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Home Tecnologia & Inovação

Norsk Hydro usa IA para prever falhas em equipamentos de mina de bauxita no Brasil

Sistema da AVEVA integra dados operacionais, cria mais de 65 regras de negócio automatizadas e permite identificar riscos antes de falhas críticas

10 de agosto de 2026
em Tecnologia & Inovação
0
Norsk Hydro usa IA para prever falhas em equipamentos de mina de bauxita no Brasil

Foto: Norsk Hydro / Reprodução.

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Por Redação

A Norsk Hydro passou a utilizar inteligência artificial e uma infraestrutura unificada de dados para antecipar falhas em equipamentos móveis empregados na extração de bauxita no Brasil. O sistema, desenvolvido com tecnologias da AVEVA, empresa de software industrial, reúne informações de sensores, telemetria da frota, análises laboratoriais e sistemas corporativos para identificar riscos operacionais e orientar intervenções de manutenção antes que ocorram paradas críticas.

A iniciativa faz parte dos programas internos Zero Equipment Breakdown (ZEB) e de Gestão de Performance de Ativos (GPA). De acordo com a Norsk Hydro, a integração entre o AVEVA PI System e algoritmos de Inteligência Artificial e Machine Learning permitiu superar a fragmentação das informações operacionais e reduzir o volume de alertas que anteriormente exigiam análise manual das equipes.

O projeto foi direcionado inicialmente a três questões centrais da operação: como reparar um equipamento, por que determinada falha ocorreu e quais medidas podem evitar novas ocorrências.

Dados fragmentados dificultavam manutenção

O principal desafio da mineradora era adaptar métodos tradicionalmente utilizados na gestão de ativos industriais fixos para máquinas móveis de grande porte, como caminhões, tratores e mineradores de superfície.

“O mercado costuma aplicar a gestão de performance em equipamentos industriais fixos. O nosso grande desafio foi expandir essa abordagem para equipamentos móveis de mineração, como caminhões, tratores e mineradores de superfície”, afirma Dyulia Rossi, engenheira de Confiabilidade da Norsk Hydro.

Segundo a engenheira, antes da implantação da nova estrutura havia dificuldades relacionadas à fragmentação dos dados, à integração limitada com os sistemas de despacho da frota e ao grande volume de alertas gerados manualmente.

Para centralizar as informações, a companhia utilizou a arquitetura do AVEVA PI System para reunir dados provenientes de sensores de Internet das Coisas (IoT), telemetria de equipamentos de diferentes fabricantes, registros laboratoriais e sistemas corporativos, como o SAP.

IA cria regras automáticas para antecipar riscos

Com os dados integrados, a Norsk Hydro estruturou uma taxonomia de ativos no PI Asset Framework (PIAF), organizando informações desde o nível da planta e dos fabricantes dos equipamentos até componentes e subsistemas específicos, como motores e circuitos hidráulicos.

Essa estrutura serviu de base para a aplicação de modelos de inteligência artificial. Segundo Dyulia Rossi, a empresa adotou uma arquitetura RAG (Retrieval-Augmented Generation) e Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs) para cruzar diferentes variáveis operacionais e criar mais de 65 regras de negócio automatizadas.

De acordo com a companhia, o sistema passou a apoiar análises de causa raiz, automatizar etapas do FMEA — Análise de Modos de Falha e Efeitos — e recomendar ações de manutenção prescritiva em poucos segundos.

“O verdadeiro valor da nossa gestão de ativos está na janela de oportunidade”, diz Rossi. “Em vez de reagir a uma falha funcional, quando a operação já foi impactada, nós estruturamos os dados para identificar a falha potencial no início. Quanto mais cedo detectarmos o problema, maior será a nossa capacidade de agir e evitar paradas críticas.”

Plataforma monitora milhares de dados simultaneamente

Segundo a Norsk Hydro, a infraestrutura implantada conta com mais de 200 telas de monitoramento online, mais de 8 mil PI Points integrados, 50 tabelas de dados nativas e cerca de 1.200 elementos estruturados na plataforma.

O conjunto de informações alimenta aproximadamente 5 mil análises simultâneas e 350 notificações automatizadas, de acordo com os dados divulgados pela empresa.

A expectativa é que a automação permita às equipes concentrar a atenção em ocorrências consideradas prioritárias, com maior potencial de impacto sobre a disponibilidade dos equipamentos e a continuidade das operações.

Intervenção preventiva custou menos de 1% de reparo após falha

Em um dos casos relatados pela Norsk Hydro, o sistema identificou um tempo de deslocamento anormalmente elevado em um minerador de superfície e emitiu um alerta preditivo.

A recomendação foi abrir imediatamente uma ordem de serviço para a substituição do óleo da caixa de engrenagens responsável pelo deslocamento do equipamento. Segundo a empresa, o custo da intervenção preventiva representou menos de 1% do valor que seria necessário para reparar a máquina caso ocorresse uma falha mecânica total.

O caso ilustra a estratégia adotada pela mineradora de utilizar dados e inteligência artificial para atuar sobre sinais iniciais de deterioração dos ativos, reduzindo a necessidade de intervenções emergenciais e o risco de períodos prolongados de indisponibilidade dos equipamentos.

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