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Por Redação
O fortalecimento do mercado de capitais para mineração, a ampliação dos instrumentos de financiamento e a construção de um ambiente mais competitivo para atrair investimentos ao setor foram os principais temas debatidos durante o Invest Mining Talks, realizado nesta terça-feira (30), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. O encontro reuniu representantes do governo, instituições financeiras, órgãos reguladores e entidades da mineração para discutir caminhos voltados ao desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e estratégicos no Brasil.
Ao longo do evento, representantes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do BNDES, da Rede Invest Mining, da FINEP e da ABIMAQ defenderam maior integração entre políticas públicas, mercado financeiro e setor produtivo para ampliar a capacidade de financiamento de projetos minerais, especialmente nas fases iniciais de exploração, além de fortalecer a industrialização e a agregação de valor à produção nacional.
CVM defende prioridade para mineração no mercado de capitais
O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, afirmou que a autarquia considera a agenda dos minerais críticos uma prioridade e defendeu a criação de condições para que empresas brasileiras deixem de buscar exclusivamente bolsas estrangeiras para captar recursos.
“Temos que olhar esse assunto como prioridade para o Brasil, sem sombra de dúvida. Eu assumi há um mês e entendo que isso tem que ser tratado em fast track, com prioridade máxima.”
Segundo Lobo, Canadá e Austrália desenvolveram, ao longo de décadas, um ecossistema regulatório e financeiro capaz de atender às necessidades das empresas de mineração, realidade que o Brasil precisa reproduzir.
“As empresas que hoje estão listadas em Toronto não precisam ficar lá para sempre. Para trazê-las de volta, ou para que as próximas não precisem ir, precisamos construir aqui o que elas foram buscar lá fora.”
O presidente da CVM também destacou que a autarquia já trabalha, em conjunto com a B3, em iniciativas como o regime Fácil e na tokenização do mercado de capitais, medidas que podem ampliar o acesso de empresas de menor porte aos investimentos privados.
BNDES amplia instrumentos para apoiar minerais críticos
O chefe do Departamento de Indústrias de Base Extrativa do BNDES, Flávio Mota, ressaltou que os minerais críticos se consolidaram como uma agenda estratégica para o setor público e privado,, diante do contexto geopolítico e da transição energética.
“O tema de minerais críticos e estratégicos é um tema estratégico para o país, mas, sem dúvida, também traz muitas oportunidades para investidores.”
Mota afirmou que o banco vem estruturando uma série de instrumentos para apoiar projetos em diferentes estágios de desenvolvimento, incluindo financiamento de longo prazo, participação acionária, fundos de investimento e soluções de project finance voltadas ao setor.
“Todas as principais áreas do banco relacionadas ao tema estão com equipes dedicadas e trabalhando intensamente na busca de ajudar o Brasil e todos os interessados a desenvolver e estruturar projetos para aproveitar a oportunidade do momento.”
Segundo ele, o BNDES busca atuar como parceiro na estruturação de projetos e na articulação com investidores nacionais e internacionais, fortalecendo a cadeia produtiva dos minerais críticos.
Rede Invest Mining defende fortalecimento do mercado brasileiro
Coordenador da Rede Invest Mining, Miguel Nery destacou que a iniciativa reúne instituições públicas e privadas para melhorar o ambiente de negócios da mineração e ampliar a atração de investimentos para o setor.
“Temos buscado trabalhar no aprimoramento da regulação, em mecanismos de financiamento, ESG e mineração e na estruturação de projetos, sempre para posicionar o Brasil na rota dos investimentos internacionais.”
Nery destacou que um dos principais objetivos da Rede é desenvolver condições para que empresas de mineração possam captar recursos no mercado brasileiro, reduzindo a dependência de bolsas internacionais.
“Hoje muitos dos nossos projetos precisam buscar capital nas bolsas do Canadá e da Austrália porque ainda não temos aqui as condições necessárias para viabilizar esse mercado. O Canadá tem cerca de 1.700 empresas de mineração listadas; no Brasil, não conseguimos mais do que três.”
Durante o evento, o coordenador entregou ao presidente da CVM o documento “Destravando o Valor da Mineração”, elaborado pela Rede Invest Mining em parceria com a B3, contendo propostas para aperfeiçoar a regulação do mercado de capitais voltada ao setor mineral.
BNDESPAR amplia investimentos em empresas de mineração
O chefe de Departamento da BNDESPAR, Guilherme Coeli, afirmou que a instituição reformulou sua estratégia de investimentos para priorizar projetos ligados à economia verde e aos minerais críticos.
“A gente reformulou totalmente a estratégia de investimento, focada muito na agenda de sustentabilidade e economia verde.”
Segundo ele, desde a mudança, a instituição já avaliou mais de 40 empresas do setor e estuda operações que podem estimular o desenvolvimento das chamadas junior mining companies, inclusive por meio de modelos como dupla listagem no mercado brasileiro.
FINEP amplia apoio à inovação na mineração
Representando a FINEP, Henrique Vasquez destacou que a instituição concentra seu apoio em ciência, tecnologia e inovação aplicadas ao setor mineral, especialmente em projetos voltados ao beneficiamento, refino e desenvolvimento de novas rotas tecnológicas.
“A ideia é realmente ser parceiro da empresa na incerteza, permitindo mitigar o risco tecnológico e desenvolver soluções inéditas para o Brasil.”
Segundo Vasquez, a chamada pública voltada à transformação mineral já recebeu dezenas de propostas e deve utilizar integralmente os recursos disponibilizados para estimular inovação e fortalecer a cadeia nacional de minerais críticos.
Cadeia mineral é apontada como base da transição energética
Representando a ABIMAQ, Alberto Machado afirmou que a transição energética reforça o protagonismo da mineração e amplia a demanda por minerais estratégicos.
“A transição energética não é uma mudança, é uma adição. A cada momento nós incorporamos novas fontes de energia, mas todas elas continuam fortemente dependentes da mineração.”
Segundo Machado, o Brasil reúne vantagens competitivas relevantes por possuir grandes reservas minerais, uma matriz elétrica predominantemente renovável e capacidade de ampliar sua participação na cadeia de transformação mineral.
“O que nos falta talvez seja ampliar nossa capacidade de refino e transformar matéria-prima em produtos de maior valor agregado. Temos todas as condições de transformar o Brasil em um polo soberano de tecnologias limpas.”












