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Por Ricardo Lima
O setor mineral brasileiro faturou R$ 77,9 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2025, quando registrou R$ 73,8 bilhões. Os dados são do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e foram apresentados nesta quarta-feira (15).
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo avanço das exportações em valor, pela valorização de commodities como ouro e cobre e pela manutenção de níveis elevados de produção, apesar da leve queda no faturamento do minério de ferro.
O minério de ferro respondeu por 48% do faturamento do setor no trimestre, somando R$ 37,5 bilhões. Ainda assim, houve recuo de 3% na receita dessa commodity em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em contrapartida, outros minerais ganharam destaque. O ouro teve forte valorização internacional, com alta de 70,3% no preço médio, o que impulsionou o faturamento do segmento em 45%, para R$ 13,5 bilhões. Já o cobre registrou crescimento de 28% na receita, alcançando R$ 10,3 bilhões.
Comércio exterior e mercado interno
As exportações do setor mineral somaram 87,9 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, volume 0,9% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Em valor, os embarques alcançaram US$ 11,4 bilhões, um crescimento expressivo de 21,5%, refletindo sobretudo a valorização das commodities no mercado internacional.
O minério de ferro manteve protagonismo no comércio exterior, respondendo por 53,9% das exportações do setor. Já o ouro e o cobre também tiveram desempenho relevante, com altas significativas tanto em preço quanto em receita e volume exportado.
As importações minerais, por sua vez, cresceram em ritmo mais acelerado. Em volume, houve aumento de 15,1%, totalizando 10 milhões de toneladas. Em valor, a alta foi de 29%, chegando a US$ 2,1 bilhões no trimestre.
Com isso, o saldo da balança comercial mineral atingiu US$ 9,29 bilhões, alta de 20% na comparação anual, representando 66% do superávit total da balança comercial brasileira, que somou US$ 14,17 bilhões no período.
Para Julio Nery, diretor de Assuntos Minerários do Ibram, o resultado reforça a relevância do setor no comércio exterior. “O aumento de 20% mostra o que a mineração representa no saldo comercial brasileiro”, afirma.
No mercado interno, a arrecadação de impostos e tributos pelo setor mineral totalizou R$ 26,9 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 5,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) somou R$ 1,98 bilhão, com crescimento de 1,3%, mantendo o minério de ferro como principal fonte, com 65,8% do total arrecadado.
Emprego e investimentos
O setor mineral também apresentou expansão no emprego. Em fevereiro de 2026, a indústria extrativa mineral registrou 230.011 empregos diretos no país, com a criação de 9.029 novas vagas entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026.
Segundo Julio Nery, diretor de Assuntos Minerários do Ibram, o impacto vai além dos números formais de contratação. “Esses são empregos diretos no setor, onde há também os indiretos que vão de 6 a 10 empregos para cada vaga criada“, afirma.
Regionalmente, Minas Gerais, Pará e Bahia lideraram o faturamento no primeiro trimestre, com participações de 38%, 35% e 6%, respectivamente, consolidando-se como os principais polos da atividade mineral no Brasil.
Para os próximos anos, a perspectiva é de continuidade dos investimentos. O setor projeta aplicar US$ 76,9 bilhões entre 2026 e 2030, um aumento de 12,5% em relação ao ciclo anterior. Desse total, US$ 21,3 bilhões devem ser destinados a minerais críticos e estratégicos, como lítio, níquel, cobre e terras raras, com crescimento relevante frente ao período anterior.
Os investimentos em minério de ferro estão estimados em US$ 19,8 bilhões, enquanto projetos socioambientais devem receber US$ 14,7 bilhões, alta de 29,7%. Já os aportes em logística devem somar US$ 11,3 bilhões, com avanço mais moderado.
Esse cenário indica que, apesar das oscilações em commodities tradicionais como o minério de ferro, o setor mineral brasileiro segue sustentado pela diversificação da produção, pela demanda externa aquecida e pela ampliação dos investimentos em minerais estratégicos.













