribui para a alta da inflação, desacelera a queda dos juros e amplia o risco de rupturas nas cadeias de suprimentos, especialmente no transporte marítimo de mercadorias.
Siderurgia
A divisão de siderurgia registrou EBITDA ajustado de R$ 544 milhões, crescimento de 140% em relação ao trimestre anterior. De acordo com a empresa, o avanço foi sustentado pelo aumento de 4,9% da receita líquida por tonelada, impulsionado por melhores preços e pelo mix de vendas, com destaque para o segmento automotivo.
O custo de produtos vendidos por tonelada caiu 1,8%, beneficiado pela desvalorização do dólar frente ao real.
A produção de aço bruto somou 729 mil toneladas, queda de 7% ante o quarto trimestre de 2025 e de 6% frente ao mesmo período do ano anterior. Já as vendas totalizaram 1,007 milhão de toneladas, recuo de 7% na base trimestral e de 8% na comparação anual.
“Na Siderurgia o volume de vendas deve permanecer no mesmo patamar, se mantendo a dinâmica positiva no segmento automotivo e desafiadora nos segmentos comerciais”, disse Chara.
No ambiente de mercado, a empresa destacou ainda os efeitos das medidas antidumping adotadas pelo governo brasileiro sobre importações de aço laminado a frio e revestido, anunciadas em fevereiro. Para a companhia, a iniciativa tende a fortalecer a defesa comercial da indústria nacional diante da concorrência externa.
Minério de ferro
Na mineração, o EBITDA ajustado foi de R$ 111 milhões no trimestre, retração de 40,1% frente aos R$ 185 milhões apurados no trimestre anterior. Em relação ao primeiro trimestre de 2025, quando o resultado foi de R$ 125 milhões, também houve queda.
O volume de produção atingiu 1,9 milhão de toneladas de minério de ferro, redução de 18% na comparação trimestral e de 10% em base anual.
Segundo a Usiminas, o desempenho foi impactado por chuvas mais intensas e contínuas, que alteraram as características do material processado e reduziram a eficiência operacional. Também houve ajustes para priorização de áreas com maior produtividade.
“Na Mineração, esperamos recuperação no volume de vendas e aumento dos custos logísticos, pelos maiores preços do diesel e do frete marítimo”, afirmou o presidente.
Investimentos
A companhia informou que mantém em andamento projetos considerados prioritários para elevar eficiência e competitividade.
Entre eles está a planta de PCI (Pulverized Coal Injection), com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026, embora os primeiros benefícios já tenham sido capturados ao longo do trimestre.














