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Por Redação
Executivos das principais empresas de fertilizantes em operação ou desenvolvimento no Brasil defenderam nesta quatta-feira (10) a adoção de políticas de longo prazo e maior previsibilidade regulatória para viabilizar investimentos capazes de reduzir a forte dependência brasileira de insumos importados. A avaliação foi apresentada durante o painel sobre a cadeia de fertilizantes do Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).
Embora o país reúna reservas minerais relevantes, mercado consumidor em expansão e uma das maiores potências agrícolas do mundo, representantes do setor afirmaram que projetos bilionários seguem enfrentando entraves relacionados ao licenciamento ambiental, à insegurança jurídica e às deficiências logísticas.
“O Brasil tem três fatores importantes que poucos países têm: mercado consumidor crescente, reservas muito interessantes e aptidão agrícola. Isso faria com que o Brasil tivesse potencial para ser um dos maiores produtores de fertilizantes do mundo”, afirmou Warley José Gomes Pereira, diretor executivo de operações da EuroChem Salitre.
“O investidor não tem problema com rigor. Deve ser rigoroso. Mas a falta de previsibilidade ao longo do processo de licenciamento causa aversão ao investimento”, afirmou Warley José Gomes Pereira, diretor executivo de operações da EuroChem Salitre
Dependência expõe país a choques globais
Os executivos destacaram que a concentração das importações em poucos fornecedores aumenta os riscos para o abastecimento nacional.
CEO da South Atlantic Potash (SAP), Bonzi Yokomizo Baptista dos Santos lembrou que cerca de 65% do potássio importado pelo Brasil vem de Rússia e Belarus, cenário que ficou evidente durante a guerra no Leste Europeu.
“Em 2022, com a crise e a guerra entre Rússia e Ucrânia, o potássio saiu de cerca de US$ 300 por tonelada para até US$ 1.200 por tonelada”, afirmou.
Henrique Oliveira, diretor sênior de projetos estratégicos da Mosaic, ressaltou que a dependência também afeta outros insumos estratégicos.
“Hoje o enxofre tem sido realmente um grande desafio. Vemos que 92% do enxofre no Brasil é importado. Quando temos cenários geopolíticos mais complexos, essa cadeia de importação traz bastante complicações para o produtor”, disse.
Projetos prometem ampliar produção nacional
Durante o painel, empresas apresentaram projetos que podem ampliar significativamente a oferta doméstica de fertilizantes.
A Potássio do Brasil informou que o Projeto Autazes, no Amazonas, prevê produção de 2,4 milhões de toneladas anuais de cloreto de potássio. Segundo a companhia, o empreendimento poderá gerar cerca de R$ 25 bilhões em tributos ao longo de sua vida útil e reduzir de até 120 para cerca de 10 dias o tempo de entrega do produto aos centros consumidores.
Já a SAP anunciou estudos para exploração offshore de silvinita em Sergipe. Segundo a empresa, nove alvos identificados possuem potencial estimado em 3,5 bilhões de toneladas do minério.
A EuroChem destacou o avanço da operação integrada de Serra do Salitre (MG), que deverá alcançar sua capacidade nominal de produção de 1 milhão de toneladas de fertilizantes em 2027. O complexo recebeu investimentos de aproximadamente US$ 1 bilhão.
A Stratos, que adquiriu em 2024 os ativos de potássio da Mosaic em Sergipe, informou que trabalha para ampliar a vida útil da única mina brasileira em operação de cloreto de potássio.
“Hoje já falamos com tranquilidade que levamos essa mina até 2042, podendo ampliar ainda mais a partir dos estudos e pesquisas de desenvolvimento”, afirmou o diretor de operações da empresa, Mauro Lopes Cordeiro.
Licenciamento e previsibilidade são principais obstáculos
Apesar do potencial dos projetos, os participantes foram unânimes ao apontar o ambiente regulatório como um dos principais gargalos para novos investimentos.
Bonzi Yokomizo afirmou que o setor não busca flexibilização ambiental, mas previsibilidade nos processos.

Bonzi Yokomizo. Foto: Ibram / Divulgação.
“A mineração não quer flexibilidade irresponsável. Ela quer uma robustez com previsibilidade”, declarou.
Na mesma linha, Warley José Pereira afirmou que a falta de previsibilidade afasta investidores internacionais.
“O investidor não tem problema com rigor. Deve ser rigoroso. Mas a falta de previsibilidade ao longo do processo de licenciamento causa aversão ao investimento”, disse.
Segundo os executivos, projetos de mineração exigem investimentos bilionários e ciclos de retorno que podem ultrapassar duas décadas, tornando a estabilidade regulatória um fator decisivo para atração de capital.
Setor cobra construção de um ecossistema nacional
Além das questões regulatórias, representantes da indústria defenderam uma articulação mais ampla entre governo, financiadores, produtores e consumidores para fortalecer a produção nacional.
Presidente da Potássio do Brasil, Sergio Marcio de Freitas Leite afirmou que o país precisa construir um ecossistema capaz de corrigir o desequilíbrio entre a força do agronegócio e a fragilidade da produção de insumos.
“Somos uma potência mundial em termos de produtores e anões em termos de insumo básico tão necessário quanto a geração de divisas que o país precisa”, afirmou.
Leite também destacou a importância de ampliar o apoio ao produto nacional.
“Está faltando um ator aqui, que é quem consome. O consumidor precisa levar para sua agenda um olhar especial para o produto nacional. Isso acelerará a redução desse desbalanceamento.”
Consenso sobre potencial brasileiro
Apesar dos desafios, o painel terminou com uma avaliação convergente entre os participantes: a demanda existe, os recursos minerais estão disponíveis e há projetos em desenvolvimento capazes de reduzir a dependência externa do país.
“O que falta realmente é avançar na produção”, resumiu Henrique Oliveira, da Mosaic.













