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Por Ricardo Lima
A Vale e a ABB ampliaram nesta terça-feira (11) uma parceria para expandir o uso de automação, inteligência artificial e tecnologias digitais nas operações de minério de ferro da companhia no Brasil. O acordo prevê a aplicação gradual, em outras plantas de beneficiamento, de soluções desenvolvidas na Usina Modelo Conceição II, em Itabira (MG), com foco em segurança, produtividade, eficiência operacional e aproveitamento dos recursos minerais.
A primeira unidade a receber as novas tecnologias é a planta de beneficiamento de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG). Segundo a companhia, a implantação já está em andamento e a operação com os novos sistemas deverá começar no início de 2027. Outras unidades em Minas Gerais e no Pará também estão previstas no programa.
Tecnologia será replicada em outras operações
A expansão faz parte da estratégia de “Mineração do Futuro” da Vale, que busca incorporar automação avançada, digitalização e inteligência artificial aos processos produtivos. De acordo com a empresa, a Usina Modelo Conceição II será utilizada como referência para a modernização tecnológica de outras unidades.
A iniciativa pretende reduzir a necessidade de intervenções manuais em atividades de risco e ampliar a capacidade de acompanhamento dos processos em tempo real.
“A Usina Modelo mostrou que as novas tecnologias, como inteligência artificial, melhoram a segurança dos empregados e aumentam a produtividade, a eficiência operacional e a qualidade na mineração”, afirmou Carlos Medeiros, vice-presidente de Operações da Vale.

Operação da Vale em Itabira. Foto: Divulgação.
Segundo o executivo, a experiência de Conceição II será usada para ampliar a previsibilidade dos processos, melhorar o aproveitamento dos recursos minerais e reduzir a exposição dos trabalhadores a atividades de risco.
“Agora, vamos levar esse aprendizado para outras operações da Vale, ampliando a previsibilidade dos processos, melhorando o aproveitamento dos recursos minerais e reduzindo a exposição das pessoas a atividades de risco”, disse Medeiros.
Usina monitora mais de 400 variáveis
Inaugurada em junho deste ano, em Itabira, a Usina Modelo Conceição II reúne milhares de sensores, sistemas de automação e ferramentas de inteligência artificial. A estrutura permite acompanhar, em tempo real, mais de 400 variáveis das diferentes etapas do beneficiamento do minério e realizar ajustes automáticos no processo.
A operação começou a incorporar as tecnologias em 2024. De acordo com dados apresentados pela Vale, desde então a unidade registrou aumento de 25% na produtividade, crescimento de 40% na produção de minério premium destinado à redução direta e redução de 26% nas perdas de ferro no rejeito.
A empresa afirma ainda que a nova configuração operacional diminuiu a necessidade de intervenções manuais em campo, com impacto na segurança das atividades.
ABB integra sistemas de diferentes fornecedores
No projeto, a ABB atua como integradora dos sistemas de automação, eletrificação e digitalização. A função é conectar diferentes tecnologias e fornecedores em uma estrutura operacional integrada.
“Este novo acordo com a Vale representa um marco importante em nossa parceria. Com base no sucesso alcançado em Conceição II, estamos criando uma estrutura para implantar uma abordagem consistente de automação, eletrificação e digitalização em múltiplas operações”, afirmou Joachim Braun, presidente da Divisão Process Industries da ABB.
O modelo adotado na Usina Modelo permite que equipes acompanhem continuamente os dados do processo e utilizem as informações para ajustar a operação.
Capacitação acompanha transformação digital
A mudança tecnológica também envolve treinamento das equipes. Segundo a Vale, todos os operadores, instrumentistas e líderes da Usina Conceição II foram capacitados para trabalhar no novo modelo operacional.
A companhia mantém ainda programas de qualificação que incluem treinamentos imersivos, simuladores e ferramentas de realidade virtual. A proposta é preparar os empregados para operar os novos sistemas e lidar com situações que podem ocorrer durante o funcionamento das unidades.
Com a expansão do acordo, a experiência desenvolvida em Conceição II deverá ser gradualmente incorporada a outras operações de minério de ferro da Vale no Brasil.













