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Por Ricardo Lima
O Serviço Geológico do Brasil (SGB), órgão responsável pelo mapeamento geológico e avaliação do potencial mineral nacional, esclarece dúvidas sobre a capacidade do país na área de elementos terras raras (ETR) e outros minerais estratégicos. Além de mapear recursos, o SGB apoia o desenvolvimento de políticas públicas e investimentos privados, fortalecendo a presença brasileira em cadeias produtivas essenciais para a transição energética e o avanço tecnológico.
De acordo com o diretor-presidente do SGB, Inácio Melo: “O trabalho que realizamos subsidia políticas públicas, orienta investimentos privados e fortalece a presença do Brasil em cadeias produtivas globais essenciais para a transição energética, segurança alimentar e o desenvolvimento tecnológico”, destaca Melo.
Brasil e seu protagonismo nas reservas globais
O país é o maior detentor de reservas de nióbio do mundo, com 16 milhões de toneladas, correspondendo a 94% das reservas globais. Ocupa também a segunda colocação mundial em reservas de grafita, com 74 milhões de toneladas (26%), e em terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas, que representam aproximadamente 23% do total mundial. O Brasil ainda possui a terceira maior reserva de níquel, com 16 milhões de toneladas (12%). Os dados são apresentados na publicação “Uma Visão Geral do Potencial de Minerais Críticos e Estratégicos do Brasil”, do SGB.
“o Brasil se tornará o maior produtor global de Elementos de Terras Raras”.
Inácio Melo – Diretor-presidente do SGB
Apesar de deter a segunda maior reserva global de terras raras, o Brasil produziu em 2024 apenas 20 toneladas desses elementos, menos de 1% da produção mundial que totalizou 390 mil toneladas. Segundo Inácio Melo, “o Brasil se tornará o maior produtor global de ETRs”, mas para isso será necessário superar desafios. “Precisamos descobrir novas ocorrências e superar as limitações tecnológicas e logísticas”, diz Melo.
O diretor-presidente do SGB ressalta ainda a necessidade de desenvolver tecnologias em parceria com institutos de pesquisa e o setor privado. “Parcerias entre o SGB, outras ICTs e o setor privado serão o caminho seguro para o desenvolvimento de novas tecnologias que se tornarão a chave para o Brasil transformar recursos estimados em depósitos minerais medidos e viáveis economicamente”, destaca o diretor-presidente. Atualmente, a China domina não só a produção de terras raras, mas também a cadeia tecnológica de separação e refino dos óxidos de alta pureza desses elementos.
Principais depósitos e características dos elementos terras raras no Brasil
As maiores concentrações de terras raras no Brasil estão distribuídas principalmente em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. Estes estados possuem depósitos minerais com potencial econômico significativo, segundo levantamentos do SGB, Agência Nacional de Mineração (ANM) e estudos técnicos consolidados.
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos, entre eles os 15 lantanídeos, além do escândio e do ítrio, conhecidos por suas propriedades magnéticas, elétricas, catalíticas e luminescentes. Dentre eles, o neodímio, praseodímio, térbio e disprósio são os mais utilizados na fabricação de ímãs magnéticos.
No Brasil, os elementos terras raras são geralmente encontrados como subprodutos em depósitos de outros minerais, especialmente nióbio e fosfato. Dentre os mais de 200 minerais que contêm ETR, apenas alguns têm viabilidade econômica para exploração, como bastnaesita, monazita, xenotímio e loparita. Apesar de não serem escassos, esses elementos são considerados críticos pela complexidade de extração e beneficiamento.
Estudos e projetos para o avanço do setor
O Serviço Geológico do Brasil mantém um projeto focado na avaliação do potencial de terras raras no país, inserido na linha de minerais estratégicos para a transição energética do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As pesquisas ocorrem principalmente em Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Paraná, São Paulo e Santa Catarina, além de áreas potenciais nos estados do Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará, Piauí e região da Elevação do Rio Grande.
Em Minas Gerais, destaca-se a reserva oficialmente reconhecida em Araxá, com depósitos de apatita e calcita, além de recursos significativos identificados em Poços de Caldas e Tapira. Goiás abriga a mina ativa de Serra Verde, em Minaçu, que é a primeira fora da Ásia a explorar argilas iônicas, consideradas a principal fonte de terras raras pesadas do mundo. A mina possui recursos medidos de cerca de 22 milhões de toneladas. Outras ocorrências relevantes no estado incluem projetos em Nova Roma e Catalão.
No Amazonas, os depósitos de Seis Lagos e Pitinga apresentam recursos minerais importantes, embora restrições legais impeçam sua exploração, especialmente em áreas de reserva indígena. Na Bahia, o Complexo de Jequié destaca-se por mineralizações com alto teor de terras raras, incluindo depósitos de bauxita e monazita, enquanto Sergipe possui reservas de monazita em antigos cordões litorâneos e dunas do delta do Rio São Francisco.
Aplicações e importância estratégica
Os elementos terras raras são fundamentais para a fabricação de produtos de alta tecnologia e energia limpa, como turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos aeroespaciais. Suas propriedades magnéticas e elétricas tornam-nos essenciais para avanços tecnológicos e para o atendimento às demandas globais por energia sustentável.
O desenvolvimento do setor mineral brasileiro, com foco em terras raras, está alinhado à estratégia de consolidar o país como protagonista mundial, garantindo autonomia tecnológica e participação em cadeias produtivas globais críticas para o futuro energético e tecnológico.












