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Por Redação
A automação, a conectividade e a inteligência artificial estão ampliando o potencial de eficiência, segurança e redução de impactos ambientais na mineração, de acordo com José Carlos Martins, presidente da Cedro Participações, e Patrícia Seoane, sócia e líder de mineração da PwC Brasil, durante o Fórum Estadão New Mining | Minério Verde. Os especialistas, porém, destacaram que a transformação digital do setor depende de investimentos, acesso a crédito, integração de sistemas, qualidade dos dados e cibersegurança.
Martins afirmou que a mineração mundial está atualmente entre os estágios 2.5 e 3 de digitalização e caminha para um modelo integrado. “A mineração 4.0 hoje, em termos mundiais, é uma meta, um ideal. A gente caminha para ela”, afirmou. Segundo ele, a conectividade permite integrar sensores, drones, radares e equipamentos autônomos a centros de controle capazes de processar dados em tempo real.
Integração é o principal desafio
A tecnologia já permite operações com caminhões autônomos, equipamentos elétricos e sistemas de monitoramento remoto, mas aplicações isoladas ainda são comuns nas minas. Para Martins, o maior ganho virá da integração das diferentes etapas. “Você não tem um processo todo integrado. E a gente sabe que o custo normalmente está nas interfaces, entre uma etapa e outra”, disse.

José Carlos Martins, presidente da Cedro Participações, destacou a importância da integração de sistemas e da conectividade para avançar em direção à mineração 4.0. Foto: Estadão / Reprodução.
A integração pode aumentar a eficiência, reduzir custos e melhorar a segurança e o desempenho ambiental, mas depende da qualidade dos dados processados pela inteligência artificial. A adoção também tende a ser mais simples em projetos novos do que em minas já em operação. “A coisa mais difícil é chegar numa mina, operando, e querer entrar ali com uma introdução”, afirmou Martins.
Capital é obstáculo à modernização
Apesar da disponibilidade de tecnologias, o custo de capital é uma das principais barreiras à transformação digital. Martins explicou que a mineração 4.0 exige investimentos iniciais maiores, embora possa reduzir o custo operacional no longo prazo. “O empresário, às vezes, tem uma oportunidade. E ele tem uma limitação de capital”, afirmou.
Patrícia Seoane destacou que o acesso ao crédito é uma diferença importante entre grandes e pequenas mineradoras. Segundo ela, o mercado de capitais brasileiro ainda poderia ampliar as alternativas de financiamento para projetos de maior risco, como ocorre em países como Canadá e Austrália.
Dados e cibersegurança entram no centro da operação
A digitalização também amplia os riscos cibernéticos. Quanto maior a quantidade de equipamentos conectados e dados compartilhados, maior a exposição a ataques capazes de afetar diretamente a produção.
“O risco cibernético deixou de ser um risco de TI, de um risco operacional”, afirmou Seoane. Segundo ela, um ataque pode não apenas interromper sistemas, mas também afetar equipamentos e provocar acidentes.

Patrícia Seoane, sócia e líder de mineração da PwC Brasil, ressaltou que a transformação digital exige investimentos em tecnologia e segurança dos dados. Foto: Estadão / Reprodução.
A especialista também destacou a qualidade e a propriedade dos dados como desafios. Informações sobre reservas, equipamentos e processos podem ser estratégicas para as mineradoras, enquanto dados pouco confiáveis comprometem os resultados produzidos pela inteligência artificial.
O Fórum Estadão New Mining | Minério Verde – foi realizado nesta quinta-feira, 20 de agosto, no Espaço JK Eventos, em São Paulo. Promovido pelo Estadão, em parceria com o Estadão Blue Studio, o encontro reuniu representantes do setor para discutir os desafios e as oportunidades da transformação da mineração brasileira, com debates sobre tecnologia, inovação, sustentabilidade e competitividade. O evento teve patrocínio da Cedro Mineração.












