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Por Ricardo Lima
A Lithium Ionic anunciou na quarta-feira (12) um acordo definitivo para vender à PLS Brasil Mineração, subsidiária integral do grupo australiano PLS, o conjunto de propriedades de lítio Salinas, em Minas Gerais, por US$ 37,5 milhões em dinheiro. A operação inclui o depósito de Baixa Grande e prevê que a Lithium Ionic mantenha uma participação de 2% sobre a receita futura da venda de espodumênio produzido na área.
Segundo a empresa, US$ 30 milhões serão pagos no fechamento da transação e os US$ 7,5 milhões restantes serão desembolsados na data que ocorrer primeiro entre uma decisão final de investimento positiva para o projeto Colina, da PLS, ou 31 de dezembro de 2029. A conclusão do negócio é esperada em até 10 dias úteis, condicionada ao cumprimento das condições usuais para esse tipo de operação.
Acordo concentra ativos na região do Vale do Lítio
A transação envolve dez direitos minerários e determinados ativos associados ao grupo Salinas, localizado no chamado Vale do Lítio, região de Minas Gerais que reúne importantes projetos de lítio de rocha dura.
O depósito de Baixa Grande deverá ser avaliado pela PLS para uma possível integração ao projeto Colina, que fica em área vizinha. De acordo com a Lithium Ionic, a proximidade entre os dois ativos foi um dos fatores que tornam a PLS uma compradora estratégica para o projeto.
“Salinas demonstra o valor que nossa equipe cria por meio de uma exploração disciplinada”, afirmou o CEO da Lithium Ionic, Blake Hylands. Segundo ele, a companhia entrou na região no início de 2023 e, em menos de dois anos, avançou das primeiras sondagens até a definição de um recurso mineral de espodumênio.
Hylands acrescentou que a operação permite “cristalizar esse valor para os acionistas sem diluição”, ao mesmo tempo em que mantém exposição ao possível desenvolvimento futuro de Baixa Grande por meio do royalty.
Royalty mantém participação no futuro de Baixa Grande
Além do valor pago pela venda dos ativos, a Lithium Ionic continuará recebendo um royalty equivalente a 2% da receita proveniente da venda do espodumênio extraído dos direitos minerários negociados.
O cálculo será feito sobre uma base FOB, com a dedução de determinados custos permitidos pelo acordo. Para a companhia, a estrutura mantém uma exposição financeira ao eventual desenvolvimento de Baixa Grande, mesmo após a transferência dos ativos para a PLS.
A PLS está entre as maiores produtoras mundiais de lítio de rocha dura e tem como principal operação a Pilgangoora, na Austrália Ocidental. O grupo entrou no mercado brasileiro em 2025, após a aquisição da Latin Resources, dona do projeto Colina.

Projeto Baixa Grande em Salinas. Foto: Lithium Ionic / Reprodução.
Com a venda de Salinas, os ativos de Baixa Grande e Colina passam a ficar sob o mesmo grupo empresarial, o que pode facilitar uma eventual estratégia integrada de desenvolvimento da área.
Recursos serão direcionados ao projeto Bandeira
Segundo a Lithium Ionic, os recursos obtidos com a transação deverão fortalecer o caixa da companhia sem necessidade de emissão de novas ações. A empresa pretende direcionar o capital para atividades iniciais, aquisição de equipamentos, contratação e preparação para a construção do projeto Bandeira, também localizado no Vale do Lítio.
A companhia afirma que a operação representa uma mudança de foco, reduzindo sua exposição como exploradora de múltiplos ativos e concentrando recursos no Bandeira, considerado seu principal projeto.
“O fortalecimento do balanço nos permite concentrar esforços no avanço do Bandeira rumo a uma decisão de construção”, disse Hylands.
A empresa busca, com isso, avançar o empreendimento para uma eventual decisão de construção e, posteriormente, para a produção de concentrado de espodumênio destinado às cadeias globais de fornecimento de baterias.
De descoberta a monetização
A Lithium Ionic iniciou sua atuação no distrito de Salinas em março de 2023. As atividades de exploração resultaram na definição de um recurso mineral para Baixa Grande, posteriormente apresentado em relatório técnico independente publicado em dezembro de 2024.
De acordo com a companhia, a venda por US$ 37,5 milhões representa uma valorização significativa em relação ao montante originalmente desembolsado para adquirir os ativos de Salinas.
A conclusão da operação ainda depende do cumprimento das condições previstas no contrato definitivo. Após o fechamento, a PLS assumirá os direitos sobre as propriedades incluídas na transação, enquanto a Lithium Ionic manterá o royalty de 2% sobre as futuras vendas de espodumênio.













