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Por Ricardo Lima
A América do Sul e o Brasil podem ampliar sua relevância no mercado global de terras raras ao combinar reservas ainda não exploradas, capacidade para desenvolver processamento local, potencial de reciclagem de materiais e maior gestão de riscos na mineração, aponta estudo da KPMG, empresa global de auditoria e consultoria.
Atualmente, mais de 70% da oferta mundial de terras raras está concentrada na China, cenário que eleva riscos de abastecimento e vulnerabilidades geopolíticas. Nesse contexto, o Brasil surge como ator relevante no mercado por concentrar as segundas maiores reservas globais, apesar de ocupar apenas a 12ª posição na produção.
“O Brasil […] enfrenta uma oportunidade histórica de fechar essa lacuna e consolidar sua presença como país relevante no mercado global”, diz Manuel Fernandes, sócio-líder de Energia e Recursos Naturais da KPMG.
A KPMG aponta que a diversificação geográfica da oferta é uma das principais oportunidades para a América do Sul. Com reservas ainda não exploradas, a região poderia ampliar a segurança do fornecimento global e reduzir a concentração atual do mercado.
Outro eixo considerado estratégico é o desenvolvimento de capacidades locais de processamento. A avaliação é que a experiência regional em mineração, a infraestrutura básica e a disponibilidade de mão de obra qualificada criam condições para instalação de plantas de refino e maior agregação de valor na origem.
O estudo também cita a economia circular como componente relevante para o setor. A ampliação de políticas de reciclagem de componentes eletrônicos, baterias e motores elétricos poderia complementar a oferta primária de minerais críticos e reduzir a pressão sobre recursos naturais.
Fernandes afirma que a diversificação das fontes de produção tende a ganhar urgência com o avanço da transição energética. “A penetração massiva de veículos elétricos e a instalação acelerada de parques eólicos exigirão volumes sem precedentes de terras raras”, diz.
Nesse contexto, acrescenta, a economia global deverá recorrer a estratégias complementares, como a reciclagem de ímãs, o desenvolvimento de tecnologias substitutivas e modelos de economia circular voltados à recuperação de materiais críticos.
A quarta frente envolve a incorporação de variáveis geopolíticas, climáticas e econômicas no planejamento da mineração, com o objetivo de antecipar interrupções e criar mecanismos de resposta para preservar a estabilidade das cadeias de suprimentos.













