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Demanda global por cobre deve crescer 50% até 2040 e abre oportunidade para o Brasil

Seminário do Ibram destaca déficit projetado de 10 milhões de toneladas, potencial brasileiro para ampliar a produção e desafios ligados a licenciamento, infraestrutura e segurança jurídica.

11 de junho de 2026
em Eventos
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Demanda global por cobre deve crescer 50% até 2040 e abre oportunidade para o Brasil

Entraves como licenciamento ambiental, infraestrutura, insegurança jurídica e escassez de mão de obra especializada impactam crescimento do setor. Foto: Ibram / Reprodução.

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Por Redação

A demanda global por cobre deverá saltar de 28 milhões para 42 milhões de toneladas entre 2025 e 2040, impulsionada pela eletrificação da economia, inteligência artificial, data centers e pelo aumento dos investimentos em defesa. A expansão do consumo, porém, deve resultar em um déficit estimado de 10 milhões de toneladas no mercado mundial, cenário que abre espaço para países produtores como o Brasil ampliarem sua participação na cadeia do metal.

A avaliação foi feita por especialistas e executivos durante o Painel Cadeia de Cobre, realizado nesta quarta-feira (10), no Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Apesar do potencial geológico brasileiro, representantes do setor apontaram entraves como licenciamento ambiental, infraestrutura deficiente, insegurança jurídica e escassez de mão de obra especializada.

Déficit global deve acelerar busca por novos produtores

Ao abrir o debate, a CEO da RG Impact e senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Rafaela Guedes, destacou que o cobre se tornou um insumo central para a economia digital e para a transição energética.

Segundo ela, estudo recente da S&P Global aponta que o consumo mundial do metal deverá crescer cerca de 50% nos próximos 15 anos.

“Se em 2025 o consumo de cobre foi de 28 milhões de toneladas, a gente vai chegar à expectativa de 42 milhões de toneladas em 2040. E o déficit para 2040 já é de 10 milhões de toneladas.”

A executiva afirmou que a expansão da demanda está concentrada em quatro grandes vetores: infraestrutura tradicional, veículos elétricos, inteligência artificial e defesa.

“Um veículo elétrico usa três vezes mais cobre do que um veículo convencional”, destacou. Ela também chamou atenção para o crescimento do consumo energético associado à inteligência artificial e aos data centers, além do avanço da demanda militar em um cenário de maior tensão geopolítica.

Brasil reúne condições para atrair investimentos

Para Breno Delfino Martins, diretor técnico da Mineração Vale Verde, o Brasil apresenta vantagens competitivas relevantes para captar investimentos voltados ao cobre.

Segundo ele, embora o país não figure entre os maiores produtores globais, ainda possui extensas áreas pouco conhecidas do ponto de vista geológico, o que amplia o potencial para novas descobertas.

“A gente tem uma área ainda pouco mapeada e pouco conhecida, o que traz um potencial imenso para o território e para o cobre.”

Martins também destacou a disponibilidade de energia renovável e a busca de grandes potências por alternativas aos atuais polos dominantes de produção.

Ele observou, contudo, que a expansão da atividade depende de investimentos em tecnologia de exploração mineral, incluindo inteligência artificial, drones e levantamentos geofísicos, capazes de reduzir riscos e custos nas fases iniciais dos projetos.

Outro ponto considerado crítico é o aprofundamento dos depósitos minerais e a necessidade de ampliar o conhecimento geológico e geometalúrgico antes do início das operações.

Licenciamento e infraestrutura seguem entre os principais gargalos

O vice-presidente da Ero Copper, Eduardo de Come, afirmou que os desafios para ampliar a produção brasileira não estão relacionados à tecnologia de mineração, mas à execução dos projetos.

Segundo ele, o principal obstáculo continua sendo a falta de previsibilidade nos processos de licenciamento ambiental.

“Ninguém do mercado defende um licenciamento frouxo. O que as empresas precisam é de previsibilidade nessas etapas.”

De acordo com o executivo, a incerteza sobre prazos eleva o risco dos empreendimentos e dificulta a atração de capital.

A infraestrutura também aparece como fator limitante. Como grande parte das minas está localizada em regiões remotas, questões relacionadas a rodovias, portos e energia elétrica acabam impactando diretamente a competitividade dos projetos.

“Às vezes você consegue construir uma planta em três ou quatro anos, mas obter um berço portuário ou um licenciamento para infraestrutura pode demorar tanto quanto”, afirmou.

O executivo ainda citou preocupações com segurança jurídica, disputas fundiárias e a crescente dificuldade para formar e atrair profissionais especializados.

Licença social ganha peso estratégico

Além dos desafios regulatórios, os representantes do setor ressaltaram a importância da chamada licença social para operar.

Martins defendeu que o relacionamento com comunidades locais deve começar ainda na fase de planejamento dos empreendimentos.

“Se o projeto não começa com uma participação massiva da comunidade, eu acho que isso aumenta os riscos ao longo da vida da mina.”

Na mesma linha, Eduardo de Come afirmou que parte dos conflitos surge da percepção de que as comunidades não se beneficiam proporcionalmente dos resultados econômicos gerados pela mineração.

Segundo ele, a capacidade de compartilhar valor com os territórios onde os projetos estão instalados será cada vez mais determinante para a continuidade das operações.

Produção de concentrado concentra maior parte do valor da cadeia

Durante o debate, o diretor de Assuntos Corporativos da Vale Base Metals, José Luiz Marques, contestou a ideia de que a exportação de concentrado de cobre represente baixa agregação de valor para o país.

Segundo ele, a produção do concentrado já captura entre 90% e 94% do valor econômico da cadeia.

“Produzir concentrado de cobre é maximizar o valor.”

O executivo explicou que a construção de fundições (smelters) para transformar o concentrado em cobre refinado exige investimentos bilionários e, nas condições atuais de mercado, não apresenta viabilidade econômica no Brasil.

De acordo com Marques, uma unidade com capacidade para processar cerca de 1 milhão de toneladas de concentrado exigiria investimentos da ordem de US$ 4 bilhões.

Ele atribuiu a forte expansão da capacidade de fundição chinesa nas últimas décadas à escala de mercado e ao apoio governamental por meio de incentivos e subsídios.

Oferta mundial precisará de novas minas

A head de Commodity Strategy da BHP, Laura Whitton, afirmou que a estratégia para participação na cadeia do cobre depende das características de cada país, incluindo geologia, infraestrutura, disponibilidade de energia, mão de obra e mercado consumidor.

Segundo ela, fatores como segurança de suprimento e geopolítica passaram a influenciar cada vez mais as decisões sobre investimentos em processamento e refino.

Apesar das discussões sobre a expansão da capacidade de fundição, Whitton avaliou que o principal desafio global está na produção mineral.

“O mundo definitivamente precisa de mais minas de cobre, independentemente da forma como se analise o mercado.”

Para a executiva, o cenário atual representa uma oportunidade relevante para países que consigam destravar projetos e ampliar a oferta do metal considerado essencial para a transição energética e a economia digital.

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