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Por Redação
Durante apresentação no SIMEXMIN 2026, o consultor da Mira Geoscience, Fabiano Della Justina, detalhou como a interpretação integrada de dados geocientíficos permitiu a descoberta de um sistema mineral associado ao níquel no Vale do Curaçá, no norte da Bahia. A região é conhecida historicamente pela mineração de cobre, com destaque para operações ligadas à Ero Copper.
Segundo Della Justina, o trabalho foi resultado de anos de pesquisas conduzidas por diferentes profissionais. “O meu papel aqui é mais como contador de história. O mérito, na verdade, é dessas pessoas que estão envolvidas, como Marielle, Francisco, Pablo e outras pessoas também. Eles que têm o mérito de todo esse trabalho realizado ao longo desses anos”, afirmou.
O pesquisador contextualizou que o Vale do Curaçá está localizado no semiárido baiano, próximo a Petrolina e Juazeiro, em uma faixa geológica com aproximadamente 100 quilômetros de extensão. A área abriga registros históricos de mineração há mais de 200 anos e concentra minas importantes, como a de Pilar, em operação há mais de quatro décadas. Segundo ele, a jazida possui cerca de 73 milhões de toneladas com teor médio de 0,9% de cobre.
Depósito de cobre começou a revelar assinatura de níquel
Della Justina explicou que um dos fatores que despertou atenção da equipe foi a baixa concentração de níquel observada historicamente nas mineralizações magmáticas da região. “Sempre me chamou atenção quando você pensa em depósito magmático, porque o níquel era muito baixo. Isso não é muito comum nesse contexto”, disse.
A mudança de interpretação começou em 2018, quando levantamentos eletromagnéticos aéreos e análises geoquímicas passaram a revelar anomalias compatíveis com sistemas magmáticos mais ricos em níquel. A descoberta ganhou força em 2022, quando foi documentada, pela primeira vez, uma concentração em que o níquel aparecia em proporção superior ao cobre.
“Quando a gente fala descoberta do níquel, é no sentido de uma proporção em que você deixa de entender como um depósito de cobre e começa a entender como um depósito de níquel”, explicou.
Integração de dados foi decisiva para identificar alvos
Ao longo da apresentação, o consultor destacou que a descoberta só foi possível graças à integração entre diferentes métodos de investigação, incluindo mapeamento geológico detalhado, geoquímica de solo, magnetometria e levantamentos eletromagnéticos.
Segundo ele, algumas anomalias geofísicas extremamente fortes foram descartadas porque não apresentavam coerência geológica. Em contrapartida, outros alvos menos evidentes mostraram associação consistente entre condutividade, estrutura geológica e assinaturas geoquímicas.
“Essa é a importância da integração com o mapa geológico”, afirmou. “Muitas vezes você não está procurando nos lugares onde deveria procurar.”
Della Justina também explicou que os dados eletromagnéticos permitiram modelar placas condutivas em profundidade, auxiliando diretamente o posicionamento dos furos de sondagem. Alguns alvos apresentaram condutâncias entre 13 mil e 18 mil siemens, valores considerados elevados para esse tipo de sistema mineral.
Desafios geofísicos ainda exigem novos estudos
Apesar dos avanços, o pesquisador ressaltou que o sistema do Vale do Curaçá ainda apresenta diversos desafios de interpretação. Entre eles estão respostas magnéticas complexas, efeitos de serpentinização e forte magnetização remanente das rochas, fatores que dificultam modelos convencionais de inversão geofísica.
Segundo ele, algumas zonas apresentaram correlação clara entre geofísica e geoquímica, enquanto outras ainda levantam dúvidas sobre os controles geológicos da mineralização.
Como conclusão, Della Justina afirmou que a principal lição da descoberta foi a necessidade de enxergar o depósito em escala regional e como parte de um sistema mineral mais amplo. “Dar um passo para trás, olhar em escala maior e integrar os dados foi fundamental para desenhar o plano exploratório”, afirmou. “Esse modelo pode ser replicado em outras áreas do Vale do Curaçá.”












