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Por Ricardo Lima
O Brasil aparece em posição estratégica no cenário global da mineração por sua estabilidade geopolítica e potencial em minerais críticos, mas enfrenta pressão crescente com o encarecimento dos custos e a seletividade do capital para investimentos. É o que mostra o recorte nacional do estudo “Top 10 business risks and opportunities for mining and metals“, da EY (grupo Ernst Young), que coloca o capital em primeiro lugar entre as principais oportunidades e riscos do setor para 2026.
Na sequência do ranking brasileiro aparecem aumento de custos e produtividade, além da licença para operar. O levantamento também destaca temas como complexidade operacional e agenda ESG entre fatores relevantes para o mercado local.

Imagem: EY / Divulgação.
Segundo Afonso Sartorio, líder de Energia e Recursos Naturais da EY, o o ambiente de financiamento no país tornou-se mais restritivo. “O capital para investimentos está mais seletivo e, consequentemente, mais caro”, afirmou.
“O acesso a capital teve prioridade na visão do mercado brasileiro, enquanto a complexidade operacional foi o destaque do ranking global”, contrasta. Segundo ele, o resultado indica que os executivos adotam postura pragmática, ao concentrar atenção em fatores sob seu controle, mesmo diante da crescente relevância da geopolítica.
Quando questionados sobre alocação de recursos, 34% dos entrevistados brasileiros apontaram fusões e aquisições (M&As) como prioridade, enquanto 36% citaram projetos brownfield, realizados em áreas com infraestrutura existente ou minas em operação. Ambos os percentuais superam a média global de 25%.
Para Marcelo Andrade, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon, o contexto internacional favorece o país. “O capital global tem incorporado cada vez mais critérios geopolíticos em suas decisões de alocação, priorizando ativos localizados em jurisdições consideradas ‘friend-shore’ ou geopoliticamente alinhadas. Neste contexto, o Brasil tende a se tornar relativamente mais atrativo”, explica
Ele acrescenta que fatores como reservas subexploradas de minerais críticos, distância de zonas de conflito e matriz energética mais limpa ampliam essa vantagem competitiva.
Andrade também vê oportunidade para o avanço das terras raras brasileiras, desde que haja estratégia diplomática. “É preciso equilíbrio: cautela diplomática, mas também visão estratégica, porque os minerais críticos serão fundamentais para diversas indústrias no futuro”, afirma
Complexidade operacional e ESG
Embora a complexidade operacional tenha ficado em quinto lugar no ranking brasileiro, a avaliação da EY é que o tema seguirá central para o setor. O esgotamento de depósitos superficiais, maior rigor regulatório e necessidade de operar em áreas mais profundas elevam os custos e demandam inovação tecnológica.
“Os corpos minerais estão onde estão. Por isso, a complexidade está cada vez maior e assim será”, afirma Sartorio. Segundo ele, novas operações exigem maior conhecimento geológico, equipamentos especializados e tecnologias de mapeamento.
A agenda ESG também aparece como fator estruturante para novos projetos. “Hoje, não há mais nenhum rascunho de projeto que não considere essas temáticas”, diz o executivo.
Entre os respondentes brasileiros, 28% indicaram a circularidade como prioridade ESG para os próximos 12 meses, percentual superior à média global de 16%. O conceito envolve reaproveitamento de resíduos e geração de novos negócios a partir de materiais antes descartados.
Sartorio destacou ainda a importância da relação com comunidades impactadas. “Compartilhar valor com esses stakeholders, desenvolver essas regiões e suas populações são ações alinhadas com as necessidades do Brasil”, concluiu.
O estudo da EY foi realizado entre junho e julho de 2025 com 500 executivos globais dos setores de mineração e metais de empresas com faturamento superior a US$ 1 bilhão. O recorte brasileiro representa cerca de 10% da base de entrevistados.












